Posts filed under ‘Saúde Pesada’

Impropérios

Debitados no ‘Plano de Cuidados’ recentemente:

- Da Lei Fundamental (link)

- Relatório de Primavera do OPSS [3] (link)

- Farto de hipocrisia e irresponsabilidade (link)

Julho 24, 2010 at 9:43 am Deixe o seu comentário

Saúde Pesada [INEM]

Artigo publicado originalmente no ‘Canas em Peso’ (link).

Tudo a pretexto da crise. No entanto, não é ela a culpada da má gestão recorrente. Uma má gestão que leva a redução de enfermeiros no activo, demissão de psicológos, paragem de meios de socorro. Todo um trabalho inovador e de excelência, a nível mundial, a ser votado ao abandono. O INEM está a esvair-se, haja alguém capaz de estancar a hemorragia.

É senso comum que a multidisciplinariedade enriquece qualquer lugar. Se o objectivo do sr.º Abílio Gomes é eliminar a causa da eficácia e qualidade de socorro pré-hospitalar em Portugal, então está a seguir o seu mais rápido, fácil e económico caminho. Conteste-se!

Junho 18, 2010 at 4:11 pm Deixe o seu comentário

Pause

Modo de pausa neste sítio. Volto lá para meados de Junho. Só por um mero acaso posso deixar cair aqui algum texto. Até lá, boas leituras. Eu fico-me pelo Bolãno, mais um sem número de livros didácticos.

[Motivo: Alinhamento de ideias e afins]

P.S.: Desculpem lá esta mania de fazer pausas de vez em quando!

Junho 4, 2010 at 11:55 pm 2 comentários

Saúde Pesada [Peripécias]

Este Saúde Pesada não vai assumir os moldes dos anteriores. Desta feita fico pelo resumo das mais recentes peripécias associadas à Saúde em Portugal. Peripécias porque só assim podem ser chamados os mais recentes acontecimentos com que brindam a saúde dos portugueses.

1. O presidente do Conselho de Administração do Hospital Garcia de Orta, contestado nos últimos tempos, foi substituído e adivinhem que cargo lhe foi imputado – administrador da SUCH. Sim, contestado num hospital é nomeado para a gestão de uma ‘associação’ que detém relações com a maioria dos hospitais portugueses. Coerente?!

2. O Ministério da Saúde colocou a discussão pública o PERHEPH (Plano Estratégico de Recursos Humanos para a Emergência Pré-Hospitalar). Objectivo central: substituir os enfermeiros do INEM por técnicos de emergência pré-hospitalar que acumulam competências dos enfermeiros, com formação, preferencial, de ensino superior. Proposta economicista e interesseira que baste. Coerente?!

3. Na senda das medidas de austeridade, vem o Ministério das Finanças austerizar o sector da Saúde, implicando a medida de 2 saídas para 1 entrada e ameaçando com mais cortes. Alguém tem dúvidas de que o SNS está a cair num poço sem fundo?! O sector privado vai dominar, a qualidade continua a decrescer e o prejuízo continuará a aumentar.

4. Em Penedono, por transferência da vila para a administração regional de saúde do norte, obrigam os utentes a deslocarem-se a Vila Real, cidade para onde não existem transportes públicos. Pior, os bombeiros já não efectuam os transportes por falta de pagamento e de credenciais. Continuam a alterar-se as orgânicas do SNS sem que previamente se garantam condições de acessibilidade às pessoas. Dúvidas?!

[Rubrica original do Canas em Peso (link)]

Maio 26, 2010 at 4:30 pm Deixe o seu comentário

Saúde Pesada [SIV vs. SAP]

A propósito da recente polémica resultante do encerramento nocturno do SAP (Serviço de Atendimento Permanente) de Valença. Uma situação capaz de gerar – facil e intuitivamente – movimentos populistas e demagógicos de revolta sinto a necessidade de esclarecer alguns pontos fundamentais.

É verdade que o SAP de Valença apenas atendia uma média de 1,7 utentes por noite. Uma afluência manifestamente insuficiente para justificar a despesa do Ministério da Saúde em mantê-lo aberto.

É verdade que Valença tem ao seu dispôr – à priori – uma ambulância SIV (suporte imediato de vida) tripulada por um enfermeiro e por um técnico de ambulância de emergência – esta tripulação é formada e capacitada para agir em situações de urgência/emergência com meios mais adequados e eficazes do que o SAP nos moldes actuais.

É verdade que os utentes de Valença terão que se dirigir a Monção e posteriormente voltar para trás dirigindo-se ao hospital de Viana do Castelo, no entanto, essas situações podem ser drasticamente minimizadas com uma triagem eficiente por parte dos CODU’s (Centro de Orientação de Doentes Urgentes) do INEM que têm autonomia para – em virtude de determinada situação clínica – determinar qual a instituição de saúde apropriada para o utente se dirigir, o que pressupõe que um utente cuja situação clínica careça de cuidados de saúde hospitalares possa dirigir-se directamente ao hospital de Viana.

Aconselho a leitura integral desta notícia (link). Cujas referências seguintes destaco.

«Os Centros de Saúde não possuem condições técnicas, nem recursos humanos com a experiência para atender casos emergentes. O facto deste tipo de doentes ser transportado para estes locais, em vez de serem logo orientados para a rede de serviços de urgência, implica uma perda de tempo no seu correcto atendimento que pode ter consequências irreversíveis».

A ARS adianta que «neste caso, poderia ter sido enviada uma ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV) existente em Valença, com um enfermeiro com elevada experiência nestas situações, ou mesmo uma VMER existente em Viana do Castelo, com médico e enfermeiro), que deslocando-se directamente a casa do doente, poderiam ter prestado os cuidados de saúde mais adequados à sua situação clínica».

«A Administração Regional de Saúde do Norte, IP, gostaria ainda de expressar a sua preocupação pelo lamentável aproveitamento efectuado por algumas pessoas do falecimento de um cidadão português e reprovar a desvirtuação da informação que deve ser divulgada de forma transparente aos Utentes, sobre as medidas que devem ser tomadas em caso de urgência/emergência, o que pode ter consequências dramáticas».

Opinião publicada originalmente no ‘Canas em Peso’ (link).

Abril 10, 2010 at 4:02 pm 3 comentários

Saúde Pesada [SUCH]

Sem me alongar e pedindo desculpas por não tecer comentários acerca desta situação, graças à falta de tempo actual, transcrevo excertos de uma interpelação – que denuncia mais uma vergonha do SNS – dirigida ao Ministério da Saúde pelo deputado à Assembleia da República pelo grupo do BE, João Semedo:

O Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), é uma pessoa colectiva de utilidade pública administrativa (sem fins lucrativos), que, tal como referido no preâmbulo dos seus Estatutos, tem por missão “promover a redução de custos e o aumento da qualidade e eficiência da prestação de serviços por parte dos seus associados e do Sistema Nacional de Saúde”. O SUCH é tutelado pelo Ministro da Saúde, que tem também a responsabilidade de nomeação do Presidente e do Vice-Presidente do SUCH. Os associados do SUCH incluem hospitais do Serviço Nacional de Saúde, Administrações Regionais de Saúde e Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), os quais financiam o SUCH através das quotas que pagam e dos bens e serviços que adquirem ao próprio SUCH (nomeadamente, manutenção, alimentação, limpeza e tratamento de roupa, gestão de recursos humanos, contabilidade e, mais recentemente, central de compras).
(…)
Está em curso uma auditoria do Tribunal de Contas ao SUCH. Sobre a gestão do SUCH têm vindo a público diversas informações que, a confirmarem-se questionam a legitimidade e a regularidade de algumas decisões da administração:
i) a contratação desnecessária de várias dezenas de técnicos e outros profissionais;
ii) a aquisição de mais de uma dezena de viaturas topo de gama para uso dos Directores e administradores;
iii) a atribuição a alguns dirigentes dos chamados “Prémios de Cobranças”, na ordem de milhares de euros;
iv) a alienação de património;
v) a existência de uma situação financeira difícil, com recurso a empréstimos bancários;
vi) a prestação de serviços aos associados a preços superiores aos que estes, nomeadamente os hospitais, conseguem através de negociação individual;
Acresce ainda o facto de entre os membros dos órgãos sociais do SUCH e suas participadas (Somos Contas, Somos Pessoas), se encontrarem vários dirigentes oriundos do aparelho do Ministério da Saúde e de organismos por este tutelados que auferem vencimentos claramente excessivos, atingindo os 8 mil euros num  dos casos, e muito superiores à sua categoria na administração pública e até ao vencimento da própria ministra. Para além disso, vários destes elementos, descontam para a Caixa Geral de Aposentações, apenas sobre o vencimento que auferiam anteriormente como Técnicos Superiores na Função Pública, não sendo tributado o suplemento de função que recebem e que, em muitos casos, é superior ao vencimento base. No entanto, o desconto para a ADSE e para o IRS é feito com base na remuneração total (base + suplemento de função).
(…)
Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Saúde, as seguintes perguntas:
1. Tem o Ministério da Saúde conhecimento de situações, como a aquisição de viaturas topo de gama, as admissões desnecessárias de pessoal, o pagamento de prémios de milhares de euros e a alienação de património?
2. Qual a actual situação financeira do SUCH? Qual o valor dos empréstimos bancários contraídos pelo SUCH?
3. Qual o valor total das remunerações (remuneração base + suplemento de função) auferidas pelos membros dos órgãos sociais do SUCH? Sobre que valor incidem os descontos para a Caixa Geral de Aposentações (CGA), ADSE e IRS da Presidente e da Vice-presidente do SUCH?
Aquelas remunerações foram decididas pela Comissão de Vencimentos do SUCH, conforme determinam os respectivos Estatutos? Essas deliberações estão registadas em acta? Qual o fundamento legal para as remunerações atribuídas aos membros dos órgãos sociais do SUCH e respectivos descontos para a CGA, ADSE e IRS?

Palácio de São Bento, 08 de Fevereiro de 2010.
O Deputado
João Semedo
______________________________________________________
É aqui que o Governo deve intervir – na função pública há gestores fantásticos a administrar a sua própria conta bancária! Hajam excepções que dignifiquem as instituições e o estado social.
Publicado originalmente no ‘Canas em Peso’ (link)

Março 5, 2010 at 11:15 am Deixe o seu comentário

Saúde Pesada [Estado do SNS]

Nos últimos dias têm vindo a lume diversas notícias que nos obrigam a questionar qual o estado do Serviço Nacional de Saúde. Estando nos meandros do SNS à muito que os seus colaboradores sabem, reconhecem, apontam, exemplificam e esmiúçam os seus podres. Surgem notícias devido à insatisfação da classe de Enfermeiros (diga-se a maior do SNS), o assalto à classe dos Médicos que são constantemente leiloados entre o SNS e o Sector Privado, o esquema de prémios a atribuir a gestores ‘económicos’ e, sem apetite por ora, esqueço os lobbies das farmacêuticas.

Vejamos então: Qual o estado do SNS?
Diagnóstico reservado com monitorização dos sinais vitais horários, cuidados paliativos e de suporte de vida!

Com humor ultrapasso um certo sentimento de desconfiança no futuro do SNS. Um bem que custa e custou a todos, de primordial importância, significado de um país tolerante, contra as desigualdades – talvez o único sinal vivo e forte dessa tolerância que nos caracteriza.

Comecemos pelos Enfermeiros, faça-se declaração de interesses. Para quem não sabe sou um deles, pese embora não esteja integrado no SNS. Saibam que os Enfermeiros iniciaram um processo de obtenção de grau de Licenciado na década passada, todos sem excepção garantiram a revalidação, recertificação, acumulação de competências. Actualmente todos os Enfermeiros são licenciados em Enfermagem, cúmulo ao qual costumam designar de Dr.º, ora então são os Dr.ºs Enfermeiros. O problema reside no facto de esses Dr.ºs auferirem um rendimento muito inferior aos restantes Dr.ºs, vulgo Dr.ºs Médicos, Dr.ºs Dentistas, etc, que trabalham de igual modo na função pública. No entanto, os problemas dos enfermeiros não se circunscrevem à diferença abissal de salários na função pública para técnicos superiores. Os problemas dos enfermeiros passam também por condições de trabalho deploráveis, trabalho por turnos desvalorizado, situações de stress, burnout e outras coisas bonitas completamente ignoradas, riscos profissionais acrescidos (desde violência a doenças infecto-contagiosas). No rol de problemas podemos encaixar doravante o desemprego dos enfermeiros, realidade nua e crua em incrível ascensão no nosso canto à beira-mar.

Conclusão: Quando for ao SNS não espere enfermeiros que consigam animá-lo. Poderá porventura tentar animar o seu enfermeiro! Ele agradecerá.

Passemos aos Médicos, com o crescimento de competitividade entre o SNS e o sector privado vemos, hoje em dia, leilões frequentemente conquistados pelo sector privado, o produto são os médicos de maior curriculum. Aumentam-se os salários destes Dr.ºs na função pública para se irem aguentando pelo SNS já que o Privado os rouba com milhões. Existe falta de médicos mas sabe-se lá porquê não existe coragem política para acabar com essa maleita. Lobbies? Não são os das farmacêuticas, são outras histórias. Os médicos merecem melhores condições de trabalho, merecem um ordenado justo ao seu desempenho, tal como, os enfermeiros, o que não podemos é deixar a palavra mercado dominar a qualidade de cuidados do Serviço Nacional de Saúde.

Conclusão: O sector privado que, na sua maioria, é sustentado pelo Estado, está a abrir fendas no SNS. Ridículo mas verdade, na Saúde o sector privado anda a alimentar-se do mesmo prato do SNS, com uma diferença – mama mais!

Administradores, essa é que é complicada. Os Administradores numa lógica de economicismo vão ser congratulados com prémios em virtude das suas skills de economista. Numa lógica de redução do despesismo no SNS eu até posso aceitar, mas onde vão estes administradores cortar €? Vão cortá-los no pobre trabalhador? Assim sendo deploro.

Conclusão: O SNS vai ter menos enfermeiros, a trabalhar mais; menos médicos, a trabalhar mais; para onde vão eles? Para onde lhes oferecerem melhores condições – o sector privado, e quem suporta o sector privado à custa de acordos, ADSE’s e por aí fora – o Estado.

Este desabafo superficial deixa quanto a mim uma preocupação profunda, importa discutir, pensar e voltar a realizar o nosso SNS, caso contrário ele vai entrar num estado muito reservado.

Opinião publicada originalmente no ‘Canas em Peso’ (link).

Fevereiro 7, 2010 at 12:44 am Deixe o seu comentário

Saúde Pesada [Taxas Moderadoras]

Lisboa, 01 Jan (Lusa) – A partir de hoje os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) deixam de pagar as taxas moderadoras para internamento e cirurgias em ambulatório, segundo um diploma aprovado em Conselho de Ministros a 12 de Novembro passado.

Pois bem, chegados a 2010, eis que são revogadas as tão contestadas taxas moderadoras impostas aquando da estadia do não menos contestado ministro Correia de Campos em São Bento.

Foi esse senhor o responsável pela ideia que não errada no seu todo, pecava nas suas partes. As taxas moderadores devem, a meu ver, ser concebidas para moderar o consumo de algo quando esse mesmo consumo pode ser controlado e deliberado pelo consumidor. Observando que a génese do Serviço Nacional de Saúde se pautou por garantir a universalidade do direito aos cuidados de saúde tendencialmente gratuitos, automaticamente podemos eliminar qualquer forma de cobrança por serviços que o utente não pode consumir moderadamente muito menos pode optar por comer ou não-comer. Seja!

Sabemos que um internamento num hospital público e a sua duração são controlados única e exclusivamente pelo médico assistente e pela qualidade e eficácia dos cuidados prestados pelos profissionais de saúde, chamemos-lhe então o – comer e calar -. Nesta perspectiva do comer e calar insiro eu os pecados da proposta de Correia de Campos em 2006. Um utente do SNS não pode definitivamente optar por ser ou não ser operado, ser internado ou não ser internado, tanto quanto não tem capacidade para arguir da necessidade deste ou daquele exame complementar de diagnóstico que o seu médico prescreveu, correcto (salvo raras excepções). Assim sendo considero injusta esta face da portaria aprovada em 2006 que agora justamente foi revogada.

No entanto inicialmente disse que a ideia não era errada no seu todo, e porquê? Simplesmente porque graças a essa portaria se introduziram algumas taxas moderadoras discriminatórias úteis à boa e racional utilização dos serviços de saúde. Falo de taxas moderadoras como aquelas de acesso a serviços de urgência e consultas em hospitais centrais, distritais ou centros de saúde. Aqui jaz o aspecto positivo da portaria aprovada em 2006 com o cunho de Correia de Campos. Uma iniciativa lúcida e eficaz na sensibilização e mobilização das pessoas para uma utilização adequada dos diversos centros hospitalares disponíveis. Sendo que estas taxas moderadoras servem em última instância para descongestionar as urgências centrais e os serviços dos hospitais centrais por situações facilmente resolvidas em instâncias locais e de menor especificidade como os centros de saúde. Agora partilhem a vossa opinião!

Texto original no ‘Canas em Peso’ (link), rubrica dedicada à saúde que tenciono manter com uma frequência mensal nesse blog de Canas de Senhorim.

Janeiro 2, 2010 at 12:21 am Deixe o seu comentário


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