+ Saúde 20

Junho 13, 2011 at 10:00 pm Deixe um comentário


Artigo publicado na edição n.º 149 do Jornal Canas de Senhorim

Acidente Vascular Cerebral

Acidente Vascular Cerebral cada vez mais em gente jovem”. “A cada 30 minutos morre um português vítima de AVC”. “Uma em cada seis pessoas terá um AVC ao longo da vida. Pode ser você.”

São frases que porventura farão parte do seu quotidiano ou deveriam fazer. Títulos, manchetes e lemas serão sempre escassos para a prevenção do Acidente Vascular Cerebral (AVC).

No passado dia 31 de março assinalou-se o Dia Nacional do Doente com AVC. Importa lembrar que o AVC é… nada mais nada menos que a principal causa de morte em Portugal.

O AVC acontece quando as células cerebrais morrem ou deixam de funcionar normalmente porque lhes falta o oxigénio e os nutrientes por bloqueio do fluxo de sangue, ou porque uma artéria se rompe. Como o cérebro controla as funções corporais em áreas específicas, se o AVC afetar a área que controla os movimentos do corpo do lado direito, esse lado do corpo vai ficar paralisado. Além disso, é no cérebro que se processa o controlo de ações nobres como comunicar, sentir, pensar, as quais também podem ficar afetadas.

Existem vários tipos de AVC, o que é irrelevante para a prevenção dos mesmos e é nesse ponto que vou debruçar-me. Antes de mais quero salientar quais os sinais de alerta de AVC. Boca ao lado, perda de força no braço e dificuldade em falar, constituem um quadro alarmante, nesse sentido sempre que verifique esta situação deve imediatamente contactar o 112.

Os efeitos do AVC podem ser nefastos. Sabemos que dependem da parte do cérebro que ficou afetada, da gravidade da lesão, do estado geral de saúde na altura e da possibilidade de tratamento emergente. Quanto maior for a área cerebral afetada – lembrem-se que ela aumenta quanto maior for o tempo entre o início do AVC e a prestação de cuidados emergente – pior o prognóstico, visto que pode ocorrer o atingimento de áreas vitais no cérebro; a situação é ainda mais grave quando associadas complicações: pneumonias ou outras infeções, embolias noutros locais, arritmias cardíacas. Tudo isto pode terminar em morte da pessoa.

Para prevenir a primeira vez o essencial é ter um estilo de vida saudável, com exercício físico regular, uma alimentação equilibrada, pobre em sal, açucares e gorduras saturadas, mantendo peso adequado, consumir álcool apenas de forma ligeira, não fumar. Deve procurar o seu médico de família para vigiar e controlar regularmente a tensão arterial, a diabetes, o colesterol e o ritmo cardíaco, com a realização de eletrocardiograma.

Por outro lado, para prevenir a recorrência recomenda-se manter os cuidados que referi acima e também, se o AVC for isquémico, tomar antiagregante plaquetário, como o ácido acetilsalicílico, ou outros que o seu médico aconselhar (para que seja mais difícil a formação de trombos), em algumas situações, como nas arritmias cardíacas, é necessário tomar um anticoagulante, como a varfarina, para evitar a formação de coágulos. Pode estar indicado tratar estenoses (apertos) nas artérias que vão para o cérebro, como as carótidas, para facilitar a circulação e evitar que se soltem pequenos êmbolos dessas zonas mais apertadas.

Alguns conselhos para uma atuação eficaz quando presenciar um AVC.

Se observar alguém que, de forma súbita, fica com a boca ao lado, menos força num braço, dificuldade em falar ou em ver para um dos lados, deve deitá-lo de lado, certificando-se que respira bem, ligue 112 e calmamente responda às perguntas que lhe forem colocadas. Deve referir a hora exata em que ocorreu, obter os dados possíveis sobre a história médica da pessoa: a presença de outras doenças, os hábitos (tabágicos, alcoólicos e alimentares) e medicação habitual, etc.

É extremamente importante identificar estas situações o mais brevemente possível. Atualmente, o sistema de emergência médica tem em funcionamento a Via Verde do AVC, este sistema permite que quando um AVC é detetado pode ser encaminhado o mais rapidamente possível para um centro de tratamento específico e adequado ao caso, melhorando consideravelmente o prognóstico da situação.

Falemos um pouco na reabilitação de um AVC.

Após a fase aguda inicia-se o processo de reabilitação que inclui a participação de vários profissionais de saúde (enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, etc) com vista ao restabelecimento na melhores condições das capacidades motoras, físicas, nutricionais e psíquicas do doente.

Neste capítulo é fundamental a cooperação do doente e familiares, com doses acrescidas de paciência e determinação. O doente com AVC deve ser estimulado continuamente para reintegrar a vida familiar, social e profissional, ainda que com limitações. Pode ser necessário, por exemplo, adaptar a casa de banho, mudar o quarto de dormir para o andar de baixo, passar a usar calçado que aperte com velcro (em vez de cordões), calças com elástico na cintura (em vez de fecho), camisas com molas (em vez de botões).

Agora resta-nos lutar contra a estatística.

[Escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.]

Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.

Daniel Rodrigues

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