Publicidade criminosa
Aqui: http://www.youtube.com/watch?v=-DsfuyPSVw0
E aqui: http://www.youtube.com/watch?v=KUggGdFAhUM
O primeiro spot já foi suspenso o segundo para lá caminha. Este tipo de publicidade deveria envergonhar os seus respónsáveis. No primeiro caso, trata-se de uma chantagem inadmissível com base numa solução que não sabemos quando dará frutos e se soubéssemos não deixaria de ser chantagem e igualmente inadmissível. O segundo, é uma espécie de homenagem à violência doméstica de bradar aos céus. Precisamos de uma espécie de censura prévia aos spots publicitários.
Jerónimo Martins/Provedoria do Cliente
Cara Dr.ª Margarida M. Ramalho,
Atendendo às responsabilidades inerentes ao seu mandato no grupo Jerónimo Martins – Provedoria dos Clientes – e na minha qualidade de eminente ex-cliente das superfícies Pingo Doce exploradas pelo grupo atrás referido e que sua Exa. representa quero manifestar-lhe o meu desagrado com acontecimentos recentes e deixar algumas questões.
No passado dia 01 do presente mês, as superfícies Pingo Doce lançaram uma promoção de 50% de desconto em todos os produtos cuja soma totalizasse uma quantia superior a 100€, deste modo assinaram a mais ambiciosa estratégia de vendas do sector de que há memória (pelo menos, na minha memória). Se, única e exclusivamente, de marketing se tratasse estaria neste momento a parabenizar a estrutura que representa, no entanto, a manobra referida vai muito além de uma estratégia de marketing e passo a explicar.
Abrir as portas deste tipo de superfícies com preços pela metade num feriado nacional (sublinhe-se, por agora, que a maioria da população não trabalha) configura-se em acto irresponsável e criminoso (assim espero, que o digam as instituições próprias). Neste período de crise económica transversal à classe média e baixa portuguesas qualquer pessoa anteciparia os possíveis efeitos nefastos desta manobra.
Vejamos:
- desrespeito pela dignidade dos seus clientes habituais;
- uma afluência gigantesca às superfícies Pingo Doce que desrespeitou a dignidade das pessoas e lançou o pânico;
- a escassez de recursos humanos para um atendimento digno e capaz;
- a inobservância do incremento de medidas de segurança para evitar acontecimentos como desacatos e agressões (que ocorreram em várias superfícies);
- e o total desprezo pelos riscos associados à concentração de grandes massas em locais restritos.
De forma alguma tocarei nas questões políticas que possam associar-se ao dia do ‘acontecimento’ que refiro – o dia do Trabalhador, o dia 1 de Maio -, concerteza as conhecerá, cinjo-me apenas à irresponsabilidade que a cadeia Pingo Doce demonstrou ao permitir as adversidades que acima enumero a título de negócio que implica lucro. Deste modo, enquanto cliente venho questioná-la na esperança de que as suas respostas possam afigurar-se capazes de manter o meu estatuto:
1) Que medidas de segurança adicionais – em comparação com o dia-a-dia comum – foram encetadas nas superfícies Pingo Doce no dia 1 de maio?
2) Que acções serão levadas a cabo para ressarcir os clientes que foram prejudicados graças ao caos provocado?
3) Quem pagará as acções da Polícia de Segurança Pública em várias superfícies Pingo Doce pelo país inteiro?
4) Se a marca Pingo Doce pode oferecer descontos pontuais de 50% porque não repetir estas promoções frequentemente?
5) Quais os motivos para a promoção ser oferecida num feriado nacional?
6) Qual o vínculo dos trabalhadores do Pingo Doce a laborar no dia 1 do presente mês?
7) Qual a compensação oferecida aos trabalhadores do Pingo Doce por laborarem num feriado?
Desculpe a ignorância pautada nas perguntas que lhe dirijo.
Desde já agradeço a sua compreensão,
Com os melhores cumprimentos,
Daniel Rodrigues
02-Maio-2012
A reclamar…
Provedoria do Cliente Jerónimo Martins
Telefone: 808 209 920
E-mail: provedoria@jeronimo-martins.pt (canal preferencial para primeiro contacto)
Morada: Rua Actor António Silva, nº 7 1600-404 Lisboa
1 de Maio
…
A Jerónimo Martins quer reescrevê-lo com outras cores.
Uma questão.
Se é possível oferecer descontos de 50% num dia porque não oferecê-los nos seguintes?
Es.Col.A

Imagine-se um bairro, situado numa zona degradada do centro de uma grande cidade. Nesse bairro existe uma escola, propriedade da autarquia, que foi encerrada há cinco anos. Onde antes se ouviam as crianças, na hora do recreio, passou a reinar o silêncio. E o edifício degrada-se: desocupado e moribundo, não tem perspectivas de voltar a ganhar vida.
Imagine-se também que um grupo de cidadãos, interessados pela cidade em que vivem, pretende fazer trabalho comunitário, junto de pessoas que podem beneficiar do seu apoio. Alguns são empregados dos serviços, outros são professores e outros são gestores. O grupo é ainda composto por reformados, que decidiram preencher o tempo de que agora dispõem ao serviço da comunidade. Tencionam ajudar as crianças nos trabalhos escolares e promover diversas actividades com os moradores do bairro.
Perante o estado de abandono da escola, lembram-se de utilizar o pátio. É aí que se começam a encontrar com os mais novos e a reunir-se com os moradores, definindo em conjunto o que se pode começar a fazer. Há quem queira aprender a jogar xadrez. Há quem queira aulas de dança e sessões de ioga. Há até quem gostasse de saber utilizar um computador.
A pouco e pouco, as salas da escola abandonada vão acolhendo as diferentes actividades. Para as despertar da letargia em que se encontravam fazem-se pequenas obras. Substituem-se vidros partidos e colocam-se telhas novas nos sítios onde chove. Pintam-se paredes e arranjam-se algumas portas. A dado momento, pode já começar-se a pensar em criar uma pequena biblioteca, projectar filmes e abrir um espaço com computadores. As reuniões com os moradores começam a ter lugar entre muros, no edifício revitalizado.
A autarquia constata, entretanto, que a escola desocupada deixara de o estar. Apercebe-se das actividades que aí têm lugar e descobre uma coisa rara: essas actividades não são o menu definido por «técnicos sociais» encartados, tantas vezes especialistas em saber de antemão o que as pessoas precisam, mas sim o fruto de decisões colectivas e participadas. O ponto de encontro entre as competências dos voluntários e os interesses da comunidade.
Surgem, naturalmente, problemas jurídicos: é necessário que a «ocupação da desocupação» esteja dentro da lei. O grupo de voluntários – e a própria população do bairro – compreendem isso. É preciso que se constitua uma associação e, por força das leis vigentes, que a cedência do espaço pela autarquia implique o pagamento de uma verba simbólica. Tal como importa, também, que se celebre um contrato entre as partes, de modo a formalizar – afinal – tudo o que até aí foi sendo concebido e materializado de modo espontâneo, democrático e informal.
A autarquia, longe de equacionar o cenário de despejo (e muito menos o de um despejo coercivo), quer facilitar todo o processo. Porque – coincidência das coincidências – estava justamente em estudo, nos gabinetes da câmara, a possibilidade de reconverter o edifício da antiga escola num centro comunitário. Até já havia uma dotação prevista no orçamento, com uma parte destinada a obras de recuperação e outra parte destinada a remunerar a associação que ali se quisesse instalar, com o compromisso de desenvolver o projecto concebido para o bairro, no período de tempo previsto. Bastava acertar agulhas e ultrapassar as questões legais.
(Esta não é a história da Es.Col.A do Bairro da Fontinha. E não o é, essencialmente, por duas razões: porque na história da Es.Col.A do Bairro da Fontinha – que ainda não terminou – alguns dos seus protagonistas diferem do perfil aqui descrito. E porque, por isso, o preconceito e o atavismo – que nada devem à inteligência – contaminam o modo como o executivo de Rui Rio continua a encarar a Es.Col.A. O discurso que tece loas à iniciativa da «sociedade civil» e ao «empreendedorismo social» é uma retórica selectiva: não se aplica a todos).
Texto e imagem reproduzidos na íntegra dali (link). Assino por baixo!
De certeza que o sr.º Ministro ia parar à sala do lado.
Se até agora constituir uma turma obedecia a regras rígidas da tutela, Nuno Crato promete abrir caminho para que as escolas possam organizar grupos de alunos de acordo com o rendimento escolar e necessidades específicas. A medida terá sempre um carácter “temporário” e servirá para os alunos com dificuldades ou facilidade de aprendizagem não dificultarem o ritmo das aulas.
Brilhante.
Vamos financiar empresas de recrutamento. Aquelas que oferecem remunerações de bradar aos céus. Brilhante. O rumo é mesmo esse. Retrocedamos décadas para encontrar o panorama futuro do país (ver ligação). Já agora, se esta “experiência-piloto” tem o objectivo de criar emprego com que critérios decidem iniciá-la nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto? O interior do país transborda indústria e emprego, certo?
Continuamos a ‘obrigar’ os portugueses a fugirem para os dois grandes centros urbanos do país e daí a viajarem para o estrangeiro.
Surpresa.
A taxa de desemprego anda nos 14%. Mais grave, a taxa de desemprego entre os jovens anda nos 35%. Novidade? O sr.º Presidente ficou surpreendido (ver ligação). E agora? Nós é que ficámos surpreendidos quando nos disse que a sua reforma não daria para as despesas.
Andamos a brincar. Um país dos mais envelhecidos do mundo com uma taxa de desemprego jovem de 35% e todos os responsáveis assobiam para o lado? Estamos mesmo a perceber no que isto vai dar. Sem surpresas.


