+ Saúde 26

Julho 20, 2012 at 3:36 am Deixe um comentário


Artigo publicado na edição n.º 156 do Jornal Canas de Senhorim

Tabagismo

Sabia que o consumo de tabaco é a principal causa de doença e de mortes evitáveis?

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), morrem anualmente cerca de 4,9 milhões de pessoas, em todo o mundo, devido ao tabagismo. Se a epidemia – é disso que se trata – não for travada, estima-se que, em 2020/30, esse número chegará aos 10 milhões de pessoas por ano.
O tabagismo está associado a: um terço de todos os casos de cancro; 90% dos casos de cancro do pulmão; cancro do aparelho respiratório superior (lábio, língua, boca, faringe e laringe); cancro da bexiga, rim, colo do útero, esófago, estômago e pâncreas; doenças do aparelho circulatório, das quais a doença isquémica cardíaca (25%); bronquite crónica (75-80%), enfisema e agravamento da asma; irritação ocular e das vias áreas superiores.
Uma vez iniciado, o consumo do tabaco, rapidamente se transforma em dependência (física e psíquica), provocada por uma droga psicoativa – a nicotina – presente na folha do tabaco. Efetivamente estamos perante uma dependência e devemos tratá-la como tal.
Podia continuar a ocupar este espaço enumerando os riscos, os prejuízos e as doenças associadas ao tabagismo?
Podia, mas não vou por aí.

Todos estamos fartos de saber que o tabaco mata, que o tabaco prejudica, que o tabaco impede, que o tabaco isto e que o tabaco aquilo. Importa refletir nas vantagens da privação ao invés de continuar a insistir nas consequências do uso.
Deste modo, caro leitor, se fuma esteja atento às seguintes objeções.
– Após oito horas, os níveis de monóxido de carbono no organismo baixam e os de oxigénio aumentam;
– Passadas 72 horas, a capacidade pulmonar aumenta e a respiração torna-se mais fácil;
– Com cinco anos de abstinência do tabaco, o risco de cancro da boca e do esófago é reduzido para metade;
– Ao final de dez anos, o risco de cancro do pulmão é já metade do verificado em fumadores, e o de outros cancros diminui consideravelmente.
– Após 15 anos de abstinência, o risco de doença cardiovascular é igual ao de um não fumador do mesmo sexo e idade.
– Parar de fumar diminui o risco de morte prematura.
São motivos bastantes para parar, pensar e tentar deixar de fumar. Se ainda não está convencido, não tem a sua saúde em boa conta ou, por outro lado, a sua dependência é tal que esta lista não é suficiente para a tentativa de privação, ainda tenho mais alguns motivos para lhe oferecer. Sejam eles a aparência renovada, um hálito mais fresco ou um travão ao envelhecimento precoce.

Bem, e dinheiro? Pensemos no dinheiro. Fuma um maço de tabaco por dia, certo? Então veja, um maço de tabaco ronda, atualmente, os 3,5€, ao fim do mês gastou em média aproximadamente 107€, sabe o que poderia fazer com esse dinheiro? Imagino que sim. Mas não fiquemos por aqui, multiplique esse valor – 107€ – por 12 e chegará à módica quantia de 1284€. É essa – mil duzentos e oitenta e quatro euros – a quantia anual que dispende em tabaco. A grande maioria dos portugueses não aufere essa quantia mensalmente ou sequer em dois meses ou até três. As últimas notícias da austeridade indicam-nos mais um aumento no imposto sobre o tabaco portanto este valor está ainda subvalorizado quando as mesmas notícias nos dizem que o nosso salário emagrecerá cada vez mais.
Acha necessário listar-lhe a quantidade de coisas que podia fazer com esse dinheiro? Julgo que não.
Passemos à fase seguinte. Como deve ter reparado, ao longo deste texto, nunca disse “deixe de fumar”, ou “pare de fumar”, ou “não fume”. O tabagismo deve ser tratado como aquilo que é – uma dependência -, e, acredito, as dependências não se tratam com imposições mas sim com incentivos, apoio e suporte na reabilitação. Para isso disse “tente parar de fumar”. Ao contrário do estereótipo, grande parte dos fumadores não fuma por prazer, ou já não fuma por prazer mas sim para colmatar uma necessidade física e psíquica do seu corpo. Se fuma percebe isso melhor que ninguém. Percebe que após uma discussão acalorada sente uma enorme vontade de fumar um cigarro, percebe que antes de um momento de avaliação precisa de fumar cigarro atrás de cigarro, percebe que durante momentos de pressão está constantemente a fumar. Sim, esta é a realidade de qualquer fumador.
E como vamos ultrapassar isto caro leitor/fumador?
É fundamental ter presente os motivos pelos quais deve deixar de fumar, faça uma lista onde constem todos os benefícios em saúde e todos os objetos ou objetivos que conseguiria adquirir ou alcançar com o dinheiro que pouparia deixando de fumar. Pegue nessa lista e afixe-a em local bem visível no seu frigorífico, na sua casa, no seu carro, no seu local de trabalho, etc.
Marque um dia para deixar de fumar e crie esse compromisso associando-lhe um motivo principal. Anuncie aos seus familiares, amigos e colegas de trabalho, no sentido de estes poderem ajudá-lo neste compromisso.
Identifique quais os momentos em que fuma mais e tente contorná-los. Esses momentos duram apenas alguns minutos, se conseguir resistir a vontade passará. Evite permanecer em locais onde existam pessoas a fumar e não entre em contacto com o tabaco ou outros objetos relacionados com o vício.
Pode colocar o dinheiro que gastaria no tabaco num mealheiro exclusivo e, com esse dinheiro, comprar algum objeto que gostaria de adquirir há muito tempo.
Pratique atividade física, é certo que ela ajuda não só a uma boa forma física como, também, diminui a ansiedade e as alterações de humor próprias de um ex-fumador.
Por fim, procure aconselhamento médico. Existem consultas de cessação tabágica em vários centros de saúde, aí pode usufruir de apoio especializado.
Se não conseguir à primeira, tente a segunda, tente a terceira, tente a quarta. Mais tarde ou mais cedo irá conseguir.
———————–
Declaração de interesses:
Foi com estupefação que assisti, recentemente, a declarações do Bastonário da Ordem dos Médicos que sugeriam o incentivo ao tabagismo jutificando tal barbaridade com o aumento da receita do Estado através do imposto sobre o consumo de tabaco. A gravidade de tais declarações não assenta apenas na irresponsabilidade do incentivo a práticas que matam mas também, e não menos importante, ao total desrespeito pelo fumador, pela sua saúde e pela sua situação económica que tal atitude demonstrou. Como disse anteriormente, e este representante de uma instituição que deve defender a saúde pública bem o sabe, os fumadores podem não ser obrigados a começar a fumar mas a certa altura são compulsivamente tentados a fazê-lo. É duma dependência que falamos e não de um prazer.

Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.
Daniel Rodrigues

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