+ Saúde 12

Agosto 31, 2010 at 3:12 pm 1 comentário


Artigo publicado na edição n.º 141 do Jornal Canas de Senhorim

[A publicação do + Saúde 11 será feita à posteriori devido a problemas de hardware.]

Obesidade

Sabia que a obesidade é, hoje em dia, um dos mais sérios problemas de saúde pública, em todo o mundo? Sabia que em Portugal, os custos diretos com a obesidade, absorvem 3,5% (dados da DGS) das despesas totais da saúde, uma despesa consideravelmente maior se atendermos à panóplia de patologias, direta ou indiretamente, causadas pela obesidade.

Cerca de 20% da população europeia é obesa, o que se torna preocupante, sobretudo quando se considera a sua incidência na população infantil e nos estratos socioeconómicos mais desfavorecidos. Em Portugal o cenário não é mais favorável, 50% da população portuguesa adulta sofre de excesso de peso e 15% desta é obesa. Somos dos países europeus com maior prevalência de obesidade infantil: 32% com excesso de peso, 11% considerados obesos.

O mecanismo da obesidade é devido, prioritariamente, a um desequilíbrio entre a quantidade de energia que ingerimos e a que consumimos. Nos países do Norte temos esse problema, comemos realmente mais do que devemos. Essa energia consumida é transformada em células adiposas (“gordas”) e se não consumirmos essa energia as células adiposas não são destruídas acumulando-se o tecido adiposo (“a gordura”). A génese da obesidade deve-se, pois, a sucessivos balanços energéticos positivos, em que a quantidade de energia ingerida é superior à quantidade de energia gasta pelo organismo.

A quantidade de calorias que necessitamos varia de acordo com a idade, sexo e atividade física. Existe, no entanto, uma forma rápida e fácil de avaliarmos a nossa condição física. Falo do Índice de Massa Corporal (IMC). O IMC é o padrão de medida para a obesidade e obtêm-se pela divisão do peso expresso em Kg e o quadrado da altura avaliada em metros. Quanto maior for o IMC maior o índice de morbilidade e mortalidade da pessoa em causa. O seu IMC deve situar-se entre 18,5 e 24,9 (valores da OMS) – calcule-o ou peça ajuda ao seu enfermeiro ou médico de família, estabeleça metas para perder peso e cumpra-as gradualmente.

Como disse, o excesso de peso e a obesidade conduzem a uma panóplia de sintomas isolados que criam desconforto no dia a dia, como, por exemplo, o cansaço fácil, a transpiração excessiva, dores osteoarticulares e musculares, resultantes apenas do efeito da força da gravidade, sem patologia alguma subjacente. No entanto, o efeito da obesidade não fica por aqui. Ela predispõe à hipertensão arterial, ao aumento dos níveis de triglicéridos e colesterol. Ela é responsável por um risco 3 ou 4 vezes mais elevado de angina de peito, enfarte de miocárdio e morte súbita, e de acidente vascular cerebral. Ela contribui para o desenvolvimento da diabetes mellitus. É suficientemente assustador? Penso que sim, mas se não está convencido posso ainda falar de outros prejuízos para a saúde. A apneia do sono e dificuldades respiratórias, osteoartroses e artrites, distúrbios psicossociais e emocionais acompanhados de depressão, ansiedade e diminuição de autoestima, ocasionados pela rejeição social, num contexto social que, cada vez mais hipócrita, supervaloriza a estética, são também consequências desta «epidemia».

A prevenção e o controlo da obesidade é a solução, por vezes única, para muitos problemas. E como? Só com a mudança de estilo de vida, e esta mudança assenta em três pilares fundamentais: alimentação, exercício físico e programas de educação para a saúde.

A sua alimentação deve ser equilibrada e nutritiva, deve reduzir o consumo de calorias (em particular no que diz respeito à ingestão de açúcares – bolos, biscoitos, bolachas – e gorduras/fritos), dando preferência ao consumo de hidratos de carbono complexos (o pão escuro, rico em sementes, cereais, arroz, massas, de preferência integrais). Troque o óleo pelo azeite. Reduza o consumo de carnes gordas (porco, borrego, cabrito) e carnes vermelhas. Não abuse de ovos. Prefira o consumo de carnes brancas (frango, perú, peixe e coelho). Utilize dietas cada vez mais ricas em cereais, produtos vegetais frescos, alimentação variada e com produtos naturais. Evite o consumo de álcool e refrigerantes, preferindo água em abundância ou chás e sumos naturais, sem adição de açúcar. Reduza sempre o consumo de sal, optando por ervas aromáticas e especiarias na confeção dos alimentos. Por fim, não esqueça a importância de fazer pelo menos cinco refeições diárias em pequena quantidade e uma primeira refeição equilibrada logo após o acordar.

Quanto a atividade física e desportiva deve praticar, pelo menos, 30 minutos de atividade física moderada – de preferência diariamente, desde marcha, jogging, subida de escadas a cicloturismo e natação, a variedade facilita a escolha. Ninguém é demasiado idoso para iniciar exercício físico, no entanto, se é portador de alguma patologia coronária, pulmonar e/ou motora deve aconselhar-se com o seu médico assistente.

Quanto a educação para a saúde é urgente desenvolver estratégias para o ensino de atitudes positivas relacionadas com os hábitos de vida saudáveis envolvendo toda a família. Adotar leis, regras formais e informais que orientem os comportamentos individuais e coletivos, como a distribuição de alimentos saudáveis nas escolas e cafés, a preços inferiores aos praticados noutros locais. Incentivar a leitura da informação nutricional dos produtos alimentares a consumir. Incentivar a redução do uso de consolas eletrónicas, computador e televisão, combater o sedentarismo e promover a atividade física.

A obesidade não é um problema individual, é um problema social e deve ser analisado como tal, combater a obesidade é, atualmente, um desafio multisectorial. Só através de uma ação concertada, bem estruturada, envolvendo todos os atores interessados, se poderá mudar algo. Deste modo o tempo de atuar está em contagem decrescente. É hora de mudar hábitos de vida, o Estado, a sociedade civil e ONG’s, o setor privado, os profissionais de saúde, organizações locais, nacionais e internacionais, devem concertadamente desenvolver ações com a participação ativa da sociedade.

Só assim podemos formar e informar a opinião pública.

[Escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.]

Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.

Daniel Rodrigues

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