+ Saúde (6)

Março 12, 2010 at 3:14 pm Deixe um comentário


Artigo publicado na edição n.º 135 do Jornal Canas de Senhorim

Epilepsia

Este mês falo-vos da epilepsia por duas razões principais, o aparente desconhecimento da realidade da doença por parte da comunidade e a estigmatização que as pessoas com esta doença sofrem. Sendo conhecida desde a Antiguidade a epilepsia já foi associada a elementos divinos e/ou demónios na pele de quem dela sofre. Estes mitos associados ao susto que causa, na generalidade das pessoas, o testemunho de uma crise epiléptica levam a estigmatizar e catalogar erradamente as pessoas com epilepsia. Em Portugal estima-se que cerca de 50000 pessoas padecem desta doença que tem repercussões controláveis mas leva a prejuízos na expressão social e relacionamento entre as pessoas.

Mas afinal o que é a epilepsia? É uma doença cerebral que causa instabilidade eléctrica nas células cerebrais, fazendo com que as pessoas tenham crises recorrentes normalmente manifestadas por convulsões, no entanto, podem ocorrer apenas sensações e/ou emoções estranhas ou comportamentos invulgares e inadequados.

Existem várias causas para a epilepsia, já que a doença decorre de lesão das células nervosas (neurónios), entre as causas mais frequentes estão os traumatismos cranianos, consumo de certas drogas ou tóxicos, doenças infecciosas, tumores, doenças que possam interromper temporariamente o fluxo sanguíneo cerebral e, em menor percentagem, causas genéticas.

Uma convulsão esporádica não significa epilepsia, para considerarmos a existência da doença devem acontecer episódios repetidos de convulsões. Importa salientar e considerar que a epilepsia não é uma doença mental nem tampouco sinal de menor inteligência ou inferioridade, bem como, não é contagiosa. Aparte as convulsões as pessoas com epilepsia são iguais a qualquer outra.

Reconhecidas as causas da doença, a pessoa pode ao longo da sua convivência com a epilepsia perceber quais os factores ambientais e biológicos que podem despoletar uma crise epiléptica. Passo a citar alguns deles:

  • Mudanças súbitas de luminosidade, flashs de luz (por ex.: ambientes de discoteca ou bar);
  • Privação de sono;
  • Ingestão de bebidas alcoólicas;
  • Febre;
  • Ansiedade e cansaço;
  • Algumas drogas e medicamentos;

Uma boa descrição das crises pelo doente é fulcral para o diagnóstico de epilepsia. O qual pode ser efectuado apenas com base nessa descrição e, em complemento, com a ajuda de electroencefalogramas (que avaliam a actividade eléctrica cerebral) e outros exames complementares de diagnóstico. Se desconfia que sofre de epilepsia não hesite em procurar aconselhamento médico. Por sua vez o tratamento da epilepsia baseia-se no controlo das crises com medicamentos antiepilépticos com a função de restabelecer o equilíbrio eléctrico no cérebro ou reduzir a sensibilidade dos neurónios que estão na origem das crises. O objectivo do tratamento é, assim, reduzir o número de crises ou anulá-las. Devido ao aparecimento súbito das crises, a medicação tem de ser tomada constantemente e de acordo com a indicação médica.

Conselhos a ter em conta caso assista a uma crise convulsiva:

É importante manter-se calmo, não deve mover a pessoa com crise convulsiva do lugar em que se encontra nem impedir os seus movimentos descontrolados, ao invés, deve afastar da pessoa todos os objectos que possam causar-lhe lesões corporais durante a convulsão. Nunca deve tentar gritar ou abanar a pessoa em crise convulsiva. É proibido tentar forçar a abertura da boca e colocar algo dentro da mesma, apenas deve colocar uma almofada debaixo da cabeça da pessoa. Caso não saiba o historial de doenças da pessoa ou a convulsão dure mais de cinco minutos deve pedir apoio médico contactando o 112.

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Adianto, em nota, uma óptima notícia para aqueles que sofrem de doenças crónicas como a psoríase, a epilepsia e doenças inflamatórias do intestino. Por iniciativa do Bloco de Esquerda, o Parlamento decidiu no mês transacto acabar com as taxas moderadoras na Saúde para estes utentes. Assim, à semelhança dos benefícios que os utentes que padecem de outras doenças crónicas usufruem, pessoas com as doenças que referi passam a ser tratadas de igual forma. Esta medida vem diminuir a lista de desigualdades na saúde, sendo positiva e a aplaudir, diminuindo os altos encargos em saúde que estes utentes são obrigados a suportar.

Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via electrónica para danyelrodrigues@gmail.com.

Daniel Rodrigues

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