Relação enfermeiro-médico
Que relação é esta?
Uma relação que se quer repleta de trabalho de equipa, discussão e reflexão contínua de cuidados multidisciplinares e consequentemente interdependentes. Não há cuidados médicos de excelência que não tenham por trás cuidados de enfermagem de igual nível e vice-versa. É importante que a sociedade tenha noção disso. Enquanto profissionais de saúde em Portugal erramos drasticamente na assumpção do significado de relação interdisciplinar. Falo especificamente na relação enfermeiro-médico ou médico-enfermeiro, como bem entenderem. Num mundo cada vez mais competitivo e difícil, repleto de corrupção e favores, nem sempre o melhor é recompensado como tal, muito menos, a importância dos núcleos elementares é reconhecida. Um dos prejuízos da competitividade actual é, em si próprio, um dos alvos a abater por essa mesma competitividade.
Que quero eu dizer com isto. Actualmente a competitividade está exacerbada, e uma das vantagens dessa competitividade seria, especificamente na área da saúde, a maior qualificação e excelência dos quadros que compõem o SNS. Certo, isso seria uma vantagem óbvia, no entanto, vemos que acontece precisamente o contrário. Com o aumento da competitividade reflectida no aumento de quadros licenciados e nascimento de diversas licenciaturas especializadas nas áreas da saúde, temos visto aumentar um quadro de favores e cunhas no ingresso na vida profissional acompanhado pelo número crescente de desempregados.
Isto é um contra-senso enorme. Quando deveria ser dada prioridade aos quadros mais diferenciados vemos que o ingresso na vida profissional no SNS está cada vez mais reduzido a questões de conhecimentos e favores. Precisamente aquilo a que a competitividade visava combater. Ciclo vicioso, não; reflexo de um Estado incapaz de impôr valores de imparcialidade e justiça, talvez!
Retomando a linha condutora inicial, a relação enfermeiro-médico. Este é um paradigma comparável entre muitas outras profissões da saúde e quem sabe de outras áreas. Actualmente vivemos numa selva onde se aplica totalmente o conceito do ’salve-se quem puder’. Sem legislação protectora dos que tentam ver os seus créditos valorizados, vemos concursos fictícios, contratações directas por olho, entre outras situações que em nada podem melhorar as bases e valores do SNS. Isto leva a que a relação entre profissionais de saúde seja cada vez mais conflituosa prejudicando a visibilidade das várias classes profissionais e os cuidados de saúde interdisciplinares aos utentes.
Todo este clima de ’salve-se quem puder’ leva, na prática, a conflitos/relações que visam apenas a progressão individual de cada um em detrimento da qualidade de cuidados prestados em equipa. De salientar que, este confronto em que baseei o meu pensamento, não só se reflecte entre duas classes distintas mas de igual modo entre profissionais da mesma classe, o que é grave.
Como profissionais de saúde devemos impôr limites à nossa prática, não nos deixando corromper pelo sistema. E que sistema! Ao integrar uma equipa multidisciplinar é fundamental pôr de lado objectivos pessoais, crenças corporativistas, desejo de preponderância e poder, é senso-comum o facto de todos os profissionais de saúde terem uma palavra a dizer no tratamento de um utente, por isso, urge pensar no utente e não em nós próprios. É comum no seio dos enfermeiros inferiorizarem as suas capacidades e apenas criticar os erros cometidos pelos médicos, enquanto é comum os médicos tentarem desvalorizar o trabalho dos enfermeiros acumulando todos os méritos. Pois isso é facilmente resolvido com uma cultura de justiça e imparcialidade no acesso aos postos de trabalho, bem como, pela mudança de posturas e atitudes dos profissionais de saúde. Aos enfermeiros cabe a tarefa de desenvolver os seus conhecimentos e práticas e esquecerem uma prática facilitista de subsidiários de actividade dos médicos, fundamentarem as suas opiniões e contribuírem para o desenvolvimento de planos terapêuticos holísticos que sejam vantajosos para os utentes. Aos médicos urge respeitarem a opinião de outros profissionais de saúde como válida e aceitarem a discussão de propostas de outros profissionais no cumprimento de determinado plano terapêutico, bem como, assumirem que sozinhos não tratam ninguém.
O que me levou a escrever estes pequenos e irrelevantes pensamentos no contexto actual foi não só o ranking de Hospitais levado a cabo pela revista Sábado, o qual não me presto a referir por link graças a um péssimo trabalho de jornalismo que, em minha opinião, não podia subtrair as intervenções de outros profissionais de saúde muito menos ridicularizá-las em detrimento de uma só; como o bom exemplo dado pelo dr.º Barroso n’A Grande Entrevista que observei ontem, onde elogia e destaca a importância da sua equipa de Enfermagem no sucesso das intervenções levadas a cabo; bem como, após visitar um blog de um médica psiquiatra brasileira, a qual eu agradeço a sua passagem por estas bandas, constatar que a visão de um médico perante um enfermeiro pode ser tal e qual uma relação de colegas (link).
6 comments November 27, 2009
Por agora, aconselho:
Políticos não. Criminosos! (link1)
Os Filhos da Solidão – Prémio Jornalismo Contra a Indiferença da AMI (link2) via Jugular
O Ahmadinejad confiscou a medalha da Nobel da Paz SHIRIN EBADI (link3)
Add comment November 27, 2009
Ben-U-Ron
Se estiver na posse de um medicamento chamado Ben-U-Ron em formato Xarope, confirme o lote do medicamento através deste link (sítio do Infarmed). Caso o lote do medicamento estiver entre o grupo de lotes assinalados dirija-se à farmácia mais próxima.
Add comment November 25, 2009
Ciclo de Cinema
Tive conhecimento através do Cogitare (dar uma espreitadela) de uma iniciativa fantástica da Ordem dos Enfermeiros. Triste facto, constatei que não vou puder usufruir da mesma. Ora condeno-me a mim próprio, por não saber da iniciativa atempadamente, ao mesmo tempo que lanço um apelo à Ordem, dinamizem os vossos meios de divulgação, partilha de actividades, opiniões e notícias.
Por fim, deixo-vos com o cartaz roubado ao Cogitare. Salva-se o dia 25 para quem tiver disponibilidade! Clique na imagem para ampliar.
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Projecto ‘Escolas Saudáveis’
Como prometi explicar dois dos projectos característicos do núcleo do ISU em Viseu, deixo por agora uma síntese daquilo que é o Escolas Saudáveis. Para isso, passo a citar o balanço descrito no boletim do ISU deste mês. Orgulho-me por esta iniciativa ter sido pioneira e conjugar esforços de escolas do Concelho de Viseu, voluntários/alunos da Escola Superior de Saúde de Viseu, e demais professores e alunos intervenientes. Reforço que a iniciativa terá cada vez mais valor quanto mais for reeditada capacitando os alunos formados, amadurecendo a relações estabelecidas, promovendo a saúde e o empowerment na prevenção da doença.
Projecto “Escolas Saudáveis”
Tem como destinatários estudantes das Escolas de 2º e 3º ciclo do Ensino Básico e estudantes do Ensino Secundário da cidade de Viseu. Este projecto tem como objectivos específicos, “promover a participação activa de estudantes da Escola Superior de Saúde de Viseu junto da comunidade viseense; contribuir para a promoção de hábitos de vida saudáveis; possibilitar o acesso a informação em áreas geográficas isoladas e com recursos escassos; consciencializar a comunidade da sua responsabilidade na promoção da saúde, prevenção da doença e criação de hábitos de vida saudáveis; contribuir para a implementação de uma escola activa e promotora da saúde e bem-estar junto da comunidade; promover a educação sanitária nas escolas, o intercâmbio de informações entre os voluntários, profissionais de saúde e professores; educar para uma cultura de cidadania participada; reconhecer no voluntariado uma forma de promover uma melhor qualidade de vida e promover a realização de actividade lúdicas junto das escolas tendo por base os direitos humanos. Como resultados realizaram-se 15 acções de educação para a saúde; 200 alunos do 2º e 3º ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário formados nas temáticas de educação para a saúde e sensibilizados para as temáticas: Solidariedade, Voluntariado, Cidadania, Exclusão Social, Trabalho de Grupo e Direitos Humanos.
2 comments November 23, 2009
Consumo Responsável
Ora ora, consumo responsável um consumo a pensar! Com o cunho do ISU e da Reviravolta. Espreitem ali ao lado (link). Mais tarde voltarei ao assunto!

Add comment November 22, 2009
Os 20 Anos do ISU
Estive presente, no decorrer da tarde de ontem, na comemoração dos 20 anos de existência do ISU (Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária) que decorreu no Museu da Cidade de Lisboa (link1) e, deste modo, não posso deixar de marcar e transmitir o evento, bem como, voltar a assinalar o ISU, a sua missão e actividade. O ISU integra a plataforma das ONGD’s (Organizações Não-Governamentais para o Desenvolvimento) Portuguesas desde 1991. A sua actuação é baseada em três pilares fundamentais que são o Voluntariado, a Cooperação e Educação para o Desenvolvimento e a Exclusão Social.
Ao longo destes 20 anos de vida o ISU cresceu e aquilo que era inicialmente uma garagem algures em Lisboa transformou-se numa série de núcleos espalhados pelo país, actualmente contamos com os núcleos da Alta de Lisboa, Viseu, Viana do Castelo, Faro e Gaia, não esquecendo a sede localizada em Lisboa. Inicialmente com a sua actividade centrada no apoio e integração aos estudantes universitários dos PALOP em Lisboa, o ISU tem vindo a desenvolver exponencialmente o seu leque de actividades. Hoje em dia, a sua acção vai desde o desenvolvimento de projectos de intervenção à sensibilização para a solidariedade e cooperação mútua.
Para conhecerem melhor os diversos projectos que o ISU leva a cabo devem consultar os seguintes sites (link2) (link3).
Desde 2007 sou voluntário do núcleo do ISU de Viseu. Foi no ISU Viseu que tive oportunidade de ampliar a minha visão do Mundo e das suas assimetrias. Sempre difícil, a descrição do crescimento e aprendizagem que obtive graças a este projecto, conclui-se que não é transmissível em poucas linhas e palavras.
Durante a comemoração dos 20 anos do ISU destaco a soberba intervenção do Prof.º Roque Amaro (link4) que para além de reconhecer o trabalho levado a cabo pelo ISU nestes vinte anos soube transmitir uma posição crítica lançando desafios extremamente estimulantes para o futuro da organização e acções a realizar e a amadurecer. A comemoração contou com a presença dos quadros de direcção, diversos voluntários dos vários núcleos do ISU, estudantes dos PALOP, membros das Embaixadas dos PALOP em Portugal entre outras entidades. Merece do mesmo modo destaque a intervenção de António José Sarmento (Presidente do ISU) que decorreu conforme já nos tem habituado e a visualização de um filme com testemunhos e clips dos 20 anos do ISU, que transmitiu recordações e saudades inigualáveis mesmo aos que à pouco tempo se juntaram à causa, tal como eu.
Não posso deixar de transmitir o meu percurso individual no ISU (núcleo de Viseu) e apelar à consulta desta página (link5) para melhor entenderem qual o percurso do próprio núcleo e fomentar a curiosidade pela sua actividade. Como já referi desde 2007 que pertenço ao grupo de voluntários do ISU. Inicialmente integrei a formação geral de voluntários promovida pela ONGD e, movido pela curiosidade e causas, fui participando cada vez mais nas actividades do núcleo. Em 2008 após completar a formação específica de voluntariado com vista ao desenvolvimento do Projecto No Djunta Mon, fui seleccionado para a equipa de voluntários que iria partir para a Ilha do Fogo em Cabo Verde. Os projectos No Djunta Mon são uma das actividades mais importantes do ISU se é que podemos comparar o grau de importância entre elas. Desenvolvido o projecto No Djunta Mon na Ilha do Fogo, esta primeira edição levada a cabo pelo núcleo de Viseu, na qual participei, trouxe na bagagem resultados fantásticos e boas perspectivas de consolidação no futuro. De regresso à base, preparar novamente o futuro e novos rumos, bem como, amadurecer os projectos já iniciados eram os desafios. Para além dos diversos projectos que o ISU-Viseu desenvolvia coube-me a mim pensar um dos novos projectos. Eis que surge a ideia do Escolas Saudáveis. O projecto Escolas Saudáveis inicia em 2009 sob a minha coordenação e implantação no terreno. Um projecto que, tal como o No Djunta Mon, me obrigou a despoletar a curiosidade, atingir objectivos, ampliar capacidades e constitui um desafio francamente positivo.
Na senda da comemoração dos 20 anos do ISU, os voluntários tiveram a oportunidade de deixar os seus testemunhos [consultar aqui (link6)] dos quais eu não podia estar ausente, fica um excerto:
O ‘No Djunta Mon’ foi o ponto alto (e custa-me inferiorizar momentos passados ao serviço dos bombeiros) da minha vida quanto ao relacionamento com as pessoas, a percepção de desigualdades, a obrigação de lutarmos por uma sociedade melhor e mais justa. Foi um projecto que me mudou, quando digo isto não significa que tenha mudado a minha personalidade, mas mudou algo mais importante. O projecto ‘No Djunta Mon’ abre-nos um mundo de questões. Questões que nos levam ao interesse por toda a injustiça no mundo, foi de lá que trouxe um espírito inconformado que me faz actuar sempre que possível na redução das injustiças e desigualdades sociais.
Chegados a Portugal, não baixamos os braços, o ISU-Viseu continua em força e espero que por muito tempo.
Com a ambição de continuar a ajudar na missão do ISU por muitos anos é ponto assente que aquilo que ganhei ajudando os outros foi exponencialmente maior do que o esforço levado a cabo para ajudar. Seguidamente explicarei os pontos fundamentais dos projectos No Djunta Mon e Escolas Saudáveis em posts para esse efeito.
Termino com a seguinte transcrição do ISU:
O ISU aposta no voluntariado como forma de participação activa na sociedade, de cooperação mútua, de multiculturalidade, de tolerância e de abertura a desafios. É este o cunho subjacente às áreas de acção do ISU que constituem diferentes projectos com objectivos próprios.
Add comment November 22, 2009
Atenção:
@danyelrodrigues Boas notícias, mais uma alternativa terapêutica? – Scientists find new drug that can destroy leukaemia cells: http://digg.com/d31A1xh?t
@danyelrodrigues Más notícias – Teenage obesity linked to increased risk of multiple sclerosis: http://bit.ly/mpOmM
Add comment November 19, 2009
Fome Hunger El Hambre La Faim 飢餓
O texto da cimeira, que deve ser aprovado hoje, deverá ser bem mais vago e fazer apenas referência a um “compromisso para desenvolver acções para de modo sustentado erradicar a fome o mais cedo possível”, refere o projecto de declaração a que a agência Reuters teve acesso. O documento não faz qualquer menção a prazos.
Sem um maior envolvimento, um dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio – reduzir a metade a pobreza e a fome até 2015 – parece comprometido. Responsáveis das Nações Unidas admitiram mesmo à agência noticiosa que essa meta tenha que ser adiada para meados dos anos 2040.
Andamos a brincar com pessoas, compromissos, objectivos de desenvolvimento do milénio? Esqueçam são brincadeiras para alguns. Como é possível, do G8, os tais que se comprometeram com 20 mil milhões de dólares em três anos dedicado à luta contra a fome, apenas estar presente o Silvio Berlusconi. Sim, o Berlusconi e desconfio que, apenas, devido ao facto de ser o país anfitrião da cimeira. Vergonha!
Add comment November 16, 2009











