O sentido da vida ou da morte

Janeiro 23, 2010 at 1:25 pm 2 comentários


Imaginem uma mãe que durante seis anos finge que a sua filha padece de diabetes, fibrose quística, paralisia cerebral, entre outras; apenas com o intuito de ganhar notoriedade e dinheiro. Imaginem que graças a essa manipulação de sintomas a filha foi submetida a mais de três centenas de intervenções médicas, desde análises ao sangue, tratamentos endovenosos, etc.

Veredicto final: “Hayden-Johnson, de 35 años, ha sido condenada a tres años y tres meses de cárcel tras admitir los cargos de crueldad infantil y de obstrucción a la Justicia.”

Veja história completa – El Mundo (link1)

Agora imaginem o que uma mãe sente quando em pouco tempo vê o seu filho passar de saudável a prisioneiro de uma cama carregando uma lesão cerebral irreversível que o coloca em estado vegetativo. Por fim, imaginem que essa mãe, numa acção que posso apenas qualificar de compaixao e desespero, injecta uma dose letal de heroína no seu filho.

Veredicto final: “Cadena perpetua por inyectar una dosis letal de heroína a su hijo”.

Veja a história completa – El Mundo (link2)

Devo ressalvar que os dois casos aconteceram e foram julgados no Reino Unido, no sentido de retirar a hipótese de a discrepância entre as penas ser justificada por diferentes sistemas penais. Retirada essa hipótese, não vos parece que a Justiça esquece o campo das emoções?

Temos um caso onde uma mãe se comporta de uma forma brutalmente manipuladora e sem escrúpulos, infligindo um duro sofrimento à sua própria filha que é saudável, fazendo com que ela própria e o seu pai acreditassem nas doenças inventadas, apenas por dinheiro e notoriedade, imagine-se. Por outro lado, temos uma mãe que em completo desespero e compaixão por ver o seu filho amado transformado num prisioneiro de uma cama, sem qualquer expressão dos seus sentimentos, toma uma atitude concerteza reflectida mas radical, no sentido de  acabar com o sofirmento de todos.

Não quero, de algum modo, levar esta discussão para o campo da Eutanásia. No entanto destaco o facto de num dos casos ser infligido um sofrimento penoso a uma criança e a pena não passa de três anos e pouco. Verifica-se o esquecimento do perfil psíquico da pessoa que comete o crime e é capaz de executar tamanha acção. Por outro lado temos uma pena de prisão perpétua a uma pessoa que não infligiu sofrimento e, com o consentimento de todos os parentes, acertadamente ou não, terminou uma vida previamente terminada.

Porque para mim viver não é estar perpetuamente acamado com lesões cerebrais irreversíveis que nem sequer me permitem expressar os meus sentimentos!

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Entry filed under: Saúde.

Figurino Crianças do Haiti

2 comentários Add your own

  • 1. OiluT  |  Janeiro 23, 2010 às 10:42 pm

    Bom post!

    Responder
  • 2. Daniel Rodrigues  |  Janeiro 24, 2010 às 2:09 am

    A falta de discussão nestas matérias e a rigidez de critérios da justiça fazem-me confusão!

    :/
    Abraço

    Responder

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