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Agenda
Estou a experimentar uma sensação nova. Quando ouvia falar de agenda não imaginava como era de todo possível alguém viver segundo a mesma. Completamente errado.
Sei, agora, que viver segundo uma agenda é realmente possível. Ao ponto de não saber de modo algum o que vou fazer a partir do terceiro ou quarto dia seguinte ao presente, sem que tenha de olhar para ela.
Uma coisa vos garanto. Os níveis de adrenalina sobem e a frequência cardíaca dispara. Posso assim dizer que a agenda será um dos aparelhos de enfermeiro, uma variante vá.
Impropérios
Debitados no ‘Plano de Cuidados’ recentemente:
- Relatório de Primavera do OPSS [3] (link)
Pause
Modo de pausa neste sítio. Volto lá para meados de Junho. Só por um mero acaso posso deixar cair aqui algum texto. Até lá, boas leituras. Eu fico-me pelo Bolãno, mais um sem número de livros didácticos.
[Motivo: Alinhamento de ideias e afins]
P.S.: Desculpem lá esta mania de fazer pausas de vez em quando!
A resposta, Pizarro!
A resposta da Ordem dos Enfermeiros ao plano estratégico de recursos humanos para a emergência pré-hospitalar dispensa comentários. A ler aqui (link). É uma tomada de posição sóbria, inequívoca e sem argumentos corporativistas. Gosto deste estilo, apesar de ansiar por uma Ordem dos Enfermeiros mais interventiva e com garantia de resultados práticos.
Miguel Sousa Tavares
Mais uma vez, e por duas pequenas frases em que o jornalista e escritor, acima referido, opinou quanto à pretensão dos enfermeiros em ter um salário de doutor lá começou a onda de contestação na blogosfera de enfermagem. Quem tem paciência para estas críticas infundadas?
Pode toda a gente dos mais variados sectores políticos e sociais, das mais variadas classes profissionais ter opiniões diferentes e assentes nas suas crenças. Querem mudar essas opiniões?
Passo a explicar o processo – resumidissimo – de interculturalidade.
Primeiro devemos reconhecer a nossa identidade própria, as nossas crenças, os nossos preconceitos, os nossos estereótipos.
Depois devemos conhecer o outro, conhecer o porquê das suas opiniões, reconhecer a sua identidade própria, os seus preconceitos, os seus estereótipos, as suas crenças e valores.
A seguir partimos para a descoberta de semelhanças, de pontos de contacto entre a sua cultura, as suas crenças, e a nossa e as nossas crenças comuns.
Para terminar, discutimos na base do respeito pela opinião do outro justificando a nossa opinião.
Fica agora o artigo que causou a polémica aqui (link 1) – roubado ao Cogitare em Saúde (link 2). Faça-se declaração de interesses – sou apreciador do estilo e opinião de Miguel Sousa Tavares, para além de apreciar sua obra literária.
Agora também no ‘Plano de Cuidados’
O Plano de Cuidados é projecto colectivo dedicado à enfermagem e saúde, construído e mantido por enfermeiros, graças a uma ideia surgida em conversa de um grupo de amigos e colegas. Que seja um projecto com sucesso – para enriquecer o debate e a reflexão em torno da saúde.
Greve, Enfermeiros, Luta, Irresponsabilidades e Afins
Sinto-me obrigado a escrever umas linhas acerca da luta dos enfermeiros. Antes demais porque percebo algum sentimento de revolta de certas pessoas quanto à forma de luta – greve. Percebo apenas porque compreendo algum desconhecimento da realidade das greves no sector da saúde, bem como, concordo que a greve não é o melhor meio de luta, mas é por vezes o possível e mais forte! Depois de ler algumas barbaridades, de tal já se aperceberam, convém frisar alguns aspectos. A questão fulcral não é, de todo, o dinheiro – mas há quem diga que o dinheiro resolve tudo.
Apesar de ser o mais badalado motivo da luta dos enfermeiros, o acréscimo remuneratório não é, nem de perto nem de longe, a principal reivindicação dos enfermeiros. Mais importante que isso é, a meu ver, a entrada na administração pública de milhares de enfermeiros com vínculos precários às instituições do SNS.
O reconhecimento de um esforço suplementar dos enfermeiros, na última década e na actualidade, na reconfiguração das suas funções e competências, na revalidação e recertificação de conhecimentos. Como todos sabemos é notória a elevada taxa de enfermeiros com estudos superiores de 2º e 3º nível e tende a aumentar, igualmente sabemos que isso custa dinheiro, esforço e dedicação.
Os enfermeiros reclamam um tratamento idêntico ao que é garantido a outros técnicos superiores de saúde. Os enfermeiros não são, como muitos ignorantes vieram afirmar, meros subditos dos médicos. Uma relação de multidisciplinariedade cumpre-se nos princípios de ajuda, discussão e partilha. Os enfermeiros também não mandam nos auxiliares de acção médica. O facto de um médico prescrever determinado fármaco ou plano de tratamento implica que o enfermeiro o ponha em prática? Sim, mas nunca sem que o enfermeiro discuta com o médico da possibilidade, vantagens/desvantagens, segurança do tratamento. Nunca sem antes verificar a prescrição, a dosagem, a segurança, a fiabilidade, a adequação de determinado fármaco a uma certa doença. Sim, o enfermeiro reduz drasticamente o erro clínico. Sim, o enfermeiro é responsável pela administração de fármacos (compreendem a responsabilidade – 1 mEq por vezes mata), pela instituição de planos de cuidados, pela monitorização do utente no seu todo, pelo tratamento de feridas (as feridas – querem falar delas?). Este parágrafo termina assim com o intuito de esclarecer a suposta irresponsabilidade dos enfermeiros. Aqueles que não podem de modo algum ganhar o mesmo que os médicos porque têm menor responsabilidade – não é sr.º henrique raposo (com letra minúscula) [consultem barbaridades deste senhor aqui]?
Os enfermeiros vivem numa situação de precariedade, competitividade exagerada e desemprego. Não há regulação no acesso ao ensino superior de enfermagem, tal como, e não menos preocupante, não existe noutras áreas. Acresce, em particular, o facto de as instituições de saúde não contratarem os enfermeiros necessários. Os serviços de saúde estão saturados e os enfermeiros são obrigados a trabalhar a 150% – dados do Ministério da Saúde.
Outras questões – transição de carreira, taxas de acesso a enfermeiro principal, entre outras – estão manifestamente postas de lado pelo Ministério da Saúde que, arrogantemente, tem demonstrado uma atitude de desprezo pelos enfermeiros. O sector dos Cuidados de Saúde Primários está em completo stand-by, uma série de concursos anulados, mais enfermeiros sem vínculo à administração pública – mais enfermeiros na precariedade. O INEM – concurso para SIV’s – colocado na reciclagem, enfermeiros com expectativas frustradas ao longo de meses a fio. Enfermeiros nos CODU’s retirados, o Pizarro diz que foi para os colocarem nas SIV’s – a Ordem dos Enfermeiros já pôs os pontos nos i’s (link).
Os Enfermeiros já são discriminados há mais de uma década – algum dia a bomba tinha de rebentar – para os mais incautos e para aqueles que levantam a bandeira da crise para argumentar da irresponsabilidade dos enfermeiros em reivindicar nestes moldes, relembro-vos que esta luta já conta mais dias, meses e anos que a palavra ‘crise’ – mas o governo nunca deu ouvidos.
Esta breve descrição não expõe todos os motivos desta luta mas aqueles que acho mais preponderantes e urgentes. Relembro que discordo de muitas formas de greve, da calendarização das mesmas, entre outras; mas urge salientar que a forma de greve utilizada pelos enfermeiros não é irresponsável como muitos lamentam. A greve dos enfermeiros é feita com pré-calendarização de modo a diminuir os prejuízos da mesma para os utentes e instituições de saúde. A greve dos enfermeiros assegura os cuidados mínimos em todas as instituições. O facto de mais de 90% dos enfermeiros efectuarem greve não implica que mais de 90% dos enfermeiros estejam fora do seu local de trabalho. Há enfermeiros em greve que se mantém nos seus locais de trabalho a assegurar os tais ‘cuidados mínimos’. Nenhuma situação de urgência ou emergência deixa de ser atendida devido à greve.
Outras formas de luta? Talvez. Mas nem com greves o Ministério da Saúde nos ouve! – Estamos esclarecidos?
Pizarro desta não estavas à espera.
Depois de o Secretário de Estado da Saúde, com cara angelical, de seu nome Manuel Pizarro, ter dito no Bom Dia Portugal – repito, com ar angelical – que os Enfermeiros no CODU não eram necessários e que os retiraram apenas para os colocar nas SIV’s – oh, as SIV’s – vem a Ordem dos Enfermeiros por os pontos nos i’s. Está bem Pizarro?
E vê lá se resolves o problema das SIV’s – ou queres matar o bébé à nascença?
Aparelhos de Enfermeiro – Criar e dar

Hoje em dia, o enfermeiro é permanentemente criticado por aquilo que dizem ser ‘tentativa de ocupar as funções de outros profissionais de saúde’. Actualmente existem profissionais de saúde cuja existência e evolução profissional é, ainda, recente – falo de podologistas, analistas, fisioterapeutas, técnicos de cardiopneumologia, etc – todos têm em comum dois aspectos.
Todos estes grupos de neo-profissionais de saúde beberam os seus conhecimentos no campo alargado de actuação dos enfermeiros e todos, sem excepção, reclamam o facto de existirem enfermeiros especializados nas ‘suas’ áreas. Incomoda-me que se pense assim. Ou muito me engano, e seja assim esclareçam-me, ou todas estas novas profissões da saúde devem o nascer de grande parte do seu campo de competências à evolução científica e do cuidar dos enfermeiros.
Foram os enfermeiros a mão de obra exploratória e de desenvolvimento de muitos campos de actuação específicos da saúde! Ou minto?
Aqueles que fazem colheitas de sangue sabem que os enfermeiros o fazem desde sempre e continuam. Aqueles que fazem reabilitação sabem que os enfermeiros estudaram e desenvolveram essa reabilitação desde sempre e ainda hoje a fazem. Aqueles que fazem electrocardiogramas sabem que os enfermeiros desde sempre o fizeram e ainda hoje o fazem com o máximo de competência e, ora bem, também sabem interpretá-los. Podia alongar-me? Podia, mas não adianta, é um facto.
É um facto que os enfermeiros podem ser considerados o faz-tudo da saúde. Vantagem ou desvantagem – exitem prós e contras para as duas opiniões. Certo e unânime é que somos fazedores e dadores de muito conhecimento que agora nos dizem – ‘tentamos roubar!’
Digo-vos: Haja decoro.
Ler também:
Prata da casa (link) no Doutor Enfermeiro

