A (in)evitável desertificação?

Maio 3, 2010 at 8:04 pm Deixe um comentário


Consta que a Câmara Municipal de Nelas cresce a olhos vistos para um défice orçamental escabroso. Concorrendo com as restantes gestões danosas – que de novidade nada têm – nos municípios, é tempo do o poder central intervir regulamentando a modus operandi a gestão financeira das autarquias, ou pelo menos, a imposição de limites de financiamento para cada tipo de actividades tendo em conta o número de habitantes e o indíce de desenvolvimento, interioridade, acessibilidades e/ou risco de desertificação. O Partido Socialista concelhio veio alertar para o endividamento grotesco e para o aumento do passivo a alta velocidade (link 1). Os valores que lançam são bem superiores aos valores do passivo admitido no anuário financeiro que publiquei aqui anteriormente (link 2) – o mais recente. Deslinda-se que a autarquia pode ter o seu futuro comprometido – note-se que recorre a uma empresa privada para executar um plano de saneamento financeiro (custo: 45 mil euros) –  na senda dos 12 anos, na hipótese de mais um empréstimo bancário para, apenas, pagar dívidas.

Temos um município capaz caso lhe seja oferecida uma gestão de igual forma capaz e corajosa. O município de Nelas não pode continuar a viver da compra do eleitorado com obras nada estruturantes, derrapagens orçamentais, adjudicações directas, empreendimentos desnecessários e financiamento de actividades e festividades de algibeira facilmente promovidos por associações capazes e transparentes.

Outro grande problema do município de Nelas é a acelerada desindustrialização, vejamos que este era o concelho maior no distrito de Viseu, agora não passa de um concelho facilmente ultrapassado por Viseu, Tondela, Mangualde, Santa Comba Dão, entre outros. Qual a razão para tal? A razão foi a má gestão de zonas industriais e incapacidade de gerar políticas de manutenção de indústrias e de atracção de novos empreendimentos industriais. Qual a consequência? Consequentemente a mão-de-obra qualificada do município – e quando falo de mão-de-obra qualificada  do município falo de um município que pode orgulhar-se disso mesmo – passa a trabalhar nos municípios vizinhos, a título de exemplo quantos habitantes do município trabalham em Mangualde, ou em Tondela, ou em Viseu? Imensos.

Mesmo assim os sucessivos executivos camarários preferiram continuar com uma gestão eleitoralista. Concentrando a pouca indústria na sede do concelho, enterrando o dinheiro dos contribuintes numa zona industrial de raiz, desaproveitando a grande zona industrial do distrito à umas décadas, excluindo grande parte dos munícipes. Esta impunidade cedida aos autarcas, garantida pela sucessão de quadros na condução das autarquias leva a uma gestão de dinheiros, unica e exclusivamente, com a finalidade de garantir o lugar durante o máximo de tempo possível independentemente de o município ser profícuo ou não. É necessário que haja ética na condução das autarquias, nesta não tem havido concerteza! Custa que este modo de gestão seja deveras aceite e aplaudido pelos munícipes que se contentam com o imediato, com clichés, com ofertas de alcatrão, blocos, passeios, rotundas e estatuetas. É verdade, sim – chegamos a um ponto em que tudo isto tem de acabar.

O município não se desenvolverá com estes pequenos toques de manicure. Só seremos top-model quando antes da manicure atingirmos as medidas corporais adequadas. Entendem? E essas medidas corporais estão bem longe dos adequados «86-60-86». Para atingir as medidas corporais adequadas urge sanear financeiramente o concelho, não prejudicando o seu futuro. Terminar e anular obras curriqueiras e desnecessárias. Promover a implantação de indústria, tanto em Nelas, como em Canas de Senhorim. Criar um tecido empresarial forte, um núcleo de desenvolvimento dinâmico, parcerias empresariais e olhar para os concelhos vizinhos como uma alavanca de desenvolvimento. O concelho de Nelas não tem condições para continuar a apostar no seu desenvolvimento isolado – deixou-se ultrapassar – quanto mais para um desenvolvimento sectário dentro de portas. Daí a necessidade de trabalhar em conjunto com os concelhos vizinhos – falo principalmente de Viseu, Mangualde e Carregal do Sal.  Os concelhos de Viseu e de Mangualde estão a crescer e não podem ficar alheios à capacidade do concelho de Nelas como elemento de desenvolvimento da região centro e do distrito de Viseu. Assim, Nelas tem de aproveitar a sua centralidade, o seu posicionamento geográfico,  a ligação com a Serra da Estrela, o futuro troço dos IC’s.

Garantir o pleno usufruto do potencial que a região possui, do potencial das novas infra-estruturas rodoviárias projectadas, do potencial da proximidade à Serra da Estrela, do potencial da proximidade e futura acessibilidade melhorada ao grande, senão o maior, pólo de desenvolvimento do interior na actualidade, Viseu.

Dentro de portas a atitude também tem de mudar. É necessário um novo rumo. Para um município com um futuro sustentável e rentável a actividade cultural deve ser objectiva e promovida de encontro à capacidade de desenvolvimento e continuidade, aliando as bases tradicionais ao potencial de desenvolvimento. Quero dizer que todo o financiamento camarário a actividades culturais deve ser garantido por prioridades e distribuição de riqueza. Santar é, obviamente, o pólo de produção de vinho no concelho logo é lá, em Santar, que deve ser construído o falado museu do vinho, é lá que deve decorrer a feira do vinho do município. Canas de Senhorim é, obviamente, o pólo do Carnaval, a raiz do Carnaval no concelho, é reconhecido no país como um dos Carnavais mais antigos e mais tradicionais logo é  lá, em Canas, que deve ser financiada essa actividade, a promoção do Carnaval no concelho de Nelas não deve passar além da promoção do Carnaval de Canas de Senhorim. A nível desportivo é impossível continuarmos a ter três clubes  de topo regional financiados directamente pela autarquia, quanto mais suportar os devaneios de uma gestão danosa, tal como a do SL Nelas. Cabe aos munícipes condenar estes actos, cabe a autarquia gerir e alcançar consenso das várias partes, dos vários clubes e dos munícipes quanto à prioridade de financiamento, quanto à inclusão de novos desportistas no clube do concelho, quanto à garantia de um único clube, o clube do concelho para a promoção da região e para a promoção do desporto na região. Deve priorizar-se uma aposta atirando os restantes clubes para a promoção do desporto, formação de novas promessas – tornando-os pilares de uma equipa forte e rentável do concelho que só trará benefícios à região e promove o encontro e consenso entre os munícipes.

São meros devaneios de alguém que não percebe nada de gestão autárquica mas que é suficientemente perspicaz para perceber que, com gestões camarárias como as que tivemos até hoje, o concelho de Nelas vai ser relegado para a terceira divisão e invariavelmente vai ver a sua população fugir!

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Uma reformazinha de Manuel Alegre Sempre a mesma história!

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