Enfermeiros
Abril 26, 2009 at 1:56 am 2 comentários
Não fiquei estupefacto ao ler este texto de Saramago, pensei que também ele não ficasse ao constatar a realidade que descreveu. Triste mas verdade, os enfermeiros portugueses são, cada vez mais, obrigados a emigrar! Pelo que se denota essa realidade ainda não é bem conhecida pelos portugueses, e pior ainda, por individualidades que se supõe bem informadas acerca das peripécias que vêm ocorrendo em Portugal.
Camisola (link) – texto de José Saramago
Quando hoje saí do hospital, fresco como uma rosa, trazia comigo duas satisfações. Uma, a de me ter visto livre, finalmente, de uma impertinente bronquite que há meses, com altos e baixos, parecia não querer largar-me, mas que desta vez teve de resignar-se a ir à procura doutro hospedeiro. Oxalá não o encontre. A segunda satisfação era de diferente natureza. Sucede que neste pequeno hospital de Lanzarote, certamente com surpresa de quem me leia, trabalham nada mais, nada menos que 17 ou 18 enfermeiros vindos de Portugal, da província do Minho na sua maior parte. Sucede também que, antes de sair, tive de fazer uma radiografia ao tórax para que ficasse devidamente documentado que o paciente, como costuma dizer-se, está bem e recomenda-se. Eu levava posto o que hoje chamamos um “jersey”, portanto foi um “jersey” que despi e deixei em cima de uma cadeira. O enfermeiro, português de Felgueiras, devia verificar se as chapas haviam resultado tecnicamente satisfatórias e, para isso, teve de passar para um compartimento ao lado. Disse: “São só dois minutos, depois dou-lhe a camisola”. Creio que estremeci. Não tornara a ouvir a palavra desde há uns trinta anos, talvez mais, e aqui, em Lanzarote, a dois mil quilómetros da pátria, um jovem enfermeiro de Felgueiras, sem o imaginar, dizia-me que a língua portuguesa ainda existia. Abençoada bronquite.
Sr.ª Bastonária espero que leia ‘O Caderno de Saramago’!
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1.
Vera Carvalho | Abril 26, 2009 às 4:52 pm
Obrigado por este Post.
2.
daniel rodrigues | Abril 27, 2009 às 12:47 am
Não tem que agradecer! Sou enfermeiro recém-licenciado e não fiz mais do que revelar algo daquilo que sinto. Entrei há apenas quatro anos sensivelmente para a licenciatura em Enfermagem e já nessa altura se cheirava o que hoje se vê à distância. Tão importante quanto a carreira de Enfermagem, a regulação das vagas de acesso à licenciatura merece a preocupação de todos, no meu entender.
Cumprimentos!