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Brincar com o fogo.
No capítulo Finanças Públicas e Desenvolvimento, sub-capítulo Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, ponto Florestas, página 48 do programa do XIX Governo Constitucional rezam assim os objectivos estratégicos (imagem adaptada):
Se continuarmos a leitura do documento alcançamos as medidas a executar para tais objectivos estratégicos, passo a citar:
Para garantir o equilíbrio do tecido florestal e combater o fraccionamento que leva ao seu abandono, o Governo compromete-se a promover o associativismo florestal, o emparcelamento funcional e a gestão colectiva. Nesse sentido, o Governo irá redinamizar as ZIFs (zonas de intervenção florestal) com consistência e atractividade. O Governo fará o indispensável cadastro florestal e empenhar-se-á na criação de um mecanismo de segurança e de gestão de riscos, com o apoio da União Europeia e em conjunto com as seguradoras, para reduzir substancialmente os riscos de incêndios florestais. O Governo assume como verdadeiras prioridades combater o declínio dos povoamentos suberícolas, bem como envidar todos os esforços para o combate ao nemátodo do pinheiro. O Governo empenhar-se-á no aproveitamento do PRODER para a floresta, actualmente com um grau de aproveitamento verdadeiramente residual.
Intui-se que para ‘quebrar o ciclo vicioso dos incêndios’ não necessitamos de nenhuma intervenção no sector do combate da responsabilidade dos bombeiros.
Continuando, temos na página 69 do referido documento o seguinte item relativo às medidas na área da Administração Interna:
Posto isto, temos que nem os bombeiros nem as florestas constituem uma prioridade para este governo. Os próximos quatro anos o dirão.
Profissionalização do sector? Aumento da componente profissional do dispositivo de combate a incêndios? Dotação dos corpos de bombeiros com equipas de intervenção permanente?
Nenhum deste pontos é efectivamente abordado. Os próximos quatro anos, na pior das hipóteses, serão mais do mesmo. O sector continua precário e o número de mortes resultantes do combate a incêndios florestais continuará a aumentar. A floresta continuará esquecida como recurso económico forte mas ostracizado.
Poderá ser uma novidade para muitos, uma vergonha para outros, um hábito para alguns. Os incêndios florestais, em Portugal, combatem-se na sua grande maioria por adolescentes ou jovens, estudantes e/ou desempregados, muitas vezes sem equipamento de protecção individual adequado e com formação escassa a título de voluntariado. Pior que isto, os responsáveis directos pelo sector estão-se marimbando já que são os únicos com condições adequadas para exercer o seu papel e aqueles a quem não imputadas responsabilidades pelos erros cometidos graças às terríveis condições atmosféricas que provocram mais uns milhares de hectares de terra queimada ou graças a condições mecânicas de um veículo que terão provocado um aparatoso acidente.
A relação custo-eficiência do sector é um autêntico escândalo mascarado. Se todos os bombeiros voluntários de Portugal recusassem prestar o trabalho voluntário enquanto não lhes fossem garantidas todas ‘as condições adequadas ao desempenho da sua actividade’ e cito o programa de Governo, nos próximos quatro anos não teríamos floresta.
Adenda:
No programa de Governo a palavra ‘bombeiros’ é referida tantas vezes quanto o é nesta frase. É precisamente aquela que está referida na segunda imagem (adaptação de excerto do programa).
Transporte de doentes
A história que a esquerda em Portugal por aí defende de um SNS tendencialmente gratuito e que apenas são pagas taxas moderadoras é falácia muito grande. Cada vez mais com os custos com medicamentos aumentam, quer para a população carenciada como para a população em geral.
Contudo, o que queria falar hoje tem a ver com os transportes de doentes não urgentes e os custos que isso acarreta para a população. O Despacho número 19264 do Secretário do Estado da Saúde Óscar Ramos condiciona em grande parte o acesso a cuidados de saúde pela população nomeadamente pelo seu transporte. Se isto, para alguns poderá significar pouco e dizem que apenas terá influência para a população dependente, há um conjunto da população que será muito prejudicada por este decreto.
Falo claro dos residentes no interior do país que têm de percorrer Quilómetros, quer pela distância aos cuidados mais diferenciados que precisam, quer pelos problemas associados à interioridade que o Governo não quis perceber quando divulgou este decreto-lei.
Dizer que o SNS é igual para todos é uma falácia, e quem mais sofre é quem se encontra no interior, o que vai contribuindo para um cada vez maior abandono destas regiões e que provocará ainda maiores assimetrias demográficas.
Por Luís Caldas no Plano de Cuidados (link).
Transcrevo a opinião de um colega, no Plano de Cuidados, com a convicção de que é realmente evidente que as políticas actuais, seja da saúde ou de qualquer outro sector, levam o país para um centralismo irremediável. No entanto, a culpa não será apenas da ‘esquerda’ ou do actual governo, com a direita teríamos mais do mesmo, ou pior. Nem tudo são más notícias. A gestão dos transportes de doentes foi efectivamente melhorada tanto ao nível do aproveitamento de recursos como da redução de despesa.
Novo administrador inémico
Miguel Oliveira já mostra trabalho. Depois de uma resposta corajosa às criticas apontadas ao Instituto recentemente, é notícia desta feita a utilização dos enfermeiros das SIV’s nas urgências dos centros de saúde onde as ambulâncias estão sediadas. Gestão de recursos, ora. Ainda bem e que falta que ela faz no nosso sector da saúde.
Previamente publicado no Plano de Cuidados (link).
[Imagem do Bombeiros de Portugal]
Presente
PRESENTE
Era isto que eu queria gritar agora. Até já camaradas. 80 anos de dedicação. Parabéns aos bombeiros de Canas de Senhorim.
Quanto a mim, 8 anos efectivos e 24 anos a correr nas veias. Tenho saudades dos tempos em que podia dar tudo para ir a correr ao toque de sirene. Até já, até já.
Cooperação
À primeira vista Nélson Monteiro, Pedro Rodrigues e Manuel Rodrigues poderiam ser simples turistas de passagem por Miranda do Corvo, mas a farda que exibem já deixa antever um propósito muito maior para a estadia no concelho. É que os três homens, que regressam amanhã ao seu município, na Ilha do Fogo, em Cabo-Verde, estiveram em Miranda durante este mês a aprender as noções básicas de funcionamento de uma corporação de bombeiros, para criarem a primeira associação humanitária de bombeiros em Santa Catarina do Fogo.A formação surgiu a partir da geminação de Miranda do Corvo com Santa Catarina do Fogo, que tem auxiliado o desenvolvimento daquele que é um dos municípios mais pobres de Cabo Verde, através de diversas iniciativas. «Estamos a falar de um concelho que não tem uma estrada alcatroada», explica Sérgio Seco, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Miranda do Corvo e vereador da Câmara Municipal, esclarecendo que a Câmara de Santa Catarina do Fogo «tem feito um trabalho estrondoso».Nelson, Pedro e Manuel têm agora a missão de implementar em Santa Catarina do Fogo a primeira corporação de bombeiros e não foram seleccionados ao acaso de entre cerca de cinco mil habitantes. «Foram escolhidos porque foram os líderes no combate ao incêndio que devastou Santa Catarina, foram eles que mobilizaram as pessoas para o combate e lideraram todo o processo», conta o comandante da corporação de Miranda, Fernando Jorge, a propósito do incêndio, em Março deste ano, que dizimou cerca de 60 hectares de pastagem e cultivo do município, cuja maior fonte de rendimento provém da agricultura.Partem amanhã para Santa CatarinaEm Miranda, desde meados de Novembro, os três cabo-verdianos têm aprendido de raiz como funciona uma corporação de bombeiros.«Tem sido uma formação básica, estamos a falar de pessoas que não sabiam o que era uma corporação», adianta Fernando Jorge, explicando que «eles partiram do zero».Apesar de não ser uma formação certificada, como esclarece o comandante dos Bombeiros de Miranda, os formadores são credenciados, pelo que os três jovens «já levam bons conhecimentos nesta primeira fase». E fala-se em primeira fase, porque os atrasos com os vistos dos três primeiros bombeiros de Santa Catarina do Fogo adiaram a formação, inicialmente prevista para Setembro, para este mês, impossibilitando os jovens de adquirir conhecimentos práticos ao nível do combate a incêndios, pelo que se pondera o regresso a Miranda, a fim de desenvolver esta componente.Visivelmente satisfeitos com os resultados desta temporada em terras lusas, Nelson Monteiro, Pedro Rodrigues e Manuel Rodrigues, fazem um balanço positivo da parceria entre os dois municípios. «Tem sido muito bom e Santa Catarina só tem a ganhar», assumiu Pedro Rodrigues, apontando para as várias áreas em desenvolvimento no município.Já no que respeita à missão que têm em mãos, o futuro bombeiro diz que o processo é «muito complicado». «Partimos de Cabo Verde para cá sem sabermos nada, quando chegámos a Portugal encontrámos uma realidade muito diferente», continua Pedro Rodrigues, assumindo que «neste momento já temos algum conhecimento e já sabemos como vai funcionar».No regresso a casa não estarão sozinhos, uma vez que os Bombeiros Voluntários de Miranda ofereceram aquela que será a primeira ambulância de Santa Catarina do Fogo. Um veículo que, explica Sérgio Seco, já não serve as necessidades dos bombeiros de Miranda, mas que será um precioso utensílio num município onde o socorro e o transporte de doentes são feitos «com o que há».Os três bombeiros de Santa Catarina já estão ansiosos por pôr mãos à obra e quando questionados sobre o que têm pela frente, afirmam, determinados, “é a nossa missão”. Para o comandante da corporação de Miranda, a escolha não poderia ter sido melhor. «Notei da parte deles grande interesse, podemos estar descansados no passar de conhecimentos, eles vão ter sucesso», concluiu Fernando Jorge.A estadia dos três cabo-verdianos foi assegurada pelos bombeiros de Miranda, com a cedência das instalações do quartel, sendo a alimentação garantida pela Câmara de Miranda e as viagens pela Câmara de Santa Catarina do Fogo. A autarquia colaborou ainda com a oferta da ambulância, assegurando o seu transporte, para a ilha do fogo, bem como a pintura, revisão e algumas reparações de que a viatura carecia.Miranda envia vacinas e outros medicamentosA ambulância que deverá chegar em breve a Santa Catarina do Fogo vai recheada com as primeiras ferramentas dos bombeiros do município de Cabo Verde, mas não só. É que além do equipamento completo da viatura de socorro e de equipamento pessoal para os primeiros elementos da corporação de bombeiros, o município conseguiu juntar uma série de medicamentos e vacinas para o centro de saúde local. Uma recolha, levada a cabo pelo enfermeiro José Taborda e pela médica e vereadora da Saúde da Câmara de Miranda, Carla Batista, que consubstancia cerca de 400 caixas de medicamentos, oferecidos por vários laboratórios.
11 de Setembro
O 11 de Setembro português ocorreu em Alcafache. A prestar homenagem e recordar ali (link).
À flor da pele.
Com os nervos.
O voluntariado é fundamental e é, sem margem para dúvidas, o maior veículo para a cidadania ativa e responsável. Do mesmo modo, o voluntariado não pode ser a única ou a principal forma de ação em nenhuma área de intervenção. Podia enumerar uma série de fragilidades que atingem o voluntariado, não acho que seja necessário.
Os bombeiros não são exceção. O modelo até aqui proposto está gasto e tem de ser alterado. Progressivamente sim, com rapidez por favor.
As associações de bombeiros voluntários devem continuar a existir e são fundamentais. Constituem o pilar da proteção civil e é nelas que devem ser implementadas as equipas profissionais de bombeiros. O futuro deve passar pela implementação de um número mínimo indispensável de equipas profissionais nas associações.
Não é concebível que um sem número de heróis continue a lutar contra a maré, exaustos e solitários. A vida tem um valor inexorável e nós continuamos a desvalorizá-la.
Para bom entendedor, meia palavra basta.
Resiliência
Precisamos de ter muita.
É incrível como de um momento para o outro uma óptima fase da nossa vida pode ser confrontada com os piores acontecimentos. Podia lamentar-me de mais um assalto, de um computador, de dois telemóveis, de danos causados, etc?
Não. Não posso.
Posso lamentar a perda de pessoas fantásticas. Ao Paulo e aos bombeiros que morreram em combate. Vocês fazem acreditar.
O rosto da destruição.
No DN de hoje, incêndio num gasoduto na China, não provocou vítimas mortais. Uma foto fantástica.

When satire becomes reality!
A TVI noticiou ontem que o INEM vai acabar com aquilo que o seu presidente classificou de serviço “dispendioso”: a ajuda, quer telefónica quer no terreno, a pessoas em tentativa de suicídio (bem como ainda às vítimas de violação e de maus-tratos). As ordens “de cima” são para poupar e o INEM poupará deste modo nos salários de 7 psicólogos, que atendiam, em média, 27 chamadas e saíam 5 vezes por semana para apoiar pessoas em estado de grande depressão e em vias de se suicidarem. Um cínico diria que os critérios de poupança do INEM se justificam inteiramente. Impedir alguém de se matar contribui, de facto, para o agravamento do défice, sendo, por isso, antipatriótico. Implica não só encargos com pessoal e meios como ainda obsta a que a Segurança Social poupe em pensões e subsídios, já que boa parte dos potenciais suicidas, quando não são doentes crónicos ou terminais que oneram o SNS, são provavelmente idosos, desempregados e beneficiários de Rendimento Social de Inserção, isto é, gente “inútil” e, pior, fardos que só atrasam a gloriosa marcha de Portugal em direcção aos 3% de défice em 2013.
No JN – ‘Viver e deixar morrer’ de Manuel António Pina.
