+ Saúde 33

Julho 20, 2012 at 4:01 am Deixe um comentário


Artigo publicado na edição n.º 163 do Jornal Canas de Senhorim

Abuso de menores e negligência

Comemorámos no passado dia 1 de junho mais um «dia da Criança» e imediatamente surgiram relatórios a denunciar a situação de pobreza por que muitas crianças portuguesas passam. Em contexto de crise económica – não tenhamos dúvidas – são os mais vulneráveis que maiores consequências sofrem, especialmente as crianças e os idosos.

O nosso país tem alcançado resultados fantásticos ao nível da inclusão social, educação e protecção dos mais pobres e dos excluídos, muitas vezes pioneiro na defesa dos direitos das pessoas, mas… poucos meses de crise económica e austeridade podem desferir um sério golpe na sociedade que se pretende coesa.

Aproveitando o mote abordo a problemática do abuso de menores e de práticas negligentes no cuidado à criança. O abuso de menores não se esgota no abuso sexual, engloba maus tratos físicos e verbais, a violência psicológica, entre outros. Já as práticas negligentes correspondem ao abandono da criança, à alimentação deficitária ou inadequada, à escassez de vestuário, à restrição de acesso à educação, à escassez de atenção, carinho, respeito ou até um lar/abrigo.

As perturbações de personalidade ou baixa auto-estima, patologias psiquiátricas e/ou o abuso de álcool ou medicamentos são comuns no agressor ou na pessoa negligente. Por outro lado, a criança pode ser exigente, hiperativa ou possuir alguma deficiência. Além destas possíveis características particulares a agressor e vítima respetivamente, existem uma série de condições que podem despoletar o abuso de menores e a negligência, desde a escassez de apoio emocional da família, dos vizinhos ou dos amigos; à crise económica ou desemprego, até à separação dos pais que pode derivar no abandono por parte de um deles.

O abuso de menores pode produzir mudanças de comportamento visíveis na criança e no adulto que abusa dela e lesões físicas relativamente típicas na criança. Por exemplo, um pai pode parecer indiferente, inclusive quando a criança está ferida de forma evidente, ou pode ter pouca vontade de explicar ao médico ou aos amigos como se deu a lesão. Além disso, a descrição pode variar em cada relato. A lesão pode ser insólita para a idade da criança.

Uma criança que sofre de abusos reiterados pode mostrar fisicamente sinais de lesões novas e antigas. As contusões, as queimaduras, as feridas ou as esfoladelas muitas vezes são evidentes. As queimaduras de cigarros são visíveis nos braços e nas pernas. A criança também pode ter indícios de ossos fracturados.

Uma criança que sofreu abusos sexuais poderá apresentar dificuldades para caminhar ou sentar-se, por alguma lesão física. Pode manifestar-se uma infecção urinária, uma secreção vaginal ou uma doença de transmissão sexual. Muitas vezes, contudo, não existe lesão física aparente. Como a vítima pode encontrar-se sob ameaça se contar a alguém o que aconteceu, os médicos, a polícia e os familiares podem ter dificuldades para ter conhecimento, através dela, do que se passou.

Uma criança abandonada pode ter aspecto de estar mal alimentada, cansada, suja ou carecer de roupa apropriada. Em casos extremos, pode viver sozinha ou com os irmãos, sem a vigilância de um adulto. Em alguns casos, as crianças abandonadas morrem de fome ou por exposições diversas.

Um bebé abandonado ou que sofreu abusos, em geral, não se desenvolve física ou emocionalmente numa proporção normal. Os bebés privados de carinho familiar podem parecer indiferentes ao que os rodeia. A sociabilidade e a facilidade verbal podem ver-se afectadas por uma atenção insuficiente.

O que fazer?
Uma criança que foi vítima de abuso ou que foi abandonada pode necessitar de hospitalização. Os médicos e enfermeiros devem, por exigência legal, denunciar rapidamente os casos de abusos a menores ou em que se suspeite de abandono de uma criança. Encorajamos os cidadãos a apresentar queixa às autoridades judiciais e competentes sobre qualquer tipo de abuso ou abandono de que tenham conhecimento ou suspeita.

Para sugestões e/ou recomendações de temas a abordar nesta rubrica, agradeço que contactem via eletrónica para danyelrodrigues@gmail.com.
Daniel Rodrigues

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