+ Saúde (1)

Outubro 1, 2009 at 12:13 am Deixe um comentário


Artigo publicado na edição n.º 130 do Jornal Canas de Senhorim

Gripe A

Numa altura em que tão badalada é a pandemia da Gripe A, torna-se indispensável a divulgação em massa desta problemática. Sendo um dever de cidadania não ficar alheio à disseminação desta doença que segundo estimativas do Ministério da Saúde poderá atingir 2 milhões de portugueses. Não obstante o facto de ser uma estimativa, está patente o grave risco de transmissão e os prejuízos em saúde nas pessoas mais susceptíveis, comprovado pelo aumento exponencial de novos casos detectados nas últimas semanas. A Gripe A sabe-se, em termos de manifestações clínicas, muito semelhante à gripe sazonal, nas quais se incluem as dores de garganta, tosse, febre, arrepios, dores musculares e fadiga, acrescendo o facto de poderem ocorrer vómitos e/ou diarreia. Quanto ao modo de transmissão do novo vírus da Gripe A, este também é idêntico ao da gripe sazonal, sendo que transmite-se de pessoa para pessoa através de gotículas libertadas quando uma pessoa fala, tosse ou espirra. Daí que os contactos mais próximos (sugere-se que a menos de 1 metro) com uma pessoa infectada podem representar uma situação de risco. O contágio pode também verificar-se indirectamente quando há contacto com gotículas ou outras secreções do nariz e da garganta de uma pessoa infectada, por exemplo, através do contacto com maçanetas das portas, superfícies de utilização pública, etc; sendo depois auto-inoculadas na mucosa respiratória, oral e/ou ocular, daí a importância de uma lavagem frequente e metódica das mãos.

A Gripe A tem um período de incubação, período que decorre entre o momento em que a pessoa é infectada e o aparecimento dos primeiros sintomas, que neste caso varia entre 1 e 7 dias. Também se considera um período de transmissibilidade que vai até 7 dias, no entanto, devemos considerar que o doente mantém a capacidade de infectar outras pessoas sempre que manifestar sintomas da doença.Conhecido o quadro clínico da doença obviamente as pessoas que contraiam a gripe vulgar sentir-se-ão ameaçadas pela suspeita de Gripe A, pelo que se espera uma afluência aos serviços de saúde, na época fria, ainda maior do que em anos anteriores. Até aí tudo bem, o problema que se levanta é que nesses locais existirá um risco aumentado de contágio caso não se tomem as necessárias medidas de prevenção. É aqui que entra a responsabilidade de cada um, temos o poder necessário para diminuir o índice de transmissão da infecção desde que obedeçamos aos conselhos das entidades de saúde.

Tudo isto para dizer ao cidadão, que a grande necessidade de combate a esta doença é a Prevenção. Assim, todos nós temos um dever, que passa pela protecção dos outros quando sentirmos alguns sintomas que nos levem a suspeitar de qualquer Gripe. Obviamente devemos recorrer numa fase inicial aos serviços de saúde o que não implica dirigirmo-nos para Centros de Saúde ou Hospitais, ou seja, nestas situações o procedimento será contactar a linha Saúde 24 (808 24 24 24) que é responsável pela assumpção da suspeita de Gripe A, diminuindo deste modo o risco de transmissão da doença decorrente de uma afluência em massa às instituições de saúde. A linha Saúde 24 é assim a entidade que segundo o Plano de Contingência Nacional para a Pandemia da Gripe está destinada a dar a primeira resposta às pessoas com suspeita de infecção pelo vírus da Gripe A. Cabe aos profissionais de saúde da mesma aconselhar os utentes para o procedimento adequado e, sendo confirmada a suspeita, as orientações emanadas poderão variar entre o isolamento, encaminhamento para unidade de saúde diferenciada ou transporte efectuado pelo INEM e/ou Bombeiros; sempre com as medidas de protecção e prevenção da disseminação da Gripe A asseguradas.

Para não criar alarmismos ou aumentar o já existente, é de salientar que a maioria das infecções pelo vírus H1N1, tem um quadro clínico benigno e autolimitado, o que quer dizer que a maioria dos indivíduos que contraiam esta doença estarão curados e retomarão a sua vida normal num breve período de tempo, tal como tem acontecido na maioria dos casos ocorridos no nosso país. Do mesmo modo não podemos ignorar a existência de grupos de pessoas considerados de risco, nos quais se incluem grávidas, crianças com menos de um ano de idade, pessoas com asma, obesos e pessoas com o sistema imunitário diminuído. Daí a importância da vacina, que se prevê estar disponível no Outono estando em pré-reserva para o nosso país cerca de 3 milhões de doses. A vacinação é fulcral na prevenção e controlo da gripe e, segundo o Plano de Contingência Nacional a prioridade de vacinação vai passar, em termos gerais, por “cidadãos que prestam serviços prioritários, onde se incluem alguns profissionais dos serviços de saúde, das forças de segurança pública e de serviços essenciais para o funcionamento das infraestruturas básicas (energia, saneamento básico, entre outros); e grupos de alto risco, como, por exemplo, doentes com risco acrescido de complicações graves e morte”.

A nível local, especificamente nos Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim está activo o Plano de Contingência para a Gripe A (disponível online em www.bvcanas.com) que tem como objectivos principais:

1. Preparar a resposta operacional para minimizar as condições de propagação da doença;

2. Definir a estrutura de decisão e de coordenação interna;

3. Definir as medidas de protecção individual a implementar;

4. Elaborar o plano de stock de equipamentos de protecção individual adequado;

5. Estabelecer as normas de higiene e desinfecção de material utilizado;

6. Orientar para a higiene e desinfecção da célula sanitária das ambulâncias;”

De salientar que, como estrutura referida no ponto 2, está integrado o Núcleo de Gestão da Gripe no Corpo de Bombeiros que, para além da monitorização interna dos casos suspeitos de infecção, está responsável pela articulação com a comunidade, assim sendo, se tiver conhecimento de algum caso suspeito ou confirmado deve na própria pessoa ou através de terceiros, salvaguardando as medidas de protecção e prevenção, informar o núcleo de gestão do corpo de bombeiros de Canas de Senhorim.

Para terminar deixo-vos as principais medidas de prevenção e protecção, que devem passar a fazer parte do quotidiano num futuro próximo:

1) Evitar o contacto próximo com pessoas que apresentem sintomas de gripe: febre, tosse, dores de garganta, dores no corpo ou musculares, dores de cabeça, arrepios e fadiga;

2) Cobrir a boca e nariz quando espirrar ou tossir, usando um lenço de papel. Nunca as mãos; Utilizar lenços de papel uma única vez, colocando-os no lixo.

3) Lavar as mãos adequadamente ajuda a reduzir a probabilidade de transmissão da infecção.

4) Evitar tocar nos olhos, nariz e boca sem ter lavado as mãos, porque o contacto com superfícies e/ou objectos contaminados é uma forma de transmissão frequente;

5) Limpar superfícies sujeitas a contacto manual muito frequente (como, por exemplo, as maçanetas das portas, corrimãos, telefones, computadores) com um produto de limpeza comum;

Para mais informações podem consultar o site da Direcção Geral de Saúde em www.dgs.pt e aceder ao Microsite da Gripe.

Daniel Rodrigues (Enfermeiro)

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