Esclerose Múltipla?

Março 5, 2006 at 3:00 am 3 comentários


A Esclerose Múltipla continua a ser um dos mistérios da medicina, não é uma doença evitável ou curável, embora neste momento já existam medicamentos que, apesar de não curarem, modificam de forma benéfica a sua evolução.Existem algumas teorias que tentam explicar quais as origens desta doença. Para muitos é considerada uma doença auto-imune, ou seja, o nosso organismo tem um sistema de defesa – sistema imunitário – que destrói os vírus e as bactérias, e se este sistema se engana e começa a atacar as células do próprio corpo surge um fenómeno chamado reacção auto-imune. Neste caso, a lesão da mielina surge por haver produção de auto-anticorpos que a atacam.
Outros defendem que a Esclerose Múltipla é determinada por factores ambientais e genéticos, na medida em que, é uma doença mais frequente nos países com clima temperado e fresco do que nos países de clima quente, e afecta em especial as pessoas de raça branca.
Existe ainda a teoria de que a Esclerose Múltipla seja causada por vírus, mais propriamente por algum tipo de doença vírica contraída na infância.

Trata-se de uma doença inflamatória crónica, desmielinizante e degenerativa, do sistema nervoso central que interfere com a capacidade do mesmo em controlar funções como a visão, a locomoção, e o equilíbrio, entre outras.

É desmielinizante porque há caracteristicamente lesão das bainhas de mielina que envolvem as fibras nervosas. É degenerativa porque surge também lesão da própria fibra nervosa, por vezes irreversível.

Existem pessoas mais susceptíveis de contrair a Esclerose Múltipla, nomeadamente os adultos jovens, uma vez que os sintomas são habitualmente mais evidentes entre os 20 e os 40 anos de idade. A Esclerose Múltipla ocorre poucas vezes em pessoas com menos de 15 e com mais de 50 anos de idade, sendo mais frequente nas mulheres do que nos homens.

Sintomas

Se existirem lesões no Sistema Nervoso Central, seja por doença ou traumatismo, a localização da lesão determina a natureza dos sintomas resultantes. Os sintomas aparecem devido à interrupção da condução dos impulsos nervosos entre o Sistema Nervoso Central e o resto do corpo.

Por exemplo, lesões no cérebro podem provocar:

– Visão dupla;
– Falta de força e de sensibilidade nos membros;
– Falta de controlo dos movimentos finos das mãos: mão “inútil”;
– Desequilíbrio;
– Alterações na memória;
– Fadiga;

De lesões da espinal-medula pode resultar, por exemplo:

– Entorpecimento e fraqueza dos membros;
– Perturbações da bexiga;
– Espasticidade;
– Rigidez e sensação de membros pesados; dormência, dores, comichão;
– Dificuldades de locomoção;

As lesões do nervo óptico, que estabelece a ligação entre os olhos e o cérebro, provocam com frequência visão turva e perda da percepção das cores.

Tratamento

O tratamento adequado para a Esclerose Múltipla começa por manter um bom estado de saúde geral, prosseguir uma vida activa, uma alimentação equilibrada, repouso suficiente, de modo a sentir-se bem, mantendo a forma física e psíquica.

É também fundamental um programa de exercícios e ginástica muscular, na medida em que, ajuda os doentes a recuperarem dos surtos e a diminuir a tensão muscular. Exercícios de treino do equilíbrio, podem ajudar os doentes a tornarem-se mais auto-confiantes.

Em virtude da evolução da Esclerose Múltipla ser imprevisível as necessidades e as capacidades variam, assim uma reavaliação médica periódica é fundamental. Os medicamentos são também imprescindíveis, nomeadamente os relaxantes musculares, pois permitem reduzir a tensão dos músculos e melhorar os movimentos. Nos últimos anos utilizam-se diversos fármacos que actuam no sistema imunitário, chamados imunomoduladores, como os Interferões-beta e o acetato de glatiramero, entre outros, que ajudam a modificar a alteração da doença.

Para além das consequências e limitações a nível físico, inerentes à doença, são também muitas as psicológicas, para o doente e consequentemente, para o cuidador, depressões e ansiedade são as mais frequentes. O grau de dependência que a Esclerose Múltipla desencadeia, assim como as mudanças comportamentais da doença, são factores que esgotam bastante os familiares e cuidadores do doente de Esclerose Múltipla, levando muitas vezes a situações de solidão absoluta. De registar que a taxa de divórcios em famílias em que um dos cônjuges é doente é bastante elevada. Neste sentido a psicoterapia individual e de grupo, assim como o aconselhamento, ajudam bastante para enfrentar todas as limitações causadas pela doença.

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Não há dinheiro?! Para reflectir…

3 comentários Add your own

  • 1. Julio Cesar Oliveira  |  Julho 17, 2007 às 12:22 pm

    Gostaria se possivel obter o maximo de informações possiveis sobre a EM , fico no aguardo do vosso retorno

    Grato

    Julio Cesar de Oliveira

    Responder
  • 2. Claudia Lucena  |  Abril 12, 2008 às 7:56 pm

    Olá, meu nome é Claudia e sou estudante de Fisioterapia do 4 semestre.
    Escoli como tema de minha Tese para conclusão do curso o tema sobre o Treino de Equilibrio para portadores de EM.
    Tenho uma amiga portadora de tal patologia e me interessa muito este assunto.
    Gostaria, se possivel, de obter dicas e informações a respeito do tema citado.
    Agradeço a atenção dispensada,

    Claudia Lucena

    Responder
  • 3. sara  |  Março 11, 2009 às 3:25 pm

    olá ainda nao percebi qual é o mal que está doença faz ao sistema nervoso

    Responder

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