Paulo Macedo

Junho 19, 2011 at 1:02 am Deixe um comentário


Um gestor a gerir a Saúde.

A primeira impressão que esta nomeação me transmite é a futura gestão ainda mais economicista na saúde e uma viragem catastrófica ao setor privado. No entanto, ponderando surgem algumas esperanças.

O Ministério da Saúde foi, maioritariamente, liderado por médicos e o Serviço Nacional de Saúde tem vindo, ano após ano, a aumentar o seu peso na balança da despesa. As dificuldades de gestão do setor são evidentes, seja pela estratégia de saúde adotada, pelos corporativismos instalados, pela alienação do setor a parcerias público-privadas e a constante política subsidiária do setor privado na saúde ou ainda pela promiscuidade da relação entre a indústria farmacêutica e determinados profissionais de saúde, ambos fatores de insustentabilidade e aumento da despesa senão direta, indiretamente.

Algumas políticas de saúde do anterior governo mostraram o caminho a seguir. A política do medicamento, a reestruturação das unidades hospitalares e redes de referenciação, a prescrição médica eletrónica, a gestão de recursos no transporte de doentes, entre outras, são medidas a aprofundar e aperfeiçoar. O trabalho de implementação das unidades de saúde familiares está no bom caminho mas a exploração de todo o seu potencial preventivo, e lembro que falamos em cuidados de saúde primários, é ainda baixa – aumente-se a autonomia dos enfermeiros (o profissional mais conceituado a lidar com a prevenção da doença e a promoção da saúde, o responsável pelas unidades de cuidados na comunidade)!

Para o futuro teria o prazer de aplaudir este ministro caso o caminho a enveredar fosse o da prevenção, o da aposta nos cuidados de saúde primários; e o da reabilitação e da aposta nos cuidados continuados. Os cuidados hospitalares têm, podem e devem ser racionalizados, os meios complementares de diagnóstico têm de ser estritamente protocolados de acordo com o diagnóstico diferencial a efetuar, os cuidados a prestar a um utente devem ter em conta a sua idade e a efetiva melhoria de qualidade de vida inerente.

É possível potenciar o rendimento dos profissionais de saúde no ativo do SNS, sejamos claros, pode doer mas constitui um dever de todos os profissionais e um direito de todos os cidadãos. Os enfermeiros contribuem há muito para a poupança, chegou a hora de bater na porta ao lado.

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Saramago Golpe

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