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Julho 20, 2012 at 3:46 am Deixe um comentário


Artigo publicado na edição n.º 159 do Jornal Canas de Senhorim

Colecistite

A «pedra» na vesícula!

É muito comum ouvirmos alguém queixar-se de «pedra» na vesícula e já nos questionámos várias vezes que pedras são essas, certo? É com esse objetivo que escrevo hoje, elucidar-vos quanto à colelítiase e à colecistite bem como aos mecanismos associados a estas patologias.
Em primeiro lugar vamos perceber que a colelítiase é o termo técnico para definir a «pedra» ou os cálculos na vesícula biliar e a colecistite é uma inflamação da vesícula biliar que pode estar associada à obstrução da mesma pelos tais cálculos, «pedra» ou lítiase, todos termos que definem a mesma entidade.
A vesícula biliar, por sua vez, não é mais do que um depósito de bílis que é um líquido produzido pelo fígado, constituído por bicarbonato, colesterol, pigmentos e água; com a função de auxiliar na degradação de gorduras, sendo por isso drenada para o intestino durante a digestão. Quando não ocorre  digestão ela fica armazenada na vesícula biliar.

Assim sendo, como é que surge a colelítiase, a «pedra» na vesícula?
Essencialmente a lítiase pode surgir por duas vias, a carência de água  ou o excesso de colesterol na bílis e existem uma série de fatores que contribuem para isso, tais como: a idade (o risco de desenvolver colelítiase é 4 vezes maior após os 40 anos), o sexo (sendo mais comum em mulheres graças aos níveis de estrogénio, pelo que pode ocorrer durante uma gravidez), a obesidade, diabetes, cirrose hepática, jejum prolongado, sedentarismo, doença de Crohn e anemia falciforme.

Facilmente percebemos que a melhor forma de a evitar é efetuar uma alimentação pobre em gorduras, não fazer jejuns prolongados entre refeições, beber água e praticar exercício físico mas… ou nós não prevenimos ou isso nem sempre é suficiente, não é verdade?

Quando surge a lítiase temos as suas complicações. O sintoma principal associado à lítiase é a dor intensa do lado direito do abdómen – a cólica biliar – que ocorre de uma forma intermitente e normalmente após a ingestão de alimentos. Esta dor funciona como um sinal de alarme, indica-nos que existe «pedra» na vesícula, e com ela – a colelítiase – o risco de colecistite aumenta drasticamente.

A colecistite, como disse, não é mais do que uma infeção da vesícula biliar que ocorre por retenção de bílis e disseminação de bactérias, esta retenção pode ser causada por jejum prolongado ou outras entidades patológicas; e por obstrução causada pela lítiase, o que corresponde a cerca de 80% dos casos.
Ao contrário da cólica biliar onde a dor é limitada e desaparece após o relaxamento da vesícula fora dos períodos de alimentação, na colecistite a dor é constante e mais forte e pode associar-se a vómitos e febre.

É fundamental sabermos identificar os sintomas compatíveis com uma colecistite porque este quadro necessita de intervenção precoce para evitar complicações graves.

O tratamento mais comum é a colecistectomia (remoção da vesícula biliar) e pode ser realizada por cirurgia aberta ou por video-laparoscopia. Normalmente não ocorrem complicações após a cirurgia e a pessoa terá apenas que evitar o consumo excessivo de gorduras.

Não menospreze! A «pedra» na vesícula pode tornar-se uma emergência médica que necessita de uma resolução imediata.

Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.
Daniel Rodrigues

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