Salário Mínimo ou Minimamente um Salário

Dezembro 16, 2009 at 1:32 am Deixe um comentário


Diz-se que desde 1974 o poder de compra de uma pessoa que aufere o salário mínimo tem vindo sucessivamente a decrescer. Podem consultar a notícia aqui (link).

Se o salário mínimo tivesse sido actualizado desde 1974, repondo a inflação de cada ano, o seu valor em 2010 seria de 562 euros e não os 475 euros anunciados pelo Governo. Aquela quantia respeitaria o limiar de 60 por cento da remuneração base média tida internacionalmente como suficiente para um nível de vida decente.

Ainda num passado recente li o caríssimo sr.º Van Zeller dizer que as empresas não suportariam um aumento do salário mínimo nacional e, com o pensamento toldado de revolta, ainda consegui fazer um pequeno exercício mental. Passo a demonstrá-lo. Imaginemos que o salário mínimo nacional é actualmente na ordem dos 475 euros propostos pelo governo antecipando o futuro. Depois pensemos numa pessoa solteira e a iniciar a sua vida profissional. Sendo portuguesa essa pessoa ou nasceu com sorte ou vai trabalhar a km’s de distância de sua casa (isto se trabalhar, infelizmente). Trabalhando a km’s de distância de casa terá de pagar um aluguer de casa e/ou encargos com combustíveis. Para além disso terá de suportar a sua alimentação que deixa de ser paga pela família nuclear. Acrescem também as despesas de consumos e manutenção da habitacão. Terá sempre que suportar as suas despesas em vestuário, calçado e outras bens de primeira necessidade, bem como, pagar as suas eventuais despesas de saúde. Por fim, e para garantir alguma qualidade de vida (posso chamar-lhe assim?) terá de suportar os encargos com algum vício/prazer, telemóvel, internet, socialização (…)!

Então vejamos:

475 €

– 150 € (despesa de renda e/ou combustível)

– 50 € (despesa de alimentação)

– 25 € (despesa de consumos e manutenção da habitação)

– 50 € (despesa de bens de primeira necessidade)

A partir daqui sobram 200 € então continuemos:

Se houver alguma despesa extra com o carro ou meio de transporte, retiremos 50 €;

Se houver algum jantar de amigos, duas ou três saídas para um convívio/café entre amigos retiremos 50 €;

Se porventura essa pessoa fumar os 100 € sobrantes não chegam para um maço de tabaco/dia.

Conclusão:

O futuro salário mínimo nacional não garante qualidade de vida a uma pessoa independente, solteira e em início de carreira profissional! (Nota: Todos os valores que mencionei são hipotéticos e passíveis de reduções, no entanto, também podem ser aumentados mediante alguns factores, como por exemplo, área geográfica).

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