+ Saúde 31

Julho 20, 2012 at 3:53 am Deixe um comentário


Artigo publicado na edição n.º 161 do Jornal Canas de Senhorim

O Serviço Nacional de Saúde: a sua sustentabilidade e a utilização responsável de recursos.

Com o advento da crise económica que atravessa o nosso país a saúde não escapou nem escapará aos cortes dramáticos, o que não é agradável nem tampouco popular. De facto a ordem do dia é racionalizar, e se existem áreas onde isso é, porventura, impossível a saúde, em concreto o Serviço Nacional de Saúde (SNS), não é uma delas. O SNS foi e será um projeto da democracia, um pilar de sustentação do cidadão português, uma mais-valia inestimável, no entanto, racionalizar é assegurar que ele se mantenha firme e sustentável garantindo que as gerações vindouras também possam dele usufruir.

Os profissionais de saúde bem sabem que existem lacunas a corrigir, gastos excessivos e gestão ineficaz, e são eles quem melhor enuncia o caminho para a racionalização de recursos no SNS. Ultimamente temos observado vários movimentos de utentes e profissionais de saúde em luta contra o encerramento de determinado urgência ou determinado hospital, essa é porém a via mais fácil, não que seja condenável tendo em conta os hábitos de saúde das pessoas e as rotinas e experiências adquiridas pelos profissionais em determinado hospital ou serviço específico, no entanto, em si estas lutas promovem precisamente o contrário do seu objetivo último.

Quando assegurar a sustentabilidade do SNS passa por encerrar determinados hospitais que, das duas uma, ou não cumprem os seus objetivos ou replicam ofertas numa determinada área geográfica, lutar contra esse encerramento é o mesmo que lutar contra a sobrevivência do SNS. Desde que se garanta o acesso aos cuidados de saúde a toda a população esta gestão de recursos é indispensável.

Não quero, deste modo, defender a política de saúde atual ou pelo menos toda ela, mas devo frisar que o caminho que está a ser seguido é, na generalidade, aceitável e necessário.

A racionalização de recursos não passa apenas pelo encerramento de unidades, mais importantes ainda são a sensibilização dos profissionais de saúde, a política dos recursos humanos e a informação aos cidadãos. O Governo, especificamente, o Ministério da Saúde peca por não auscultar os profissionais de saúde envolvidos nas transformações ou por não incentivar a discussão pública à priori, desse modo conseguiria alcançar consensos e melhores soluções.

Existe ainda um longo caminho a percorrer na sensibilização e informação dos portugueses, seja na área do medicamento onde proliferam consumos excessivos; no acesso às urgências hospitalares que é anárquico; na utilização do sistema de emergência médica pré-hospitalar; ou, ainda, na utilização dos cuidados de saúde primários.

A política de recursos humanos é, na linha de atuação do governo no que toca ao emprego, catastrófica, existem profissionais desmotivados e sobrecarregados. A carência de recursos humanos em saúde é um exemplo de má política e se, em alguns casos, essa carência resulta da parca oferta formativa, noutros casos ela resulta meramente de políticas de gestão erradas. Se os recursos humanos do SNS fossem reforçados a qualidade dos cuidados de saúde prestados melhorava exponencialmente e teria repercussões nos ganhos em saúde e na prevenção da doença, daí que mais recursos humanos pode significar menores custos, seria rentável.

Os cuidados de saúde primários também não têm sido suficientemente valorizados, é neles que reside a maior quota de ganhos em saúde potencial, uma maior aposta nos cuidados de saúde primários e a sensibilização das populações para a sua utilização permitiria reduzir drasticamente a doença e a utilização dos hospitais.

Saiba, a título de exemplo, que recorrer a uma urgência polivalente de um hospital central (ex.: urgência do Hospital São Teotónio – Viseu) custa, aos cofres do Estado, sensivelmente o triplo (ronda os 150€) do que recorrer a uma urgência básica (ex.: Hospital Cândido de Figueiredo – Tondela), ou dez vezes mais do que recorrer ao SAP de Nelas. Pense duas vezes quando necessitar de recorrer a uma urgência, pode ser atendido com a mesma qualidade e com maior rapidez numa urgência de tipologia inferior e está a poupar dinheiro aos contribuintes.

Um outro hábito – fundamental – que ainda não está suficientemente enraizado é a utilização da linha Saúde 24. A linha Saúde 24 é uma linha telefónica que fornece toda a informação necessária em caso de doença, desde os primeiros cuidados a ter, ao hospital mais adequado à sua situação específica e até a referenciação ao hospital, sendo que, antes de você chegar o hospital já estará informado da sua chegada.

Pela sobrevivência do SNS, utilize-o racionalmente!

Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.
Daniel Rodrigues

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