+ Saúde 14

Novembro 8, 2010 at 11:57 pm Deixe um comentário


Artigo publicado na edição n.º 143 do Jornal Canas de Senhorim

Cancro da Mama

Nesta edição farei a abordagem a uma condição eminentemente drástica na vida das mulheres. O cancro da mama. Uma condição a que qualquer mulher pode vir a ser sujeita é de todo relevante e carece de discussão. Digo condição e não doença, patologia ou transtorno, com o intuito de relevar todo o conjunto de fatores individuais, biológicos ou não, fatores sociais e ambientais, e até fatores profissionais diretamente afetados por esta patologia.

Com particular destaque para um fim, muitas vezes inevitável, a mastectomia (vulgo extração da mama). A mastectomia, por si só, não menosprezando todas as fragilidades e perturbações causadas pelo cancro da mama, é causadora de um sem número de problemas na vida das mulheres no rescaldo da luta contra o cancro da mama. Sejam questões estéticas apenas e no princípio, transformam-se em distúrbios mentais, problemas relacionados com o trabalho (especialmente em trabalhos onde a questão estética é valorizada, em alguns casos essencial). Toda esta realidade pode tornar a vida de uma mulher um caos e abalar toda a sua estrutura, seja familiar, profissional e/ou social.

Se isto acontece à posteriori, temos de mudar alguma coisa à priori. É na prevenção que temos de atuar, é na sensibilização que temos de apostar. Existem ainda muitas questões de cariz sexual relacionadas com a prevenção e diagnóstico precoce desta e doutras patologias que comprometem a eficácia e multiplicação do diagnóstico precoce graças a preconceitos estabelecidos que importa derrotar.

O diagnóstico precoce do cancro da mama é fundamental, pois aumenta as hipóteses de cura. Evita que o cancro se espalhe para outras partes do corpo, favorecendo o prognóstico, a recuperação e a reabilitação. Para isto é importante que as mulheres façam o autoexame das mamas mensalmente, após o período menstrual; consultem um ginecologista uma vez por ano; e participem em programas de rastreio.

As mulheres devem tomar consciência desta necessidade, devem esquecer os preconceitos sexuais porventura associados à palpação da mama e ao aconselhamento médico acerca de patologias relacionadas com órgãos de cariz sexual. Tudo isto é ridículo quando comparado com os grandes problemas que podem advir de um diagnóstico tardio do cancro da mama, em particular, e de outras patologias, de um modo geral (a título de exemplo, estas barreiras também devem ser ultrapassadas no combate ao cancro do colo do útero, entre outros).

Saiba que o cancro da mama apresenta-se como uma massa dura e irregular que, quando palpada, se diferencia do resto da mama pela sua consistência. Recorrendo ao apanágio, ‘prevenir é o melhor remédio’. Nada tão certo quanto isso.

Porventura já repararam que, nesta edição, não optei pela abordagem comum às patologias. Não falarei acerca da caracterização da doença, o seu diagnóstico, o seu tratamento, entre outros elementos; aos quais costumo dedicar este espaço. Isso é trabalho seu.

Procure, aprenda, conheça.

Consulte os profissionais de saúde próximos de si, sejam familiares e/ou amigos, pode começar por eles e posteriormente recorrer ao seu médico e/ou enfermeiro de família, se isso a faz sentir melhor e menos inibida. Procure questioná-los quanto ao acompanhamento necessário para um diagnóstico precoce do cancro da mama, peça uma explicação quanto ao autoexame, reitere a necessidade de efetuar algum exame complementar.

Ignorar o risco que corre é uma atitude irresponsável. Não acha que a sua vida vale o esforço?

Incluir o seu companheiro no processo de prevenção é bastante vantajoso, não o exclua e sinta o seu apoio, concerteza a atitude do seu companheiro irá transmitir-lhe segurança e conforto. Peça-lhe para a acompanhar às consultas, tal como faria noutras situações.

Por fim, faça-me um pequeno favor:

Torne o autoexame da mama um tema de conversa, seja na rua, numa mesa de café, em casa ou no trabalho. Pode ser?

Como sabem outubro é o mês dedicado a marcar a prevenção contra este flagelo para a saúde pública, eu prefiro que sejam todos os doze meses do ano.

[Escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.]

Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.

Daniel Rodrigues

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Susceptibilidades. Transsexual.

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