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Artigo publicado na edição n.º 151 do Jornal Canas de Senhorim
Escolas Promotoras de Saúde
“A escola desempenha um papel primordial no processo de aquisição de estilos de vida, que a intervenção da saúde escolar, dirigida ao grupo específico das crianças e dos jovens escolarizados, pode favorecer, ao mesmo tempo que complementa a prestação de cuidados personalizados.”
Cito o Plano Nacional de Saúde transato (2004-2010) como ponto de partida para este ‘+ Saúde’ importando, ainda, enquadrar o conceito de Escola Promotora de Saúde (EPS). A Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou, em 1999, o documento “Saúde para todos” (Health for all) onde definia metas para a saúde nos anos seguintes. A meta 13 prevê que em 2015, para contexto europeu, 50% das crianças que frequente o jardim de infância e 95% das que frequente a escola integrem estabelecimentos de educação e ensino promotores de saúde, definindo o conceito de EPS como aquela que inclui a educação para a saúde no currículo e possui atividades de saúde escolar.
Sendo, na minha opinião, um conceito redutor e facilmente alcançável ou, pelo menos, verificável sem que seja necessária a obtenção de ganhos em saúde quantificáveis, efetivos ou relevantes; é com insatisfação que constato que em Portugal, na generalidade e salvo projetos pontuais, a realização do conceito de EPS anda a uma velocidade reduzida mesmo quando, à priori, a estratégia deveria ser mais ambiciosa que o previsto.
Não obstante o esforço das equipas de saúde escolar dos cuidados de saúde primários, é evidente que muitas metas do plano nacional de saúde não foram cumpridas. Por inúmeras razões, sejam de escassez de recursos humanos, ausência de articulação entre as comunidades educativas e de saúde, insuficiente dotação financeira e técnica das equipas, entre outras.
Este quadro torna-se ainda mais negro com a emergência da crise económica global que afeta de um modo especial o nosso país e, obvia e infelizmente, terá repercussões no financiamento do nosso sistema de saúde. Os decisores políticos, de um modo geral, olham o futuro próximo ignorando as inegáveis vantagens de uma política sustentável de saúde para o futuro dos nossos filhos, ou seja, não permitem políticas que apenas dão frutos nas próximas gerações mesmo que essa seja a estratégia mais eficaz para combater as crescentes despesas da saúde no futuro.
De facto a componente curativa está sobrevalorizada em detrimento da preventiva porque a oferta de tratamento às pessoas configura já uma despesa aparentemente elevada e o investimento na prevenção não é economicamente valorizado. No entanto, se todos alargarmos o espectro temporal, concluimos que uma forte aposta na prevenção reduzirá, inevitavelmente, os custos em tratamento de doenças e, a longo prazo, o custo global dos sistemas de saúde.
Os programas de saúde escolar podem ser dos melhores investimentos, senão o melhor, considerando o custo-benefício e o simultâneo desenvolvimento da educação e da saúde, que um país pode encetar.
Em consonância com a OMS existem uma série de acontecimentos evitáveis com estratégias de saúde escolar e promoção da saúde infantojuvenil, dos quais destaco:
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A deficiência de vitamina A que é a maior causa de cegueira infantil evitável;
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A deficiência de iodo é a causa mais comum evitável de deficiência mental e lesão cerebral em crianças;
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A lesão traumática é a principal causa de morte e invalidez entre os jovens em idade escolar;
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Um em cada dois jovens que começam e continuam a fumar morrerá com doenças relacionadas com o fumo;
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Em todo o mundo, 5% de todas as mortes de jovens entre as idades de 15 e 29 anos são atribuíveis ao consumo de álcool;
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Em alguns países, até 60% de todas as novas infeções por HIV ocorrem entre os 15-24 anos;
Apesar de características específicas, em contexto nacional, regional e local, que podem alterar a prevalência das situações acima referidas ou incluir outras não mencionadas, certo é que a intervenção sustentada e direta em meio escolar previne o aparecimento e promove a deteção precoce e tratamento de doenças.
Se a deteção precoce é fundamental para o tratamento eficaz de determinadas doenças a prevenção de doenças é, de igual modo, fundamental para reduzir as principais causas de morte prematura e doença incapacitante.
Atualmente, as principais causas de morte, doença ou invalidez (como a doença cardiovascular, cancro, doenças pulmonares crónicas, depressão, violência, abuso de drogas, lesões, deficiências nutricionais, HIV/SIDA e infeções sexualmente transmissíveis) podem ser significativamente reduzidas através da redução de seis tipos de comportamento inter-relacionados, que são iniciados durante a juventude – o consumo de tabaco, comportamentos violentos, uso de álcool e substâncias, práticas alimentares e de higiene que causam a doença, estilo de vida sedentário e comportamento sexual desinformado e desprotegido que causa a gravidez indesejada e doenças ou infeções associadas.
Por tudo isto, urge alterar o modelo de saúde – largamente assente na prestação de cuidados curativos e paliativos – centralizando-o na prevenção e constituindo a escola o pilar essencial à construção e manutenção da saúde. Assim contribuiremos, em grande medida, para a prosperidade da população garantindo o empowerment necessário à proteção da saúde do cidadão.
O conceito de Escola Promotora de Saúde implica a criação de um ambiente escolar seguro para viver, aprender e trabalhar; o envolvimento de todos, incluindo a comunidade escolar, as associações locais e regionais, as associações de pais e encarregados de educação, as instituições de saúde e as autarquias com vista à conversão da escola no espaço ideal de responsabilização pela saúde e prevenção da doença nas comunidades.
Importa criar mecanismos de intervenção na sociedade a partir da escola desenvolvendo a consciencialização para a promoção da saúde, desenvolver projetos e programas de saúde, prevenção de acidentes e promoção de uma cultura de segurança, garantir uma nutrição e alimentação saudável com restrições a alimentos menos saudáveis ou nocivos em contexto escolar, criar gabinetes de apoio e aconselhamento social, promoção da saúde mental, prevenção e correção de comportamentos de risco com enfoque na reconversão ao invés da punição, bem como, detetar casos de vulnerabilidade social e/ou crianças/jovens em risco.
As EPS’s devem focar-se na promoção do cuidar de si e dos outros, na tomada de decisões saudáveis e controlo das circunstâncias da vida, criação de condições favoráveis à saúde (políticas, serviços, condições físicas e sociais), manutenção de um ambiente de paz, abrigo, educação, alimentação, equidade, justiça social e desenvolvimento sustentável e, como já referi, impedir as principais causas de morte, doença e incapacidade influenciando comportamentos relacionados com a saúde (conhecimentos, crenças, habilidades, atitudes, valores e apoios).
Tudo isto está pensado, tudo isto foi discutido, tudo isto foi comprovado. Resta combater os obstáculos à implementação e desenvolvimento deste paradigma da saúde e, para isso, todos podemos e devemos contribuir.
[Escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.]
Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.
Daniel Rodrigues
+ Saúde 21

Artigo publicado na edição n.º 150 do Jornal Canas de Senhorim
Doença Cardiovasculares
Por quê falar de doenças cardiovasculares?
Consagrado pela Fundação Portuguesa de Cardiologia, maio é o mês do coração. Antes de ecoar o alarme é tempo de prevenção porque não existe cliché tão certo quanto aquele que reza “prevenir é o melhor remédio”.
As doenças cardiovasculares – doenças do coração e/ou dos vasos sanguíneos – representam a principal causa de morte no nosso país e são uma importante causa de incapacidade. Entre as doenças cardiovasculares destacam-se, pela incapacidade que delas advém, o enfarte agudo do miocárdio, o acidente vascular cerebral, as arritmias e a insuficiência cardíaca.
Sendo, todas elas, graves e potencialmente fatais é interessante constatar que têm algo em comum, para além de pertencerem ao grupo das doenças cardiovasculares também possuem semelhantes grupos e fatores de risco. Existem fatores de risco controláveis (aqueles que podemos combater) e fatores de risco não-controláveis (como idade, sexo, doenças congénitas, predisposição genética, etc). Vou cingir-me aos fatores controláveis.
Assim vejamos, os principais fatores de risco controláveis para:
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Enfarte agudo do miocárdio: Colesterol alto, Hipertensão arterial, Tabagismo, Obesidade, Sedentarismo, Diabetes Mellitus e Apneia do Sono.
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Acidente Vascular Cerebral: Tabagismo, Colesterol, Hipertensão arterial, Obesidade.
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Arritmias: Hipertensão arterial, Consumo abusivo de álcool, Consumo de drogas, Apneia do sono, Diabetes mellitus, Obesidade, Consumo exagerado de cafeína.
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Insuficiência Cardíaca: Apneia do sono, Diabetes Mellitus, Hipertensão arterial, Sedentarismo.
Todos estes fatores estão essencialmente ligados ao nosso estilo de vida individual e ao modo de vida atual. É verdade, não foi lapso, podem constatar que os fatores de risco das doenças cardiovasculares são comuns a todas elas na generalidade. Então será difícil concentrar esforços no combate a estas doenças? Creio que não.
Façamos o seguinte exercício.
1.º – Isolamos os fatores de risco controláveis mais importantes de entre aqueles que descrevi acima. Ficamos com o Tabagismo, o Colesterol elevado, a Hipertensão arterial, a Diabetes Mellitus e a Obesidade e, por fim, o Sedentarismo.
2.º – Enunciamos uma medida de prevenção para cada um dos fatores de risco descritos acima. Respetivamente, ficamos com as seguintes medidas – diminuir o consumo de tabaco ou deixar de fumar; efetuar uma dieta pobre em gorduras e preferir carnes brancas; diminuir o consumo de sal; diminuir o consumo de açúcares e gorduras; efetuar exercício físico regularmente.
3.º – Verificamos todas as medidas enunciadas :
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Diminuir o consumo de tabaco ou deixar de fumar;
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Efetuar uma dieta pobre em gorduras e preferir carnes brancas;
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Diminuir o consumo de sal;
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Diminuir o consumo de açúcares e gorduras;
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Efetuar exercício físico regularmente;
4.º – Constatamos que prevenir doenças cardiovasculares é algo acessível a todos nós e pensamos que o esforço para cumprir estas medidas é demasiado pequeno quando comparado com a incapacidade e sofrimento a que podemos estar sujeitos caso ocorra alguma destas doenças.
Após este raciocínio, tão pragmático quanto eficaz, importa esclarecer-vos quanto a alguns sintomas que são autênticos sinais de alerta para a doença cardiovascular.
Se subitamente sentir falta de força num braço, boca ao lado e dificuldade em falar pode estar a sofrer um acidente vascular cerebral. Por outro lado, se subitamente sentir uma dor forte no peito que irradia para os braços, pescoço ou costas e que não agrava ou alivia com a posição do corpo ou com a respiração; se sente mal-estar, suores frios, náuseas ou vómitos pode estar a sofrer um enfarte do miocárdio, sendo que este ocorre normalmente em repouso.
Em qualquer destas situações não hesite, ligue 112 sem perder tempo – nestas situações o tempo significa vida e qualidade de vida. Vamos preservar aquele que é o nosso maior e melhor bem – a vida – sem ele não teremos qualquer outro.
[Escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.]
Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.
Daniel Rodrigues
+ Saúde 20

Artigo publicado na edição n.º 149 do Jornal Canas de Senhorim
Acidente Vascular Cerebral
“Acidente Vascular Cerebral cada vez mais em gente jovem”. “A cada 30 minutos morre um português vítima de AVC”. “Uma em cada seis pessoas terá um AVC ao longo da vida. Pode ser você.”
São frases que porventura farão parte do seu quotidiano ou deveriam fazer. Títulos, manchetes e lemas serão sempre escassos para a prevenção do Acidente Vascular Cerebral (AVC).
No passado dia 31 de março assinalou-se o Dia Nacional do Doente com AVC. Importa lembrar que o AVC é… nada mais nada menos que a principal causa de morte em Portugal.
O AVC acontece quando as células cerebrais morrem ou deixam de funcionar normalmente porque lhes falta o oxigénio e os nutrientes por bloqueio do fluxo de sangue, ou porque uma artéria se rompe. Como o cérebro controla as funções corporais em áreas específicas, se o AVC afetar a área que controla os movimentos do corpo do lado direito, esse lado do corpo vai ficar paralisado. Além disso, é no cérebro que se processa o controlo de ações nobres como comunicar, sentir, pensar, as quais também podem ficar afetadas.
Existem vários tipos de AVC, o que é irrelevante para a prevenção dos mesmos e é nesse ponto que vou debruçar-me. Antes de mais quero salientar quais os sinais de alerta de AVC. Boca ao lado, perda de força no braço e dificuldade em falar, constituem um quadro alarmante, nesse sentido sempre que verifique esta situação deve imediatamente contactar o 112.
Os efeitos do AVC podem ser nefastos. Sabemos que dependem da parte do cérebro que ficou afetada, da gravidade da lesão, do estado geral de saúde na altura e da possibilidade de tratamento emergente. Quanto maior for a área cerebral afetada – lembrem-se que ela aumenta quanto maior for o tempo entre o início do AVC e a prestação de cuidados emergente – pior o prognóstico, visto que pode ocorrer o atingimento de áreas vitais no cérebro; a situação é ainda mais grave quando associadas complicações: pneumonias ou outras infeções, embolias noutros locais, arritmias cardíacas. Tudo isto pode terminar em morte da pessoa.
Para prevenir a primeira vez o essencial é ter um estilo de vida saudável, com exercício físico regular, uma alimentação equilibrada, pobre em sal, açucares e gorduras saturadas, mantendo peso adequado, consumir álcool apenas de forma ligeira, não fumar. Deve procurar o seu médico de família para vigiar e controlar regularmente a tensão arterial, a diabetes, o colesterol e o ritmo cardíaco, com a realização de eletrocardiograma.
Por outro lado, para prevenir a recorrência recomenda-se manter os cuidados que referi acima e também, se o AVC for isquémico, tomar antiagregante plaquetário, como o ácido acetilsalicílico, ou outros que o seu médico aconselhar (para que seja mais difícil a formação de trombos), em algumas situações, como nas arritmias cardíacas, é necessário tomar um anticoagulante, como a varfarina, para evitar a formação de coágulos. Pode estar indicado tratar estenoses (apertos) nas artérias que vão para o cérebro, como as carótidas, para facilitar a circulação e evitar que se soltem pequenos êmbolos dessas zonas mais apertadas.
Alguns conselhos para uma atuação eficaz quando presenciar um AVC.
Se observar alguém que, de forma súbita, fica com a boca ao lado, menos força num braço, dificuldade em falar ou em ver para um dos lados, deve deitá-lo de lado, certificando-se que respira bem, ligue 112 e calmamente responda às perguntas que lhe forem colocadas. Deve referir a hora exata em que ocorreu, obter os dados possíveis sobre a história médica da pessoa: a presença de outras doenças, os hábitos (tabágicos, alcoólicos e alimentares) e medicação habitual, etc.
É extremamente importante identificar estas situações o mais brevemente possível. Atualmente, o sistema de emergência médica tem em funcionamento a Via Verde do AVC, este sistema permite que quando um AVC é detetado pode ser encaminhado o mais rapidamente possível para um centro de tratamento específico e adequado ao caso, melhorando consideravelmente o prognóstico da situação.
Falemos um pouco na reabilitação de um AVC.
Após a fase aguda inicia-se o processo de reabilitação que inclui a participação de vários profissionais de saúde (enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, etc) com vista ao restabelecimento na melhores condições das capacidades motoras, físicas, nutricionais e psíquicas do doente.
Neste capítulo é fundamental a cooperação do doente e familiares, com doses acrescidas de paciência e determinação. O doente com AVC deve ser estimulado continuamente para reintegrar a vida familiar, social e profissional, ainda que com limitações. Pode ser necessário, por exemplo, adaptar a casa de banho, mudar o quarto de dormir para o andar de baixo, passar a usar calçado que aperte com velcro (em vez de cordões), calças com elástico na cintura (em vez de fecho), camisas com molas (em vez de botões).
Agora resta-nos lutar contra a estatística.
[Escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.]
Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.
Daniel Rodrigues
+ Saúde 19

Artigo publicado na edição n.º 148 do Jornal Canas de Senhorim
Medicamentos à base de plantas ou homeopáticos
O objetivo ao abordar este tema é, principalmente, esclarecer a diferença entre os medicamentos homeopáticos e os medicamentos à base de plantas, passando pela informação necessária ao consumidor e concluindo com a minha perspetiva pessoal.
Passo a explicar. Um medicamento homeopático é um medicamento obtido a partir de substâncias ou matérias-primas homeopáticas, estas podem ser animais ou vegetais. O conceito, em termos vulgares, passa pela administração de uma substância radicalmente diluída que provocará os mesmos sintomas à pessoa que aqueles de que ela já padece anteriormente graças à sua doença. Isto com o objetivo de reforçar os mecanismos de defesa da pessoa com vista à resolução da doença.
A homeopatia, no nosso país, não é considerada uma especialidade médica e não é reconhecida como tal na generalidade do panorama mundial. Neste contexto, torna-se alvo de muita contestação, em primeiro lugar, porque a substância ativa é tão diluída que a sua ação será infíma, em segundo lugar, visto que não há evidência científica de que seja um método eficaz.
A única evidência existente é a de que pode funcionar como um placebo vulgar, deste modo, a sua ação não deriva da substância ativa em si mas sim da perceção de tratamento que a pessoa usufrui, podendo assim alcançar alguns resultados positivos.
Posto isto, a sua existência obrigou à construção de normas para a respetiva autorização. Os medicamentos homeopáticos devem, assim, ser obtidos de acordo com um processo de fabrico descrito na farmacopeia europeia, ou na sua falta, em farmacopeia utilizada de modo oficial num Estado-membro, e que pode ter vários princípios.
Deste modo, a legislação existente, cujo cumprimento é regulado pelo Infarmed, visa garantir a qualidade e a segurança de utilização dos medicamentos homeopáticos, salvaguardando a saúde pública e assegurando aos utilizadores o fornecimento de informações claras sobre o seu caráter homeopático e a sua inocuidade.
Um medicamento à base de plantas é, por seu lado, um produto farmacológico cuja preparação deriva da utilização de diferentes substâncias de origem vegetal, na sua grande maioria, de forma tradicional ao contrário daqueles que existem já no mercado que, mesmo sendo constituídos por plantas ou preparações à base de plantas, foram autorizados ao abrigo do uso clínico bem estabelecido.
Dada a crescente utilização deste tipo de produtos houve, de igual modo, a necessidade de criar normas específicas para que a maioria destes produtos conseguisse cumprir os requisitos mínimos de eficácia e segurança, iguais aos que devem demonstrar os restantes medicamentos para obterem uma autorização de introdução no mercado.
Um medicamento tradicional à base de plantas, de acordo com a respetiva definição é concebido para ser utilizado sem a vigilância de um médico pelo que, tal como os outros medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM), poderá ser vendido em Farmácias e em estabelecimentos de venda de MNSRM.
A utilização destes produtos decorre de uma convicção pessoal e a evidência científica dos benefícios que os mesmos oferecem é, no mínimo, questionável. Aconselho a procura de um médico ou outro profissional de saúde reconhecido antes de iniciar um ‘tratamento’ com estes produtos.
Saiba que antes de qualquer pílula, é na alimentação saudável e na aquisição de estilos de vida saudáveis que residem os alicerces da saúde.
[Escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.]
Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.
Daniel Rodrigues
+ Saúde 18

Artigo publicado na edição n.º 147 do Jornal Canas de Senhorim
Doenças Raras
As doenças raras, apesar de raras, merecem destaque. Não só por serem doenças como por serem graves, normalmente associadas a alterações genéticas e, muitas vezes, sem um tratamento específico.
Normalmente afetam um pequeno número de pessoas, por exemplo na Europa, uma doença é considerada rara quando afeta uma em duas mil pessoas. Torna-se uma definição conjuntural porque depende do período de tempo e do espaço geográfico em causa, ou seja, a sida já foi uma doença rara e hoje não o é, tal como certas doenças podem ser raras em Portugal e não em Espanha, ou em África e não na Europa.
Contabilizam-se cerca de sete mil doenças raras e estima-se o aparecimento de cinco novas doenças por semana, só na União Europeia. A maioria delas está associada a uma alteração genética, perto de 80 por cento, e as restantes ocorrem associadas a infeções (bacterianas ou virais), alergias e/ou decorrentes de atividade profissional.
Geralmente, sublinho geralmente pois cada caso pode ter as suas características singulares, as doenças raras manifestam-se na vida adulta; são crónicas, graves e degenerativas e apresentam uma enorme panóplia de distúrbios e sintomas variáveis tanto de doença para doença como de doente para doente. Incapacitam o indivíduo portador nas suas atividades de vida com maior ou menor grau de comprometimento, afetando diretamente a sua qualidade de vida. Como se isto não chegasse, o défice de conhecimentos médicos e científicos relativo a estas doenças é preocupante e muitas delas não têm um tratamento específico, implicando um sofrimento atroz para os doentes e famílias.
Entre os problemas mais comuns que os doentes têm de enfrentar estão as dificuldades de inserção profissional, dificuldade no tratamento e aconselhamento pela escassez de informação médica relativa a estes transtornos, vulnerabilidade psicológica muitas vezes associada a exclusão social e associação com deficiências mentais, motoras e físicas, bem como a inexistência de legislação que defenda os seus direitos.
Para o tratamento de doenças raras são desenvolvidos, ao abrigo de legislação específica de apoio e promoção à investigação, medicamentos orfãos. Designados deste modo porque, em condições normais de mercado, a indústria farmacêutica tem pouco interesse no desenvolvimento dos mesmos para o pequeno número de doentes afetados por cada doença. Assim torna-se ainda mais difícil definir tratamentos eficazes para estas doenças.
À data que escrevo a SIC transmite um novo programa intitulado ‘Ficheiros Médicos’ e – boa surpresa – o Daniel – o menino que conheço dos bombeiros, filho de uma bombeira da corporação é o protagonista. O Daniel sofre de uma doença rara – o Síndrome de Tourette – e todos os medicamentos falharam, felizmente uma intervenção cirúrgica inovadora fez renascer a esperança. O Daniel e a Marlene são um exemplo de força e inspiração, graças a eles também o SNS deu mais um passo na sua afirmação como um dos melhores sistemas de saúde mundiais.
Por fim, deixo-vos alguns sítios da internet onde podem encontrar informação adicional acerca das doenças raras. Em www.rarissimas.pt podem aceder à Associação Rarissimas, criada em 2002, esta associação tem sofrido um desenvolvimento notável e concretizado um excelente trabalho no apoio às pessoas que sofrem de doenças raras. Também em www.orpha.net pode encontrar o portal europeu das doenças raras e dos medicamentos orfãos com toda a informação quanto a estas doenças.
Daniel Rodrigues
+ Saúde 17

Artigo publicado na edição n.º 146 do Jornal Canas de Senhorim
Esquizofrenia
Segundo o dicionário Priberam online, a Esquizofrenia é uma “doença mental complexa, caracterizada, por exemplo, pela incoerência mental, personalidade dissociada e rutura de contacto com o mundo exterior.”
Começo propositadamente por transcrever esta definição de esquizofrenia, acessível em qualquer dicionário, com maior ou menor semelhança. Esquizofrenia é isto, uma doença mental.
Ser pessoa portadora de uma doença mental é isso mesmo, ser pessoa. Como qualquer um, os indivíduos portadores de doença mental não são ‘doidos’, não são ‘possuídos pelo demónio’, não são bruxos nem feiticeiros.
Longe vão os tempos onde reinavam esses conceitos misticos e religiosos, mas longos foram esses tempos, em que por ignorância científica se alienavam os doentes mentais, em que a inquisição promovia uma perseguição impiedosa aos seus portadores, enfim, tempos em que as pessoas com doença mental não eram pessoas aos olhos da sociedade.
A evolução das ciências da saúde permitiu-nos derrubar esses conceitos e transformar a vida dos portadores de doenças mentais, especificamente dos esquizofrénicos, numa vida comum, com qualidade, interação social, reabilitação e, muitas vezes, reinserção social.
No entanto há muito a fazer… ainda!
Não podemos continuar a discriminar estas pessoas, a sensibilidade social e a informação deve ser massificada e o desenvolvimento de projetos de suporte e apoio ao doente mental proliferar. A sociedade civil pode ter um papel ainda mais importante que o Estado – aquele que agora corta cega e radicalmente nas despesas da saúde -, é no seio da sociedade que deve nascer uma abertura e consciencialização fundamentais para a realidade das doenças mentais.
Assumir que as doenças mentais são uma realidade; assumir que podemos sofrer de uma doença mental em qualquer período da nossa vida, procurar apoio médico, reconhecer alterações nos nossos processos de pensamento e atividades de vida, perceber as críticas dos outros, são passos inevitáveis para uma reabilitação eficaz e despreconceituosa.
Se assim é para o indivíduo portador, para as pessoas que lidam com alguém aparentemente portador de doença mental é necessário esquecer estereótipos e preconceitos e ajudar a pessoa a procurar apoio, é urgente criticar construtiva e não destrutivamente essa pessoa que está num período crítico. Devemos atender ao facto de que uma pessoa ao encetar ações ou comportamentos anormais pode estar efetivamente com uma perturbação mental e não, apenas e só, a cometer um ato de loucura pontual ou derivado de uma alteração de personalidade.
Posto isto, falemos da Esquizofrenia em si.
É uma das doenças mentais mais graves e importantes, afeta um elevado número de pessoas, está identificada em todo o mundo e atinge todas as classes, raças e etnias.
A nível mundial, a incidência anual da esquizofrenia ronda os 15 por cada 100 000 habitantes e tem uma prevalência de 4,5 por cada 1000 habitantes sendo o risco de a desenvolver ao longo da vida cerca de 0,7%.
A esquizofrenia é uma doença complexa, não existindo uma causa única mas sim várias que concorrem entre si. Desde um quadro psicológico suscetível ao ambiente, histórico familiar da doença e de outros transtornos mentais; e recentemente, tem-se admitido a possibilidade de uso de substâncias psicoativas ser responsável pelo desencadeamento de surtos de quadros psicóticos.
A esquizofrenia caracteriza-se por alterações do pensamento, alucinações (ver, ouvir, sentir coisas irreais), delírios (convicções erradas da realidade, pensar no irreal como real), entre outros.
Devo salientar que os sintomas de esquizofrenia podem ser diferentes de pessoa para pessoa e podem manifestar-se gradualmente ou, pelo contrário, de uma forma abrupta e instantânea.
Habitualmente dividimos os sintomas da esquizofrenia em duas grandes categorias: sintomas positivos e sintomas negativos. Desta forma, os sintomas positivos estão presentes maioritariamente na fase aguda, sendo as ideias delirantes – os pensamentos irreais – e as alucinações – perceções irreais – os mais marcantes, associados a alterações de comportamento, ansiedade, impulsividade e agressividade. Por sua vez, os sintomas negativos derivam da perda das capacidades mentais no decorrer da evolução natural da doença, tais como o défice de motivação, emoção, pensamento e relações interpessoais manifestados como défice de iniciativa, isolamento social, apatia, indiferença e pobreza de pensamento.
A esquizofrenia pode dividir-se em vários tipos. Atualmente, é classificada em:
Esquizofrenia paranoide, onde predominam os sintomas positivos, é mais facilmente identificada pois o doente pode sentir-se perseguido, apresentar comportamentos maníacos (como a obsessão pela limpeza e/ou organização) bem como, comportamentos auto e heteroagressivos.
Esquizofrenia desorganizada, onde os sintomas afetivos e as alterações do pensamento predominam, onde as ideias delirantes estão presentes mas não organizadas, sendo menos credíveis.
Esquizofrenia do tipo catatónico, caracterizada pelo sinais motores e por alterações da atividade, desde o cansaço, à imobilização até à excitação e hiperatividade.
Esquizofrenia do tipo indiferenciado, habitualmente com um desenvolvimento gradual, pautado pelo isolamento social marcado e diminuição no desempenho laboral e intelectual associado a uma certa apatia e indiferença relativamente ao ambiente que o rodeia.
E, por fim, a esquizofrenia do tipo residual, onde os sintomas negativos imperam, os doentes apresentam um isolamento social caracterizado pelo embotamento afetivo e uma pobreza do conteúdo do pensamento.
Para terminar ressalvo, em jeito de síntese, que o tratamento desta doença é essencialmente farmacológico, associado à psicoterapia e ao suporte dado pelos profissionais de saúde para a manutenção/correção de hábitos e atividades de vida diária e promoção da inclusão social.
Muito há para dizer quanto a este distúrbio mas não devo alongar-me mais. Qualquer questão que ache pertinente por favor queira partilhar.
[Escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.]
Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.
Daniel Rodrigues
+ Saúde 16

Artigo publicado na edição n.º 145 do Jornal Canas de Senhorim
Doenças do Trabalho
Este mês irei falar-vos das lesões musculoesqueléticas ligadas ao trabalho, vulgarmente designadas de doenças do trabalho. Estas são um conjunto de diversas patologias, que se sobrepõem, na sua maioria, às doenças reumáticas, mas que diferem destas por incluírem algumas situações de lesões ósseas e articulares e, implicitamente, por apresentarem, na sua origem, fatores de risco de natureza ocupacional.
Estas doenças são a maior ‘dor de cabeça’ da medicina do trabalho e saúde ocupacional.
Lesões dos nervos, lesões vertebro-medulares, lesões neuro-vasculares, enfim… uma panóplia de lesões que decorrem de trabalho excessivo ou trabalho executado de uma forma inadequada.
Em tempos de crise, achei pertinente trazer-vos este tema. As dificuldades económicas fazem sentir-se em toda a sociedade. O stress laboral e a carga física estão muitas vezes aumentados e tendem a agravar-se. À falta de motivação para o trabalho, decorrente da diminuição de salários, junta-se a pressão cada vez maior da entidade patronal para a obtenção de resultados.
Será essa uma estratégia correta?
A pressão leva a um trabalho forçado mas pouco eficaz, por sua vez, o trabalho forçado leva a doenças ligadas ao trabalho e, por fim, temos altas taxas de absentismo laboral. Não é, decerto, uma estratégia correta. Para garantir resultados prósperos é necessário garantir a saúde e bem-estar dos trabalhadores.
Importa refletir.
Entre os fatores de risco para as doenças ligadas ao trabalho podemos enumerar os de causa ergonómica, os de causa organizacional e os de risco individual. Movimentos repetitivos que requerem força, força de preensão e carga palmar, stress mecânico, vibrações e temperaturas extremas e/ou posições desadequadas que podem decorrer do equipamento mal desenhado, das ferramentas ou do posto de trabalho; são alguns dos fatores de risco ergonómicos. Entre os fatores de risco organizacionais destaco as horas e ritmos de trabalho excessivos, trabalho com ritmo externo imposto, pausas e descanso insuficientes e/ou monitorização excessiva, por exemplo, com câmaras de vídeo. Por fim, os fatores de risco individuais, tais como, o tabagismo, a ingestão de bebidas alcoólicas em excesso e a obesidade.
Para prevenir estas lesões devemos incidir sobre o indivíduo e o seu local de trabalho, através da adaptação do posto de trabalho e das ferramentas, da implementação de mecanismos compensatórios da repetitividade de movimentos, vibrações e posturas inadequadas. Em certos casos, há um elevado número de recaídas, pelo que deve ser equacionada a reconversão laboral do trabalhador.
Os sintomas destas doenças coincidem, em geral, com os das doenças reumáticas periarticulares. Não há um tratamento universal e não há evidência científica sobre qual é a abordagem mais eficaz. Os objetivos do tratamento resumem-se essencialmente ao alívio da dor e à redução da incapacidade.
Nos tempos que correm, o aumento da carga laboral, a redução de honorários e consequente procura de empregos mais rentáveis ou de empregos duplos, o próprio desemprego prolongado e as fracas condições de estabilidade garantidas pelo mercado, são causas comuns a estas e a outras doenças, que afetam a saúde mental das pessoas, tornando as condições de trabalho num verdadeiro desafio global para a saúde pública.
Olhe por si e pelos outros.
Termino com votos de um Natal acolhedor, se possível, no seio da vossa família. Quanto ao próximo ano, bem… pior que 2010 será difícil. Vemo-nos em 2011.
[Escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.]
Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.
Daniel Rodrigues
+ Saúde 15

Artigo publicado na edição n.º 144 do Jornal Canas de Senhorim
Artrite Idiopática Juvenil
Porque as artrites não são uma condição unicamente associada à idade, não só os adultos e idosos são atingidos por elas, saiba que a artrite idiopática juvenil é a mais comum nas crianças e jovens. Diz-se idiopática por não ter uma causa conhecida, esta patologia pode comprometer o desenvolvimento adequado das crianças e causar sérios transtornos no seu modo de vida.
Sendo a artrite a ‘inflamação de uma articulação’, pode ter causas muito variadas e desenvolver-se por períodos inferiores ou superiores a seis semanas – variável que determina a cronicidade da mesma.
Esta doença pode dividir-se em vários tipos, maioritariamente de acordo com a presença de febre ou não e com o número de articulações que atinge. O tipo mais comum de artrite idiopática juvenil é a oligoarticular, ou seja, aquela que envolve até quatro articulações nos primeiros seis meses de doença.
As raparigas são geralmente afetadas duas vezes mais que os rapazes, cerca de 40% dos casos desta patologia iniciam-se antes dos cinco anos de idade e apenas 15% antes dos 24 meses de vida.
É importante divulgar e alertar as pessoas para esta patologia, a artrite idiopática juvenil pode afetar e limitar consideravelmente o desenvolvimento de uma criança daí que seja necessário um diagnóstico precoce e um tratamento eficaz.
Para um diagnóstico precoce eficaz atente no que escrevo a seguir. Por norma as inflamações doem e as artrites não são exceção. Contudo as crianças muito jovens são incapazes de referir a dor e caracterizá-la com clareza. Assim os pais, educadores e/ou professores devem estar atentos a alguns sinais vulgares neste tipo de casos.
Evitar usar o membro envolvido e não esticar ou fletir por completo a articulação afetada são alguns desses sinais. Existe também um ritmo de queixas que caracteriza um padrão inflamatório – sempre que o descanso agrava as limitações articulares da criança e que se note uma melhoria após a hora de almoço para se agravar novamente na manhã seguinte, logo ao acordar – quando este padrão se verifica deve procurar-se aconselhamento médico com brevidade.
O tratamento desta patologia é variado mas com uma base farmacológica sendo os anti-inflamatórios não esteroides e os corticoides os fármacos mais utilizados. É importante que as crianças sejam cuidadas numa fase precoce da doença por médicos especialistas para que possam levar uma vida quase normal e com poucas limitações.
Para mais informações contacte a ‘Associação Nacional de Doentes com Artrites e outros Reumatismos na Infância’ em www.andai.org.pt
[Escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.]
Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.
Daniel Rodrigues
+ Saúde 14

Artigo publicado na edição n.º 143 do Jornal Canas de Senhorim
Cancro da Mama
Nesta edição farei a abordagem a uma condição eminentemente drástica na vida das mulheres. O cancro da mama. Uma condição a que qualquer mulher pode vir a ser sujeita é de todo relevante e carece de discussão. Digo condição e não doença, patologia ou transtorno, com o intuito de relevar todo o conjunto de fatores individuais, biológicos ou não, fatores sociais e ambientais, e até fatores profissionais diretamente afetados por esta patologia.
Com particular destaque para um fim, muitas vezes inevitável, a mastectomia (vulgo extração da mama). A mastectomia, por si só, não menosprezando todas as fragilidades e perturbações causadas pelo cancro da mama, é causadora de um sem número de problemas na vida das mulheres no rescaldo da luta contra o cancro da mama. Sejam questões estéticas apenas e no princípio, transformam-se em distúrbios mentais, problemas relacionados com o trabalho (especialmente em trabalhos onde a questão estética é valorizada, em alguns casos essencial). Toda esta realidade pode tornar a vida de uma mulher um caos e abalar toda a sua estrutura, seja familiar, profissional e/ou social.
Se isto acontece à posteriori, temos de mudar alguma coisa à priori. É na prevenção que temos de atuar, é na sensibilização que temos de apostar. Existem ainda muitas questões de cariz sexual relacionadas com a prevenção e diagnóstico precoce desta e doutras patologias que comprometem a eficácia e multiplicação do diagnóstico precoce graças a preconceitos estabelecidos que importa derrotar.
O diagnóstico precoce do cancro da mama é fundamental, pois aumenta as hipóteses de cura. Evita que o cancro se espalhe para outras partes do corpo, favorecendo o prognóstico, a recuperação e a reabilitação. Para isto é importante que as mulheres façam o autoexame das mamas mensalmente, após o período menstrual; consultem um ginecologista uma vez por ano; e participem em programas de rastreio.
As mulheres devem tomar consciência desta necessidade, devem esquecer os preconceitos sexuais porventura associados à palpação da mama e ao aconselhamento médico acerca de patologias relacionadas com órgãos de cariz sexual. Tudo isto é ridículo quando comparado com os grandes problemas que podem advir de um diagnóstico tardio do cancro da mama, em particular, e de outras patologias, de um modo geral (a título de exemplo, estas barreiras também devem ser ultrapassadas no combate ao cancro do colo do útero, entre outros).
Saiba que o cancro da mama apresenta-se como uma massa dura e irregular que, quando palpada, se diferencia do resto da mama pela sua consistência. Recorrendo ao apanágio, ‘prevenir é o melhor remédio’. Nada tão certo quanto isso.
Porventura já repararam que, nesta edição, não optei pela abordagem comum às patologias. Não falarei acerca da caracterização da doença, o seu diagnóstico, o seu tratamento, entre outros elementos; aos quais costumo dedicar este espaço. Isso é trabalho seu.
Procure, aprenda, conheça.
Consulte os profissionais de saúde próximos de si, sejam familiares e/ou amigos, pode começar por eles e posteriormente recorrer ao seu médico e/ou enfermeiro de família, se isso a faz sentir melhor e menos inibida. Procure questioná-los quanto ao acompanhamento necessário para um diagnóstico precoce do cancro da mama, peça uma explicação quanto ao autoexame, reitere a necessidade de efetuar algum exame complementar.
Ignorar o risco que corre é uma atitude irresponsável. Não acha que a sua vida vale o esforço?
Incluir o seu companheiro no processo de prevenção é bastante vantajoso, não o exclua e sinta o seu apoio, concerteza a atitude do seu companheiro irá transmitir-lhe segurança e conforto. Peça-lhe para a acompanhar às consultas, tal como faria noutras situações.
Por fim, faça-me um pequeno favor:
Torne o autoexame da mama um tema de conversa, seja na rua, numa mesa de café, em casa ou no trabalho. Pode ser?
Como sabem outubro é o mês dedicado a marcar a prevenção contra este flagelo para a saúde pública, eu prefiro que sejam todos os doze meses do ano.
[Escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.]
Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.
Daniel Rodrigues
+ Saúde 13

Artigo publicado na edição n.º 142 do Jornal Canas de Senhorim
Cocaína, conhece?
Este é um artigo para ler até ao fim. Perceba porquê!
De substância medicinal a produto sagrado, o consumo da folha de cocaína data de 2500 a.C., consta que depois da descoberta da América, a substância despertou sentimentos ambíguos entre os conquistadores. Se por um lado, era proibida, por outro, era incentivada pelos benefícios que trazia, permitindo que os índios trabalhassem sob os efeitos da mesma.
Desde aí abundam as referências à utilização da coca. Quando em 1858, Nieman e Wolter isolaram a substância da cocaína, despoletou-se a comercialização em grande escala, a cocaína chegou a ser ingrediente do vinho tónico de Angelo Mariani e da Coca-Cola durante dezassete anos.
No entanto, nesse mesmo período, a importante discussão científica em relação à cocaína possibilitou avanços mais relevantes em torno do fenómeno da dependência. De um lado Freud, acreditava no efeito anestésico local e defendia a inocuidade do consumo de coca com o seu trabalho efetuado sob o efeito da mesma. Por outro Louis Lewin, opõe-se a Freud, desenvolvendo o modelo conceptual do fenómeno da dependência das drogas. Posteriormente Freud dá o braço a torcer e publica alguns textos que constroem o conceito de toxicomania.
De qualquer modo, no princípio do século XX nos países ocidentais viveu-se uma epidemia de consumo de cocaína por aspiração nasal, até que as medidas internacionais de controlo e, especialmente, a Segunda Guerra Mundial, reduziram drasticamente o seu consumo. A partir daí e até aos anos 70, o seu consumo foi muito marginal obedecendo a diferentes padrões, de país para país, mas desde a década de 70, a cocaína transformou-se numa droga associada à imagem do êxito, melhores performances e sensação, ainda que irreal, de poder.
Quem ainda frequente estabelecimentos de diversão noturna e/ou espaços de animação cultural, facilmente constata que a cocaína está presente e tão banalizada quanto o haxixe, tão bem conhecido como charro ou ganza, entre outros. Assistimos a uma realidade preocupante, o consumo de cocaína está, sem dúvida alguma, banalizado, descomprometido, faz-se sem preconceito e à vista de qualquer um.
A cocaína é, para os mais incautos, um pó cristalino, branco e, diz-se, de sabor amargo. Pode ser consumido por via nasal, ou seja, snifado, termo contextual, mas também é facilmente absorvido por outras mucosas como as gengivas. De igual modo, pode ser injetado, puro ou misturado em geral com heroína, o que pode originar úlceras, devido à rápida destruição dos tecidos cutâneos.
A velocidade de absorção da cocaína pelo organismo é bastante rápida e a destruição dela substancialmente mais lenta o que causa toxicidade com alguma facilidade.
Sendo uma droga altamente nociva, o que leva as pessoas a consumir? Uma pergunta para a qual existe resposta, desmistificando o conceito sem rodeios. Gostava de sentir-se forte e animado, sem sono ou cansaço, seguro de si mesmo? Queria ser desinibido, sentir-se capaz e competente? Pretende anular a dor e garantir um intenso bem-estar? Além disso, deseja usufruir de um melhor desempenho sexual?
Pois, é isso que quer quem consume a cocaína e esquece que está a iniciar um caminho para o abismo. Na verdade, os consumidores de cocaína quando iniciam o consumo, sentem força, um estado de ânimo exacerbado. Alcançam um ótimo bem-estar, sentem-se capazes e competentes de realizar as suas tarefas com sucesso e melhores rendimentos. Por vezes o consumo é iniciado com a intenção de garantir melhores desempenhos sexuais.
Tudo o que descrevi pode acontecer, inicialmente e com doses moderadas, mas… E depois?
Depois os consumidores vão sentir na pele a perigosidade da substância. Começam a consumir uma dose cada vez maior para obter o mesmo efeito o que irá provocar insónias, agitação; ansiedade e agressividade, ilusões e alucinações (tipicamente ocorrem alucinações zoopáticas – a sensação de ter insetos/animais a percorrer a pele), podem ocorrer tremores e convulsões. À sensação de bem-estar inicial segue-se, em geral uma decaída, caracterizada por cansaço, apatia, irritabilidade e um comportamento impulsivo.
Mas não ficamos por aqui. O consumo de cocaína tem consequências devastadoras. A longo prazo provoca:
Crises de ansiedade e pânico; diminuição da memória; diminuição da capacidade e da concentração; apatia sexual ou impotência; transtornos alimentares (bulimia e anorexia nervosa); alterações neurológicas (cefaleias ou acidentes vasculares como o enfarte cerebral); cardiopatias (arritmias); problemas respiratórios (dispneia ou dificuldade para respirar, perfuração do tabique nasal,…); importantes consequências sobre o feto durante a gravidez (aumento da mortalidade perinatal, aborto e alterações nervosas no recém-nascido).
E, atenção, é vulgar surgir a chamada “psicose da cocaína“, com características similares à psicose esquizofrénica com predomínio das alucinações auditivas e das ideias delirantes de tipo persecutório.
Se pensa que consumir esporadicamente não constitui perigo, então está mesmo em risco. A cocaína é a substância que provoca a maior percentagem de dependentes depois de ser consumida em poucas ocasiões. Devido à curta duração dos seus efeitos e ao rápido aparecimento de sintomas de abstinência, provoca um consumo compulsivo. Apesar de não gerar uma síndrome de abstinência com sinais físicos típicos, as alterações psicológicas são notáveis: hiper-sonolência, apatia, depressão, ideias suicidas, ansiedade, irritabilidade, intenso desejo de consumo. A este estado também se associa, por vezes, o abuso de depressores como as benzodiazepinas, o álcool e os opiáceos.
Agora, que caminho quer seguir?
[Escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.]
Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.
Daniel Rodrigues
