+ Saúde 9

Junho 15, 2010 at 12:53 am Deixe um comentário


Artigo publicado na edição n.º 138 do Jornal Canas de Senhorim

Gota, Ácido Úrico ou Gota Úrica

Quem ainda não ouviu falar de ácido úrico? Sobejamente reconhecida pela população importa, ainda, esclarecermos alguns pontos essenciais no tratamento, na promoção da saúde e no combate a esta doença. Consta que a gota afecta cerca de 50000 pessoas em Portugal, é muito mais frequente nos homens (em cada 10 doentes, 9 são homens) e surge maioritariamente entre os 30 e os 50 anos de idade. Pensa-se que a prevalência da doença tem vindo a aumentar associada ao aumento de qualidade de vida nos países ocidentais.

É uma doença causada por uma predisposição herdada para a hiperuricémia – excesso de ácido úrico no sangue. Conhecida pela sintomatologia de crises dolorosas, bastante dolorosas até, localizadas principalmente ao nível das articulações do dedo grande do pé mas que também podem afectar a articulação do joelho e do tornozelo. Para além da dor, estas crises são normalmente acompanhadas de tumefacção, calor e rubor localizados.

Estas crises são agudas, limitadas – duram alguns dias – o seu início é normalmente nocturno e o intervalo entre as crises leva a que o doente tenha uma falsa sensação de cura, o que o leva a cometer alguns exageros.

Apesar de ser uma doença que se manifesta por períodos de tempo limitados, devemos ter em conta complicações que podem surgir caso não seja tratada. Ao longo do tempo, o ácido úrico pode acumular-se ao nível das cartilagens da orelha, de articulações como as dos cotovelos, punhos, mãos, joelhos e/ou pés. Esta acumulação, estes depósitos de ácido úrico chamam-se tofos daí que, nesta fase, a doença seja também conhecida como gota tofácea. De igual modo, sem tratamento, a acumulação de ácido úrico pode afectar o rim originando lítiase renal vulgo pedra no rim ou causar nefropatias, isto é, uma diminuição da função renal, por vezes de tal modo grave, que pode obrigar os doentes a efectuarem hemodiálise crónica.

Passamos então ao tratamento realçando que o doente deve conhecer os factores precipitantes das crises para que, sempre que possível, os evite. Entre eles posso destacar as emoções, grandes esforços físicos, cirurgias – mesmo que pequenas como a remoção de um dente -, doenças infecciosas e, o mais relevante, os desvios alimentares com ingestão excessiva de carne (especialmente de porco) e de bebidas alcoólicas.

O tratamento da gota é diferente nos períodos de crise e nos períodos entre as crises. Assim sendo, o tratamento das crises agudas consiste em repouso, aplicações de frio nas articulações afectadas e colchicina ou anti-inflamatórios não-esteróides (AINE). A opção de tomar medicamentos ou a escolha entre a colchicina e os AINE deve ser efectuada pelo seu médico de família. Como complemento a esta terapia comum o doente deve efectuar refeições ligeiras, à base de vegetais, frutos e leite excluindo em particular as gorduras e o álcool. No entanto o tratamento não fica por aqui.

Para excluir o aparecimento de complicações, como as que referi acima, o doente deve fazer um tratamento de base durante toda a sua vida – um tratamento que anule a causa central da doença, ou seja, impeça o excesso de ácido úrico no sangue. Este tratamento passa por uma dieta cuidada e pela administração de medicamentos uricorreguladores. O combate ao excesso de peso é fundamental. Evitar o álcool e as gorduras animais – principalmente a carne de porco, cerveja, aguardente, conhaques, vinho do Porto, o champagne, o whisky e o gin -, excluir alimentos ricos em purinas (carne de caça, vísceras de animais e conservas devem ser proibidos). É aconselhável a ingestão de 1,5 a 2 litros de água por dia, tendo em conta que no verão a quantidade necessária é superior.

Para terminar, importa salientar que, se no decorrer do tratamento de base ocorrerem crises agudas de gota, o doente não deve parar de tomar os medicamentos aconselhados pelo médico e deve, concomitantemente, efectuar a terapia de crise aguda, como já referi, aplicação de frio e AINE. Isto porque ao pararmos os medicamentos reguladores do ácido úrico no sangue, o mesmo eleva-se rapidamente provocando depósitos nas articulações originando novas crises agudas, daí a necessidade de o doente tomar durante toda a vida o medicamento prescrito para esse efeito.

Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via electrónica para danyelrodrigues@gmail.com.

Daniel Rodrigues

Entry filed under: + Saúde (Jornal Canas). Tags: .

Sim, basta. Da selecção…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Questionário

Memorando

Interlocutores

  • 120,557 Questionaram

%d bloggers like this: