Infeção vs. Dotação

Recortei a imagem seguinte do relatório do inquérito de prevalência de infeção nosocomial de âmbito nacional de 2010 (podem consultá-lo através do microsite do PNCI – link). Atentem!

(em IN leia-se infeção nosocomial)
Bem sei que estes dados não causam surpresa alguma aos enfermeiros. Lanço apenas uma provocação: com dotações adequadas que redução conseguiríamos alcançar nestes números?
Deixo-vos um estudo para aguçar o apetite – Nurse staffing, burnout, and health care-associated infection (link).
There was a significant association between patient-to-nurse ratio and urinary tract infection (0.86; P = .02) and surgical site infection (0.93; P = .04). In a multivariate model controlling for patient severity and nurse and hospital characteristics, only nurse burnout remained significantly associated with urinary tract infection (0.82; P = .03) and surgical site infection (1.56; P < .01) infection. Hospitals in which burnout was reduced by 30% had a total of 6,239 fewer infections, for an annual cost saving of up to $68 million.

Março 28, 2013 at 7:37 pm 1 comentário

Corrupção no SIGIC

Recentemente veio a público a notícia de terem sido detetados pela Inspeção-geral das Atividades de Saúde “vários casos de médicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que receberam incentivos para a realização de cirurgias no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), mas que as realizavam dentro do normal horário de trabalho” (link). Vergonhosamente, esta realidade não é novidade para quem anda nos meandros dos blocos operatórios desde que foi implementado este sistema de incentivos. O SIGIC tem e teve um papel importante, os seus objetivos são claros e a metodologia transparente, o grande problema é a completa desinibição ética e moral de um, quero crer, pequeno número de profissionais de saúde. Não falamos apenas de médicos, sejamos claros.

Quero, no entanto, relevar algumas considerações do nosso ministro da saúde quando interpelado a propósito:

“Nós estamos a falar, de facto, de verbas indevidamente pagas. Há um conjunto de orientações que foram dadas, quer de instauração de processos disciplinares, quer de orientações concretas aos conselhos de administração – que é quem conhece esta realidade de perto -, quer também o pedido de um novo balanço, no sentido de apurar as responsabilidades e diferenças, que terá de ser entregue ao Ministério da Saúde pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, nos próximos meses”, disse o ministro. […] Questionado sobre possíveis consequências criminais, Paulo Macedo negou, alegando que estão em causa matérias de responsabilidade civil e, eventualmente, de natureza disciplinar.”

Espero que o sr.º ministro não fique pelos processos disciplinares. Entenderá, também, e necessariamente, proceder judicialmente para que o Estado seja ressarcido, bem como instaurar inquéritos e processos disciplinares aos administradores que compactuaram ou permitiram, de forma voluntária ou involuntária, este embuste. Esperemos pelos próximos episódios…

[publicado no Plano de Cuidados]

Março 28, 2013 at 2:29 am Deixe o seu comentário

Sócrates

[José+Sócrates.jpg]

Simpatize-se ou não com o personagem, julgo ser consensual que este senhor é um monstro do panorama político português. Até aqui nada de novo, tal como o esperado neste regresso à ribalta (link), e de uma assentada, atingiu todos os estrategas do governo, dizimou Cavaco Silva e demonstrou a António José Seguro como se faz oposição.  É impressionante como uma figura tão fragilizada e estereotipada negativamente na praça pública consegue revitalizar-se e abrir velhas feridas. Possa ser ele o eterno responsável da desgraça que aconteceu a Portugal e, nem isso, invalida que quando fala faça tremer toda a oposição, interna e externa. Todo o mediatismo que encerrou o seu regresso não deixa de ser curioso. Por um lado verifiquei que muitos indignados não aceitam a utilização de dinheiros públicos da RTP a financiar os comentários de um ex-Primeiro Ministro negligente, por outro lado, brada-se aos céus pela democracia e vergonha na cara. Ora, se o problema é o dinheiro tenham os indignados a certeza que este será talvez o negócio mais rentável da RTP nos últimos tempos, quanto à democracia e à vergonha na cara vejamos que existe uma panóplia de comentadores em horário nobre, na sua maioria de direita, e com responsabilidades governativas anteriores que também têm culpas no cartório. De facto, o regresso de José Sócrates a Portugal e à televisão constitui a única e irrepreensível forma de encostá-lo à parede e tentar responsabilizá-lo. Serão disso capazes? Será esse o problema?

Março 28, 2013 at 1:25 am Deixe o seu comentário

Espero que não.

União Europeia morreu em Chipre.

Quando as tropas norte-americanas libertaram os campos de extermínio nas áreas conquistadas às tropas nazis, o general Eisenhower ordenou que as populações civis alemãs das povoações vizinhas fossem obrigadas a visitá-los. Tudo ficou documentado. Vemos civis a vomitarem. Caras chocadas e aturdidas, perante os cadáveres esqueléticos dos judeus que estavam na fila para uma incineração interrompida. A capacidade dos seres humanos se enganarem a si próprios, no plano moral, é quase tão infinita como a capacidade dos ignorantes viverem alegremente nas suas cavernas povoadas de ilusões e preconceitos. O povo alemão assistiu ao desaparecimento dos seus 600 mil judeus sem dar por isso. Viu desaparecerem os médicos, os advogados, os professores, os músicos, os cineastas, os banqueiros, os comerciantes, os cientistas, viu a hemorragia da autêntica aristocracia intelectual da Alemanha. Mas em 1945, perante as cinzas e os esqueletos dos antigos vizinhos, ficaram chocados e surpreendidos. Em 2013, 500 milhões de europeus foram testemunhas, ao vivo e a cores, de um ataque relâmpago ao Chipre. Todos vimos um povo sob uma chantagem, violando os mais básicos princípios da segurança jurídica e do estado de direito. Vimos como o governo Merkel obrigou os cipriotas a escolher, usando a pistola do BCE, entre o fuzilamento ou a morte lenta. Nos governos europeus ninguém teve um só gesto de reprovação. A Europa é hoje governada por Quislings e Pétains. A ideia da União Europeia morreu em Chipre. As ruínas da Europa como a conhecemos estão à nossa frente. É apenas uma questão de tempo. Este é o assunto político que temos de discutir em Portugal, se não quisermos um dia corar perante o cadáver do nosso próprio futuro como nação digna e independente.

Viriato Soromenho Marques, no DN (link).

Março 27, 2013 at 1:35 am Deixe o seu comentário

Licenciatura

A palavra acima significa precisamente o quê? O seu significado foi alterado ou é suscetível a várias interpretações?

É no mínimo hilariante observar que um daqueles que mais criticaram o programa ‘Novas Oportunidades’ tenha sido licenciado por métodos incomparavelmente redutores quando comparados com a metodologia utilizada por esse programa.

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Julho 20, 2012 at 4:30 am Deixe o seu comentário

+ Saúde 33

Artigo publicado na edição n.º 163 do Jornal Canas de Senhorim

Abuso de menores e negligência

Comemorámos no passado dia 1 de junho mais um «dia da Criança» e imediatamente surgiram relatórios a denunciar a situação de pobreza por que muitas crianças portuguesas passam. Em contexto de crise económica – não tenhamos dúvidas – são os mais vulneráveis que maiores consequências sofrem, especialmente as crianças e os idosos.

O nosso país tem alcançado resultados fantásticos ao nível da inclusão social, educação e protecção dos mais pobres e dos excluídos, muitas vezes pioneiro na defesa dos direitos das pessoas, mas… poucos meses de crise económica e austeridade podem desferir um sério golpe na sociedade que se pretende coesa.

Aproveitando o mote abordo a problemática do abuso de menores e de práticas negligentes no cuidado à criança. O abuso de menores não se esgota no abuso sexual, engloba maus tratos físicos e verbais, a violência psicológica, entre outros. Já as práticas negligentes correspondem ao abandono da criança, à alimentação deficitária ou inadequada, à escassez de vestuário, à restrição de acesso à educação, à escassez de atenção, carinho, respeito ou até um lar/abrigo.

As perturbações de personalidade ou baixa auto-estima, patologias psiquiátricas e/ou o abuso de álcool ou medicamentos são comuns no agressor ou na pessoa negligente. Por outro lado, a criança pode ser exigente, hiperativa ou possuir alguma deficiência. Além destas possíveis características particulares a agressor e vítima respetivamente, existem uma série de condições que podem despoletar o abuso de menores e a negligência, desde a escassez de apoio emocional da família, dos vizinhos ou dos amigos; à crise económica ou desemprego, até à separação dos pais que pode derivar no abandono por parte de um deles.

O abuso de menores pode produzir mudanças de comportamento visíveis na criança e no adulto que abusa dela e lesões físicas relativamente típicas na criança. Por exemplo, um pai pode parecer indiferente, inclusive quando a criança está ferida de forma evidente, ou pode ter pouca vontade de explicar ao médico ou aos amigos como se deu a lesão. Além disso, a descrição pode variar em cada relato. A lesão pode ser insólita para a idade da criança.

Uma criança que sofre de abusos reiterados pode mostrar fisicamente sinais de lesões novas e antigas. As contusões, as queimaduras, as feridas ou as esfoladelas muitas vezes são evidentes. As queimaduras de cigarros são visíveis nos braços e nas pernas. A criança também pode ter indícios de ossos fracturados.

Uma criança que sofreu abusos sexuais poderá apresentar dificuldades para caminhar ou sentar-se, por alguma lesão física. Pode manifestar-se uma infecção urinária, uma secreção vaginal ou uma doença de transmissão sexual. Muitas vezes, contudo, não existe lesão física aparente. Como a vítima pode encontrar-se sob ameaça se contar a alguém o que aconteceu, os médicos, a polícia e os familiares podem ter dificuldades para ter conhecimento, através dela, do que se passou.

Uma criança abandonada pode ter aspecto de estar mal alimentada, cansada, suja ou carecer de roupa apropriada. Em casos extremos, pode viver sozinha ou com os irmãos, sem a vigilância de um adulto. Em alguns casos, as crianças abandonadas morrem de fome ou por exposições diversas.

Um bebé abandonado ou que sofreu abusos, em geral, não se desenvolve física ou emocionalmente numa proporção normal. Os bebés privados de carinho familiar podem parecer indiferentes ao que os rodeia. A sociabilidade e a facilidade verbal podem ver-se afectadas por uma atenção insuficiente.

O que fazer?
Uma criança que foi vítima de abuso ou que foi abandonada pode necessitar de hospitalização. Os médicos e enfermeiros devem, por exigência legal, denunciar rapidamente os casos de abusos a menores ou em que se suspeite de abandono de uma criança. Encorajamos os cidadãos a apresentar queixa às autoridades judiciais e competentes sobre qualquer tipo de abuso ou abandono de que tenham conhecimento ou suspeita.

Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.
Daniel Rodrigues

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Julho 20, 2012 at 4:01 am Deixe o seu comentário

+ Saúde 32

Artigo publicado na edição n.º 162 do Jornal Canas de Senhorim

Gastroenterite

Gastroenterite é o termo que se aplica a um grupo de perturbações cuja causa são as infecções e o aparecimento de sintomas como perda de apetite, náuseas, vómitos, diarreia moderada a intensa, cólicas e mal-estar abdominal. As gastroenterites não são per si graves, no entanto, os vómitos e a diarreia provocam a perda excessiva de líquidos corporais e, com eles, perdem-se eletrólitos, sobretudo o sódio e o potássio, que podem induzir desiquilíbrios graves e desidratação, especialmente em crianças, idosos e doentes.

As gastroenterites são provocadas por microorganismos presentes na água ou em alimentos em condições de armazenamento e acondicionamento inadequadas ou contaminados por fezes infetadas. O tipo e a gravidade dos sintomas dependem do tipo e da quantidade da toxina ou do microorganismo ingeridos e da resistência da pessoa à doença. Os sintomas começam muitas vezes com perda de apetite, náuseas e/ou vómitos. Podem ocorrer ruídos intestinais audíveis, cólicas e diarreia; pode ter febre, sentir-se fraco, com mialgias e fadiga.

Desta forma, o diagnóstico de gastroenterite é normalmente óbvio a partir da sintomatologia, mas a sua causa não. Por vezes, familiares ou colegas de trabalho estiveram com sintomas semelhantes; outras vezes, podemos relacionar a doença com alimentos inadequadamente cozinhados, em mau estado ou contaminados. As viagens recentes – especialmente a determinados países em que as condições de saneamento e tratamento de águas básico não são adequadas – podem também contribuir para o diagnóstico.

Normalmente, o único tratamento necessário para a gastroenterite é a ingestão adequada de líquidos com ou sem suplemento de sais e açúcares (disponível em solutos de hidratação nas farmácias e parafarmácias). Até uma pessoa que esteja a vomitar deve tomar insistentemente pequenas quantidades de água para corrigir a desidratação, o que por sua vez pode ajudar os vómitos a pararem. À medida que os sintomas melhoram, o doente pode incluir na dieta, gradualmente, comidas moles, como cereais cozinhados, bananas, arroz, compota de maçã e pão torrado. Contudo se os sintomas forem intensos ou durarem mais de 48 horas deve procurar o aconselhamento médico e podem ser examinadas amostras das fezes, procurando a presença de bactérias, vírus ou parasitas. A análise dos vómitos, dos alimentos ou do sangue também pode ajudar a identificar a causa. Como os antibióticos podem provocar diarreia e favorecer o crescimento de organismos resistentes aos mesmos, raramente é apropriado o seu uso, mesmo no caso de ser uma bactéria conhecida que esteja a causar a gastroenterite.

Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.
Daniel Rodrigues

Julho 20, 2012 at 3:58 am Deixe o seu comentário

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