+ Saúde 25

Julho 20, 2012 at 3:30 am Deixe um comentário


Artigo publicado na edição n.º 155 do Jornal Canas de Senhorim

Alcoolismo

O alcoolismo é um problema de saúde pública que não deve ser menosprezado. Abordo-o neste espaço com o intuito de sensibilizar a população para o crescente risco de problemas associados ao consumo de álcool inerente ao aumento desse consumo fruto das condições socioeconomicas atuais.

A emergência do álcool ou etanol em todas as civilizações, apesar de algumas religiões, como o Islão, a terem restringido ou proibido, remonta ao Neolítico associada ao surgimento da agricultura. Mais tarde, o álcool acaba por adquirir um caráter religioso transversal i.e. no espaço greco-latino com Dionísio e Baco, nos Aztecas, na religião familiar chinesa, no Hinduismo e até na liturgia cristã com presença constante.
O universalismo do consumo do álcool é, desde aí, uma realidade e o marcado caráter social desta substância e a grande aceitação de que goza, permitem catalogar como sendo normais alguns padrões de consumo que, na realidade, são claramente exagerados.

É deste exagero que surgem uma série de consequências adversas. Oferecendo uma sensação inicial de euforia e desinibição – bloqueia o funcionamento do sistema cerebral responsável por controlar as inibições – o consumo do álcool torna-se bastante atrativo no contacto social. Mas não podemos esquecer o reverso da medalha.
Com inibições reduzidas o indivíduo detém uma falsa segurança em si mesmo que o poderá levar, em determinadas ocasiões, a adotar comportamentos de risco e/ou perigosos. À sensação inicial de euforia e de desinibição, segue-se um estado de sonolência, visão turva, descoordenação muscular, diminuição da capacidade de reação, de atenção e compreensão, fadiga muscular, etc.
O resultado é franca e frequentemente negativo. Os acidentes rodoviários merecem destaque especial já que uma grande parte deles está diretamente relacionada com o consumo do álcool e, indiretamente, o consumo do álcool constitui a primeira causa de morte entre os jovens.
Para além dos efeitos nefastos que já  referi, o excessivo consumo de álcool produz acidez no estômago, vómitos, diarreias, sede, dor de cabeça, desidratação, falta de coordenação, lentidão dos reflexos, vertigens e/ou visão dupla e perda do equilíbrio. Em casos  mais graves pode mesmo levar a uma depressão respiratória, ao coma e eventualmente à morte.
Mas não ficamos por aqui. Cingi-me até agora aos efeitos de curto prazo, no entanto, a longo prazo, o consumo repetido de álcool provoca patologias em diversos órgaos do nosso organismo. Vejamos que a função cerebral é deteriorada; ocorrem alterações cardíacas e sanguíneas como a miocardite, anemia e diminuição do sistema imunitário; é frequente ocorrer hepatite e cirrose hepática;  ao nível do estômago podem ocorrer úlceras e/ou gastrite; inflamação do pâncreas  ou pancreatite; ao nível do intestino podem ocorrer transtornos na absorção de nutrientes; entre as perturbações psíquicas podemos destacar a irritabilidade, a insónia, os delírios por ciúmes, as ideias de perseguição e, ainda mais graves, as encefalopatias com demência alcoólica.

Posto isto, deixo um apelo a todos. Detetar situações de alcoolismo crónico, admitir um estado de dependência e/ou procurar ajuda é fundamental para possibilitar o tratamento, só quando a pessoa decide procurar ajuda é possível iniciá-lo.

Existe na região centro do país uma unidade especializada, a Unidade de Alcoologia do Centro (UAC) sob a alçada do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT). É relativamente fácil aceder a ela e iniciar o tratamento através de uma primeira consulta de avaliação. A consulta pode ser marcada pessoalmente ou por telefone, das 8h30 às 16h nos dias úteis, sendo totalmente gratuita (isenta de taxa moderadora). Para a primeira consulta deve fazer-se acompanhar de alguns documentos, tais como, cartão do cidadão ou bilhete de Identidade, cartão de utente, cartão do subsistema de saúde a que pertence e boletim de referência do médico de família (vulgo Credencial – modelo P1) entre outros documentos e/ou análises e exames clínicos relevantes que disponha.

Nesta unidade pode usufruir de acompanhamento especializado e da modalidade de tratamento mais eficaz, individual e gratuita. A UAC situa-se dentro do espaço físico do Hospital Sobral Cid, na Conraria em Coimbra.
Deixo-vos o contacto telefónico – 239 793 710 – e o email –  secretariado@crac.min-saude.pt – para que possam, caso seja necessário procurar o apoio devido.

Não pense que este é um problema dos outros quando todos dizem o contrário!

[Escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.]

Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.
Daniel Rodrigues

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