+ Saúde 30

Julho 20, 2012 at 3:49 am Deixe um comentário


Artigo publicado na edição n.º 160 do Jornal Canas de Senhorim

Tuberculose

Desde muito cedo sinto o estigma associado a diversas doenças, estigma tal que ostraciza a vítima dessa doença ao ponto de culpabilizá-la por algo que ela, muitas vezes, não conseguiria evitar. Este quadro é uma das pinturas mais aterradoras no panorama da saúde se nos lembrarmos que a pessoa doente é uma pessoa fragilizada e não merece, nem de longe nem de perto, qualquer tipo de estigma, preconceito, segregação ou exclusão.

Urge informar para a saúde contribuindo para erradicar o estigma associado a doenças, principalmente no que toca às doenças infeciosas, transmissíveis ou à doença mental. Dito isto, em jeito de declaração de interesses, avancemos para o tema central. À data que escrevo assinala-se o Dia Mundial da Tuberculose (24 de março) e é dela que vamos falar.

Saiba, caro leitor, que só em 2010, «quase nove milhões de pessoas ficaram doentes devido à tuberculose e 1,4 milhão de pessoas morreu devido à mesma causa» no mundo? (dados da OMS). Estes números fazem da tuberculose a doença infeciosa mais letal para a população adulta em todo o mundo. O desafio lançado neste dia internacional: “Erradicar a tuberculose na nossa geração”, é uma meta tão ambiciosa como necessária. Esperemos que se torne realidade.

A tuberculose é uma doença infeciosa causada por um micróbio – o bacilo de Koch* -, transmite-se de pessoa para pessoa e atinge principalmente os pulmões. Dos sintomas destacam-se a tosse crónica, a febre, a persistência de suores noturnos, dores no tórax, a perda de peso lenta e progressiva, a falta de apetite e a apatia.

A transmissão da doença ocorre através da respiração, que faz penetrar o bacilo de Koch no nosso organismo, ou seja, quando uma pessoa com tuberculose tosse, fala ou espirra, espalha no ar gotículas que contém o bacilo e uma pessoa saudável que respire o ar desse ambiente pode infetar-se.
Na maioria das vezes o organismo resiste e a pessoa não adoece, o indíviduo torna-se portador do bacilo e quando fragilizado por outra doença, como o cancro, a diabetes, a sida  ou alcoolismo, acaba por não resistir. Os doentes com tuberculose que já estão a ser tratados não oferecem perigo de contágio porque a partir do início do tratamento este risco vai diminuindo dia após dia e estima-se que quinze dias depois de iniciado o tratamento o risco de contágio seja nulo.

Como em todas as doenças, a prevenção é a arma mais poderosa e, neste caso, é feita através da vacina BCG, que é aplicada nos primeiros 30 dias de vida e capaz de proteger contra as formas mais graves de tuberculose.
A tuberculose deve ainda tratar-se, o mais precocemente possível, para que o contágio não prolifere. O tratamento deve ser acompanhado pelo médico de família do seu centro de saúde. Se uma pessoa com tuberculose não procurar ajuda e se não for tratada atempada e convenientemente, a probabilidade de vir a morrer na sequência da doença é muito elevada. Por outro lado, quando um doente abandona ou interrompe o tratamento que lhe foi prescrito, aumenta também a probabilidade de vir a morrer da doença, uma vez que possibilita o aparecimento de novos bacilos de Koch, resistentes aos medicamentos atualmente usados para o tratamento e controlo da tuberculose.

Não se esqueça…
O estigma não trata, não cura e não previne. Se conhece, informe-se. Se sente, procure ajuda.

*Koch – Robert Koch foi o médico alemão que identificou, em 1882, o bacilo da tuberculose. Este médico viria a receber, em 1905, o Prémio Nobel da Fisiologia e Medicina por essa descoberta e o bacilo da tuberculose ficou conhecido por bacilo de Koch em sua homenagem.

Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.
Daniel Rodrigues

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