Brincar com o fogo.

Julho 25, 2011 at 12:17 am Deixe um comentário


No capítulo Finanças Públicas e Desenvolvimento, sub-capítulo Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, ponto Florestas, página 48 do programa do XIX Governo Constitucional rezam assim os objectivos estratégicos (imagem adaptada):

Se continuarmos a leitura do documento alcançamos as medidas a executar para tais objectivos estratégicos, passo a citar:

Para garantir o equilíbrio do tecido florestal e combater o fraccionamento que leva ao seu abandono, o Governo compromete-se a promover o associativismo florestal, o emparcelamento funcional e a gestão colectiva. Nesse sentido, o Governo irá redinamizar as ZIFs (zonas de intervenção florestal) com consistência e atractividade. O Governo fará o indispensável cadastro florestal e empenhar-se-á na criação de um mecanismo de segurança e de gestão de riscos, com o apoio da União Europeia e em conjunto com as seguradoras, para reduzir substancialmente os riscos de incêndios florestais. O Governo assume como verdadeiras prioridades combater o declínio dos povoamentos suberícolas, bem como envidar todos os esforços para o combate ao nemátodo do pinheiro. O Governo empenhar-se-á no aproveitamento do PRODER para a floresta, actualmente com um grau de aproveitamento verdadeiramente residual.

Intui-se que para ‘quebrar o ciclo vicioso dos incêndios’ não necessitamos de nenhuma intervenção no sector do combate da responsabilidade dos bombeiros.

Continuando, temos na página 69 do referido documento o seguinte item relativo às medidas na área da Administração Interna:

Posto isto, temos que nem os bombeiros nem as florestas constituem uma prioridade para este governo. Os próximos quatro anos o dirão.

Profissionalização do sector? Aumento da componente profissional do dispositivo de combate a incêndios? Dotação dos corpos de bombeiros com equipas de intervenção permanente?

Nenhum deste pontos é efectivamente abordado. Os próximos quatro anos, na pior das hipóteses, serão mais do mesmo. O sector continua precário e o número de mortes resultantes do combate a incêndios florestais continuará a aumentar. A floresta continuará esquecida como recurso económico forte mas ostracizado.

Poderá ser uma novidade para muitos, uma vergonha para outros, um hábito para alguns. Os incêndios florestais, em Portugal, combatem-se na sua grande maioria por adolescentes ou jovens, estudantes e/ou desempregados, muitas vezes sem equipamento de protecção individual adequado e com formação escassa a título de voluntariado. Pior que isto, os responsáveis directos pelo sector estão-se marimbando já que são os únicos com condições adequadas para exercer o seu papel e aqueles a quem não imputadas responsabilidades pelos erros cometidos graças às terríveis condições atmosféricas que provocram mais uns milhares de hectares de terra queimada ou graças a condições mecânicas de um veículo que terão provocado um aparatoso acidente.

A relação custo-eficiência do sector é um autêntico escândalo mascarado. Se todos os bombeiros voluntários de Portugal recusassem prestar o trabalho voluntário enquanto não lhes fossem garantidas todas ‘as condições adequadas ao desempenho da sua actividade’ e cito o programa de Governo, nos próximos quatro anos não teríamos floresta.

Adenda:

No programa de Governo a palavra ‘bombeiros’ é referida tantas vezes quanto o é nesta frase. É precisamente aquela que está referida na segunda imagem (adaptação de excerto do programa).

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Curtas. ‘Uns anjinhos ou muito pior’

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